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Flávio Josefo

Ἰώσηπος Josephus Historicus Joseph.

Historiador de origem judaica, escreveu em grego e sua obra é de suma importância para o estudo das relações entre Roma e os judeus no século I.

Sumário

Biografia

Nasceu provavelmente em Jerusalém, por volta de 37, de respeitada família sacerdotal. Seu pai chamava-se Matias e recebeu excelente educação, a julgar pela grande familiaridade com os clássicos gregos que exibe em seus escritos. Seu nome original em hebraico era, provavelmente, יוסף בן מתתיהו (Yosef ben Matityahu) ou יוסף בר מתתיהו (Yosef bar Matityahu) — 'José, filho de Matias'.

Aos 19 anos ligou-se aos fariseus[1], aparentemente por interesse em sua influência.

miniaturaFlávio Josefo

Em 64, na época de Nero, viajou para Roma a fim de obter a libertação de alguns amigos sacerdotes, aprisionados pelos romanos. Seu navio naufragou, mas foi resgatado e conseguiu obter a ajuda da Imperatriz Popeia Sabina e do influente Epafrodito, liberto de Nero, que intercederam por seus amigos.

De volta a Jerusalém, como um dos chefes militares da Galileia, combateu os romanos durante a Primeira Revolta da Judeia (AD 66), mas foi capturado em julho de 67, durante o cerco à fortaleza de Jotapata, em circunstâncias pouco esclarecidas. Prisioneiro de Vespasiano e de seu filho Tito, que comandavam as forças romanas, Josefo logo se tornou seu protegido, mas só foi libertado em 69, quando Vespasiano tornou-se Imperador.

Pouco depois, em 70, participou como negociador durante o cerco romano a Jerusalém, mas em vão: chamado de traidor pelos sitiados, testemunhou a conquista da cidade pelos romanos e a destruição do Templo.

Mudou-se para Roma em 71, quando recebeu a cidadania romana e, como liberto de Vespasiano, adotou o nome de Titus Flavius Josephus, pelo qual é conhecido atualmente. Recebeu terras na Judeia, mas continuou vivendo em Roma, sob a proteção dos Flavianos, onde escreveu todas as suas obras.

Josefo casou-se três vezes. A primeira esposa não lhe deu filhos; divorciou-se dela em 70 e casou-se com uma judia de Alexandria, com quem teve dois filhos. Em 75 divorciou-se novamente, casou-se com uma judia de Creta e teve mais dois filhos.

Publicou uma autobiografia c. AD 100, na época de Trajano, e faleceu pouco depois.

Obras sobreviventes. Sinopses

Josefo escreveu A Guerra Judaica, em sete volumes, provavelmente em aramaico, entre 75 e 79; o texto original foi traduzido para o grego, com a ajuda de um tradutor, e publicado mais ou menos em 79.

Antiguidades Judaicas, obra publicada c. 94, em 20 volumes, foi escrita diretamente em grego. Contra Ápio, em dois volumes, foi publicado em 97.

A Autobiografia foi originalmente publicada como um apêndice à segunda ou terceira edição de Antiguidades Judaicas, c. 100.

Sinopses disponíveis no Portal, por enquanto:

Características da obra

Traidor de seu próprio povo, filo-romano, escritor "oficial" dos imperadores romanos — a despeito desses rótulos, criados notadamente pelos eruditos do século XIX, Josefo não deixa de ser uma testemunha ocular e privilegiada de eventos cruciais para a história do Judaísmo antigo. Suas informações são de grande importância para contextualizar outras fontes, como por exemplo os Manuscritos do Mar Morto, de grande significado histórico e religioso.

Sua obra também fornece muitas informaçõe sobre importantes personalidades históricas, antigos costumes e acidentes geográficos. Muitos dados da história judaica posterior a -175 e do Cristianismo primitivo são conhecidos apenas através de seus escritos.

Há, ademais, importantes resumos de obras perdidas, como a do egípcio Mâneton e do babilônio Beroso, ambas do sæc. -III.

A despeito da ambiguidade política que sua biografia deixa entrever e das profundas relações de amizade com os romanos, Josefo nunca deixou de defender seus conterrâneos e procurou apresentar os judeus como um povo antigo, civilizado e devoto, cuja cultura era perfeitamente compatível com a cultura greco-romana.

Embora um tanto medíocre do ponto de vista literário, do ponto de vista gramatical e estilístico o texto de Josefo é correto e até elegante. Nota-se, porém, que o grego não é sua língua materna.

Manuscritos, edições e traduções

Todos os escritos de Josefo chegaram até nós praticamente na íntegra. Nenhum dos manuscritos conhecidos, porém, contém todas as suas obras. Os dois mais antigos parecem ser o Palatinus Graecus 14 (sæc. IX-X, Biblioteca do Vaticano) e o Parisinus Graecus 1425 (sæc. X-XI, Biblioteca Nacional de Paris).

A editio princeps do texto grego de todos os tabalhos foi publicada em 1544 em Basileia. Seguiram-na as edições de Genebra (1611 e 1634) e de Leipzig, em 1691. A primeira edição a levar em conta os erros dos manuscritos foram a de Hudson (Oxford, 1720) e a de Havercamp (Amsterdam, 1726), que serviram de base para a de Dindorf (Paris, 1845/1847). Após a edição de Bekker em 6 volumes (Leipzig, 1855/56), seguiu-se a de Benedict Niese (Berlin, 1887/94), ainda usada em nossos dias.

Várias traduções latinas antecederam a editio princeps. As duas mais antigas são a do século IV, atribuída a Rufinus, e a do século VI, encomendada por Cassiodoro; posteriormente, edições latinas foram publicadas em Augsburg (1470) e em Paris (1510), esta atribuída a um tal Hegesipo. Uma tradução latina corrigida foi publicada em Basel, em 1524.

Ainda não existe, em português, tradução de todas as suas obras.