Teofrasto / Investigação sobre as plantas

Seção: ciência grega540 palavras
Περὶ Φυτῶν Ιστορία Historia Plantarum Theophr. Hist. pl. -314
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A Investigação sobre as Plantas (gr. Περὶ Φυτῶν Ιστορία), de Teofrasto, foi escrita por volta de -314 e constitui um dos mais importantes legados da Antiguidade.

Em seus nove livros (dez, originalmente), datados aproximadamente de -314, são descritas cerca de 480 espécies; alguns nomes, como Crataegus, Daucus, Asparagus, Narcissus são usados até hoje. A classificação dos vegetais em árvores, arbustos, subarbustos e ervas, embora muito artificial, tem o mérito de ter sido a primeira. Note-se que ela levava em conta, além da forma externa e outras características estruturais, o caráter anual, bianual e perene de algumas espécies de ervas.

A despeito dos avanços da Botânica durante a Renascença, a relevância dos estudos de Teofrasto só foi ultrapassada há meros trezentos anos pelos trabalhos do sueco Carl von Linné (1707/1778).

Resumo

O texto se distribui em nove livros e ocupa mais de 700 páginas do texto editado e traduzido por Hort (1916), no qual se baseia este pequeno resumo.

O livro 1, bastante extenso, trata da anatomia das plantas. Flores, folhas, frutas, fibras (cerne e seiva); diferenças entre a forma dos troncos e suas estruturas internas, tipos de raízes; forma, direção, posição e composição das folhas; sementes encapsuladas e não encapsuladas, seus tipos e necessidades de umidade e calor; flores, suas variedades e características das pétalas, e flores estéreis. Observações sobre a germinação, sobre o impacto do habitat e do clima e sobre o fato de plantas cultivadas serem mais frequentemente afetadas por doenças do que as plantas selvagens. Segue-se a classificação das plantas mencionada acima.

Os livros 2-5 são dedicados às espécies arbóreas: plantas “domesticadas” e seu cultivo, plantas selvagens, duração e doenças das plantas “estrangeiras”, características da madeira e como tratá-la, métodos naturais de reprodução e propagação, inseminação artificial da palmeira. A propagação das plantas por meio da chuva, da inundação e das aves.

No livro 6, as plantas herbáceas perenes, tanto as selvagens com e sem espinhos como as plantas domesticadas, inclusive as ornamentais. Livro 7: vegetais e seu cultivo, plantas selvagens, plantas campestres usadas como vegetais, ervas. Livro 8: cereais (grãos, ervilhas e feijões). Livro 9: a seiva e as plantas medicinais.

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Manuscritos, edições e traduções

As fontes mais importantes da obra são os manuscritos Vaticanus Urbinas graecus 61 (c. 900), da Biblioteca do Vaticano; o Laurentianus 85, 22, da Biblioteca Laurenciana de Florença (sæc. XV); e o Monacensis graecus 625, da Bayerische Staatbibliothek de Munique (sæc. XV).

A edição princeps é a Aldina, de 1497; Teofrasto foi publicado no tomo IV dos textos de Aristóteles. As principais edições modernas dos textos de botânica são a de Schneider (1821), a de Hort (1916-1926), a de Dengler (1927) e, mais recentemente, a de Amigues (1988), utilizada aqui.

O texto foi vertido para o português em 2016 por Maria de Fátima Sousa e Silva e Jorge Paiva sob o título História das plantas.