Epicuro

Seção: filosofia grega
Ἐπίκουρος Epicurus Phil. Epicurus

Dentre os diversos filósofos epicuristas cujo nome chegou até nós, o de maior importância é o próprio Epicuro, fundador da escola.

Biografia e obra

iEpicuro

Epicuro nasceu em Samos por volta de -341, de pais atenienses. Ensinou em Mitilene e em Lâmpsaco, tendo se transferido para Atenas em -307 ou -306. Lá adquiriu a ampla casa com jardim que iria sediar sua escola, logo conhecida por “Jardim de Epicuro”. Nela, mestres e discípulos viviam comunitariamente em tranquila reclusão.

Segundo Diógenes Laércio, Epicuro escreveu cerca de trezentas obras sem citar outros autores, isto é, registrando somente suas próprias ideias (D.L. 10.26-27).

Chegaram até nós apenas três cartas, duas coleções de máximas e citações fragmentárias. O romano Lucrécio (-94/-55), felizmente, preservou em seu De Rerum Natura informações importantes a respeito da doutrina epicurista.

Epicuro morreu em -270, em Atenas, por causa de cálculos renais, e legou seus bens à escola.

A doutrina epicurista

A aquisição do saber e a limitação dos desejos físicos, instáveis por natureza, são instrumentos essenciais para se libertar dos sofrimentos. A finalidade da vida é a busca da felicidade, obtida ao se atingir a ataraxia (gr. ἀταραξία), a “ausência de distúrbios”, a tranquilidade da alma. Para tanto, é necessário se livrar de todas as ansiedades, inclusive o medo dos deuses e o medo da morte.

Influenciado pelos atomistas, para quem o mundo era constituído de átomos e de vazios, Epicuro também explicava o mundo físico assim, em termos inteiramente naturais. Mas para ele a natureza não era, de modo algum, rígida; nada era imutável e determinado.

Movimentos espontâneos e aleatórios dos átomos em seu trajeto normal, por exemplo, dariam ensejo ao livre arbítrio. De tudo o que existe emanam átomos que, ao se chocar com o corpo humano, tornam a realidade inteiramente apreensível pelos sentidos e produzem as ideias.

Epicuro acreditava na existência dos deuses, mas relegava-os a planos isolados e à parte, os intermundia, e rejeitava terminantemente a intervenção divina em assuntos humanos. “Os deuses”, concluiu ele, “têm coisas mais importantes a fazer”.