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Os milesianos

Seção: filosofia grega400 palavras
iiniA antiga ágora de Mileto

A filosofia surgiu no início do século -VI na rica e cosmopolita pólis de Mileto, na Ásia Menor, fundada em fins do século -XII durante o colapso da civilização micênica.

Vários fatores favoreceram o nascimento: efervescência comercial, prosperidade material, contato com outras culturas avançadas, sistema de governo democrático e, finalmente, cidadãos com tempo livre para o estudo e a reflexão.

O pensamento especulativo[1] grego apresentou-se, desde o princípio, dissociado das ideias mítico-religiosas características dos egípcios, babilônios, persas e outros povos com quem os gregos tiveram contato durante as migrações dos séculos -VII e -VI.

Os primeiros filósofos dirigiram sua atenção, basicamente, para a estrutura da natureza e seu funcionamento; devido ao constante interesse em interpretar racionalmente os fenômenos observados, são chamados de Filósofos da Natureza. Especulando a respeito da origem e constituição do mundo natural, em termos racionais, estabeleceram a filosofia como uma disciplina intelectual e, pela mesma razão, de certa forma, foram também os primeiros cientistas.

Os três mais antigos pensadores gregos — Tales, Anaximandro e Anaxímenes — eram milesianos, mas não constituíam propriamente uma “escola” filosófica[2].

Praticamente todos os fatos de suas biografias são incertos. Sabe-se apenas, com certeza, que os três viveram em Mileto, mantiveram um interesse comum pela Natureza (gr. φύσις) e, especialmente, pela existência de uma substância fundamental e básica em sua estrutura e funcionamento. A mais importante de suas doutrinas envolvia o princípio fundamental (gr. ἀρχή) de tudo o que existia

Os milesianos também se interessavam pelas ciências, notadamente a Astronomia, a Física, a Matemática e a Biologia.

Nenhum dos escritos de Tales, Anaximandro e Anaxímenes de Mileto chegou até nós de forma completa; a doxografia, felizmente, é mais ou menos abundante. Os autores que mais contribuíram para uma possível reconstituição do pensamento desses notáveis intelectuais foram Aristóteles (-384/-322), Écio (sæc. II), Hipólito (170/236) e Simplício (sæc. VI).