Græcia Antiqua
i0127
Lamentação e cortejo fúnebre I
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Frisos com ornamentos geométricos e cenas narrativas. Detalhe de cratera ática do Pintor de Hirschfield.
imagem
S. Tsavdaroglou, M. Skiadaresis e N. Kontos, 1977
licença

As cenas narrativas, com desenhos altamente estilizados e esquemáticos que não permitem entrever com clareza o sexo das figuras humanas, representam uma cerimônia fúnebre complexa.

Depois da ‘lamentação’ ritual (gr. πρόθεσις)[1], na qual pessoas lamentam em volta do morto, com os braços elevados (registro superior), vem a procissão fúnebre (gr. ἐκφορά), na qual o morto é levado em carruagem (registro do meio) acompanhada de guerreiros armados com escudos em oito que recobrem praticamente todo o corpo, e que dirigem carruagens de dois cavalos (registro inferior).

A decoração geométrica contém, além da graeca[2] e das habituais faixas, alguns padrões circulares e cruzes suásticas. A suástica é um padrão já conhecido da cerâmica oriental, notadamente a da Mesopotâmia durante o V milênio a.C.

Neste magnífico vaso do Mestre de Hirchfield, o morto aparece deitado em seu leito, de lado, cercado de familiares e carpideiras; até seus cães estão presentes, lamentando o dono falecido. Note-se a mortalha, mostrada como um retângulo que enquadra a cena. Abaixo, a procissão de carruagens e soldados a pé com escudos “em oito”.

Conforme a convenção habitual dos vasos geométricos, os desenhos são altamente estilizados, esquemáticos e sem perspectiva. Fase: geométrico recente.

Em iluminuras relacionadas, veja também outro vaso do ateliê do Pintor de Hirschfield, cenas de prothesis e ekphora pintadas pelo Mestre do Dypilon e imagens com escudos "em oito". Em links externos há mais informações sobre os rituais fúnebres gregos.

notas
  1. A lamentação é tema comum nas obras artísticas da Idade Média e do Renascimento que representam os lamentos de Maria e outros personagens em torno do corpo morto de Cristo. Em geral é a arte cristã que recorre a temas e convenções da arte grega; aqui, tomei emprestado um termo usualmente restrito à arte cristã para traduzir a palavra grega πρόθεσις — que originou a palavra portuguesa “prótese” —, que designa a parte da tradicional cerimônia fúnebre grega na qual mulheres da casa choravam de forma exagerada o morto diante de seu corpo, antes do cortejo fúnebre.
    Imagem: óleo sobre tela de David Kindt, 1631. Paris, Museu do Louvre, A. Dequier & M. Bard, cl / uso não comercial.
  2. A greca é um ornamento formado por sequência de linhas que se dobram sobre si mesmas em ângulo reto.
    Imagem: padrão básico. Esboço de Wilson A. Ribeiro Jr., CC BY-NC-ND 4.0.
referências
S. Karouzou, National Museum, Athens, Ekdotike Athenon, 1999.
a iluminura no portal
iluminuras relacionadas
 
Lamentação e cortejo fúnebre II.
 
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Vasos cicládicos com escudos.
Fira, Museu Pré-Histórico de Thera
 
Escudo micênico em oito.
 
Adaga com cena de caça.
 
Joias protogeométricas de Creta.

Imprenta

Ilustração nº 0127
publicada em 08/06/2000. atualização: 20/07/2006.
Licença dos comentários: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Lamentação e cortejo fúnebre I. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/img.asp?num=0127. Consulta: 24/03/2017.
 
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