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Eurípides / Fenícias 896-924

Seção: literatura grega
E. Ph. 896-924 -411 / -407
grtexto grego

Esta passagem do 3º episódio da tragédia contém a sombria previsão do adivinho Tirésias: para vencer o exército argivo que sitia Tebas, Creonte terá que sacrificar seu próprio filho, o jovem Meneceu. A tradução é de JAA Torrano (2016), a nota é de minha autoria.

CREONTE  Espera aí, velho! TIRÉSIAS       Não me prendas! Cr.Fica! Foges? Ti.    Sorte foge de ti, não eu. Cr.Diz a salvação aos cidadãos e à cidade! Ti.Tu o queres sim, e talvez não queiras. 900 Cr.Como não quero salvar a terra pátria? TiQueres mesmo ouvir e tens pressa? Cr.Em que mais devo pôr meu empenho? Ti.[Ouvirias doravante meus vaticínios.][1]  Primeiro quero saber claramente isto, 905  onde está Meneceu, que me trouxe? Cr.Ele não está longe, mas perto de ti. Ti.Que se afaste longe de meu vaticínio! Cr.Por ser meu filho, calará o que deve. Ti.Queres que te diga com ele presente? 910 Cr.Ele teria prazer em ouvir de salvação. Ti.Ouve o caminho de meus vaticínios,  [como salvaríeis a urbe dos cadmeus].  Deves imolar pela pátria o teu filho  Meneceu, já que tu chamas a sorte. 915 Cr.Que dizes? Que fala tu falas, velho? Ti.O que falei, isso é coação que faças. Cr.Ô! Falaste em breve fala muitos males! Ti.A ti, mas à pátria, virtude e salvação! Cr.Não ouviram, não ouvi! Adeus, urbe! 920 Ti.Este varão não é ele; arreda ao invés. Cr.Adeus, vai! Não quero teus vaticínios. Ti.Abole-se a verdade, se tens má sorte? Cr.Ô! Por teus joelhos e encanecida barba! Ti.Por que suplicas? Diz males inevitáveis.