Demóstenes / Oração 9.6-9

Seção: literatura grega
D. Prooem. 9.6-9 -341
gr
texto grego

A passagem escolhida ilustra o cuidado com que Demóstenes articulava e apresentava seus argumentos a fim de persuadir a audiência; note-se o competente uso da ironia e da concatenação de fatos e sua interpretação.

Retirei um trecho duvidoso no manuscrito original, marcado por [  ]. A tradução é da professora Ísis B.B. Fonseca (2001, p. 74-75).

As manhas de Felipe II da Macedônia

6.  Se, portanto, todos estivéssemos de acordo em que Felipe faz guerra à cidade e transgride o tratado de paz, nada mais seria preciso que o orador dissesse e aconselhasse senão que o repelíssemos do modo mais seguro e mais fácil. Mas, como a atitude de alguns é tão absurda que, enquanto ele toma cidades, ocupa muitas das nossas posições e comete atos de injustiça contra todas as pessoas, toleram eles que alguns digam muitas vezes nas assembleias que são alguns de nós que causam a guerra, é necessário nos precavermos e nos corrigirmos a esse respeito.

7.  De fato, é de se temer que um dia alguém, por ter proposto um decreto e aconselhado que nos defendamos, incida na acusação de ter causado a guerra. [ Eis, porém, o que eu antes de tudo digo e defino: (...)

8.  (...) ] Se, pois, é permitido à cidade manter a paz e se isso depende de nós, para começar deste ponto, o que eu de minha parte afirmo é que nós devemos mantê-la e, creio, quem diz isso deve propor soluções, agir e não usar enganos; mas se uma outra pessoa, com as armas nas mãos e considerável força em torno de si, vos propõe o nome da paz, mas ele próprio de entrega a atos de guerra, que mais nos resta senão nos defendermos? Se quereis, como ele, afirmar que mantendes a paz, não discordo.

9.  Mas se alguém concebe como paz uma situação que permite a ele tomar todas as demais posições e atacar-nos, em primeiro lugar está louco, e, em segundo, fala da paz que lhe é concedida por vós, não da que vos é concedida por ele; ora, é isto o que Felipe compra com todo o dinheiro que está sendo gasto: a guerra que ele vos faz, mas não vós a ele.