Hinos homéricos / a Hermes 260-77

Seção: literatura grega
h. Merc. 260-77
gr
texto grego

A tradução desta passagem do Hino a Hermes foi efetuada por Maria Celeste Consolin Dezotti em 1992 e posteriormente revista para a publicação na edição brasileira dos hinos (Ribeiro Jr., 2010). A autora gentilmente autorizou a publicação da versão de 1992 no Portal.

260 Mas Hermes retrucou-lhe com palavras atrevidas: "Filho de Letó, que fala rude é essa que proferiste? E foi em busca de gado de teus domínios que aqui vieste? Não vi, não sei de nada e não ouvi palavra de outrem; não poderia dar indicações, nem mesmo aceitar recompensas; 265 nem condutor de gado, gente vigorosa, eu aparento! Meu afazer não é esse; antes, outras coisas me importam: importa-me o sono, o leite de minha mãe, manter fraldas ao redor dos ombros e banhos quentes. Que ninguém fique sabendo como surgiu essa desavença! 270 Causaria mesmo um grande espanto entre os imortais um menino recém-nascido transpor o vestíbulo com bois do campo! É descabido o que declaras! Nasci ontem, tenho pés mimosos e sob eles o chão é áspero! se queres, pela cabeça do meu pai farei grande juramento: 275 dou a palavra de que não sou eu o responsável, nem mesmo vi um outro ladrão de vossas vacas, quais sejam tais vacas. Apenas ouvi tal rumor!"