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Baubó

sæc. -iv?

Estatueta de terracota de Delion, ilha de Paros

 
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Baubó / imagem principal
 
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Exposição da genitália feminina espanta o demônio. Gravura de cobre (La Fontaine, 1896, p. 131)
AcervoMuseu Arqueológico de ParosImagemZdeněk Kratochvíl, 24/02/2014Fonte / ©Wikimedia CommonsLicençaCC BY-SA 4.0Iluminura1117

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Desde a descoberta em Priene, Ásia Menor, das primeiras estatuetas associadas a Baubó em 1898, diversas associações entre o mito grego, a genitália feminina, rituais religiosos, gestos apotropaicos[1], protestos e outros temas universais têm sido feitas pelos historiadores das religiões e pelos psicanalistas.

Ao longo das eras, a imagem de Baubó assumiu miríades de formas em inscrições, poemas, estatuetas, entalhes e rituais. A origem órfica de Baubó no século VII aC, anterior à cultura grega (sic), foi documentada. (...) Sempre que ela aparecia, estava associada a buracos, entradas ou cavernas. O próprio nome “Baubó” está associado ao substantivo grego usado para corpo, cavidade, útero, vagina ou ama. (Baubó) é um ícone da vulva.
Kulish & Holtzman, 2002, p. 112

A exposição da genitália feminina (gr. ἀνάσυρμα) e, mais raramente, da genitália masculina, pode ser encontrada em antigos mitos, estatuetas e rituais diversos com finalidade explicitamente apotropaica. Um exemplo notável (Heródoto 2.60) é o dos egípcios do século -XII, como se vê no papiro Chester Beatty (1.4.2)[2].

Esse tipo de gesto fazia parte, aparentemente, dos “mistérios” celebrados em Elêusis, uma vez que Baubó tem participação no mito de Deméter.

De certa forma, a Afrodite Calipígea (Ilum. 0807, infra) pode ser considerada um exemplo de ἀνάσυρμα, principalmente se levarmos em conta que a sensual exposição das nádegas da deusa é uma forma de culto a Afrodite.

Em épocas mais recentes, há pelo menos um exemplo em La Fontaine (Le Diable de Papefiguière, 1674), em Goethe, que aliás chama Baubó de ‘anciã peralta’ (Fausto I, vv. 3962-7) e até mesmo em mitos japoneses sobre a deusa Amaterasu.