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Xenofonte / Econômico

Seção: história grega590 palavras
Οἰκονομικός OeconomicusXen. Oec. -362 / -355 ?
iiniMulher fiando

Além de ser um tratado sobre a agricultura, o Econômico faz grande elogio à vida no campo e aborda outros temas caros a Xenofonte, como a necessidade de ordem e de comando em todas as atividades, inclusive as do lar.

O título deriva da palavra οἶκος, utilizada pelos gregos para nomear, entre outras coisas, a residência, o patrimônio familiar e a pátria. Graças ao relato das responsabilidades domésticas da esposa de um dos personagens, o texto é também preciosa fonte de informações sobre o estatuto da mulher no início do século -IV.

Embora este seja um dos escritos “socráticos” de Xenofonte, a presença de Sócrates é quase incidental. Nos trechos mais significativos ele apenas relata o que ouviu de Iscômaco, um dos personagens.

Resumo do diálogo

A obra está dividida em 21 livros de pequena extensão e ocupa 84 páginas da edição de Chantraine (1949), na qual se baseia este resumo.

Personagens: Sócrates, filósofo ateniense; Critóbulo, jovem e rico proprietário de terras; Iscômaco, próspero agricultor ateniense; a esposa de Iscômaco. O narrador é, certamente, o próprio Xenofonte.

O narrador relata uma conversa que ouviu entre Sócrates e Critóbulo, mas logo Sócrates passa a relatar uma conversa entre ele e Iscômaco, que por sua vez relata conversas que teve com sua esposa...

No início, o narrador descreve uma conversa entre Sócrates e seu amigo Critóbulo. O filósofo discorre sobre a riqueza e os bens, e que administrar o patrimônio é uma arte como a medicina e a metalurgia. Critóbulo lhe pede para ensinar a melhor forma de administrar seus bens (I-II).

Sócrates diz que a administração do patrimonônio cabe igualmente ao marido e à mulher; especifica que, dentre todas as atividades, a agricultura é uma das mais nobres e faz o seu elogio. A seguir, relata o que aprendeu em uma conversa com Iscômaco (III-VI).

iMulheres e espelho. Cena de gineceu

Iscômaco conta, por sua vez, como ensinou sua mulher a administrar os afazeres domésticos, os servos da casa, a organizar e arrumar os móveis e utensílios (VII-IX) e a se apresentar sem maquiagem e artifícios (X); a seguir, começa a descrever suas atividades, sua filosofia de vida e a melhor forma de escolher e instruir os servidores (XI-XIV).

Discorre, então, sobre os cuidados necessários à agricultura: preparação do solo, semeadura, colheita, plantio de árvores frutíferas e cuidados com as plantações (XV-XX). Finalmente, afirma que a capacidade de comandar é essencial para o bom andamento de várias atividades (XXI).

Passagens selecionadas

Manuscritos, edições e traduções

O texto chegou até nós através de alguns manuscritos de qualidade inferior; nenhum deles é muito melhor ou pior do que os outros. Os mais antigos são o Venetus Marcianus 511 (sæc. XIII), da Biblioteca de São Marcos em Veneza, e o Laurentianus LXXXV-9 (sæc. XIII), da Biblioteca Laurenciana de Florença.

Um fragmento importante foi também encontrado em um papiro da época do Egito Greco-romano, o Oxyrhynchus II 227.

A editio princeps, embora incompleta, foi publicada em Florença, 1516, por Giunta. Dentre as edições mais recentes, importantes são as de Schneider (1790/1849), de Sauppe (1867-1870), de Dindorf (1875) e de Schenkl (1869-1876); as edições de Marchant (1921), de Chantraine (1946) e de Todd (1979) são as mais acessíveis.

A primeira tradução do Econômico para o português é a de Anna Lia Amaral de Almeida Prado, publicada em 1999.