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Matelda imerge Dante no rio Léte

1868

Desenho (Alighieri, 1868, p. 178 bis, com pequenas alterações cosméticas: cor, contraste)

Gustave Doré

Fonte / ©GallicaLicençaDomínio públicoIluminura1374

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No Purgatório, segunda parte da Divina Comédia, Dante encontra a jovem Matelda, que lhe apresenta o Rio Lete: quinci Letè, ‘este aqui é o Lete’ (xxviii.30).

Dante terá que atravessar o rio do esquecimento para continuar sua jornada, encontrar Beatriz e chegar ao paraíso, no terceiro livro do poema. Matelda mergulha o poeta no rio um pouco mais tarde, nos versos xxxi.91-100, que Doré sintetizou magistralmente nesta bela ilustração.

Assim como outros poetas e artistas do Renascimento, Dante via os mitos gregos através dos olhos romanos, notadamente os de Virgílio e Ovídio. Nesta ilustração em particular, no entanto, Doré parece ter capturado a essência da Lete grega original: representou Matelda como uma jovem de vestes esvoaçantes, relativamente incorpórea, capaz de sustentar Dante ao longo da travessia.

A Matelda de Doré, mais conceitual e abstrata do que a Matelda concreta de Dante, efetivamente representa Lete, a personificação do esquecimento.