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Notas 101-125
 
0101Como se vê, idéias sobre a geração espontânea, popularizadas a partir do século -IV por Aristóteles, remontam na verdade a Anaximandro de Mileto.
0102A Arabia Felix ("Arábia Feliz") correspondia ao território do Iêmen e do Omã atuais e, na Antigüidade, era famosa pela exportação de incenso e de canela. O principal reino da região no século -VIII, Saba (capital Marib, posteriormente Sana), tem algo a ver com o conhecido episódio bíblico da Rainha de Sabá e do rei Salomão (Reis 10.1-10).
0103Vitrúvio (fl. séc. I), arquiteto romano; trabalhou para Júlio César e para Augusto. Sua fama advém notadamente de um manual baseado em princípios helênicos, o Da Arquitetura, que chegou até nós em dez livros e teve grande influência durante o Renascimento. O tratado aborda todos os aspectos da arquitetura, desde os mais complexos, como o planejamento urbano, até os mais simples, como os materiais usados em cada tipo de edifício.
0104Os cários eram provavelmente um antigo povo egeu e seu idioma não era o indo-europeu. Durante o Bronze Recente absorveram em parte a cultura micênica e se espalharam por todo o sudoeste da Ásia Menor, onde viviam como pastores nas montanhas. Mantinham contato regular e constante com os gregos e sua língua era ainda falada no século -IV [apud J.M. Cook, The Greeks in Ionia and the East, London, Thames and Hudson, 1962].
0105As Sete Maravilhas do Mundo eram monumentos criados na Antigüidade que suscitavam a admiração de todos; as mais antigas referências que chegaram até nós são, aparentemente, as de Fílon de Bizâncio (-280/-220) e de Antípatro de Sidon (c. -140). Há diversas listas mas, de acordo com as tradições mais difundidas, as "sete maravilhas" eram as seguintes: as pirâmides do Egito (c. -2575/-2465), os jardins suspensos da Babilônia (séc. -VIII/-VI), a estátua de Zeus em Olímpia (c. -430), o templo de Ártemis em Éfeso (séc. -VII/-IV), o mausoléu de Halicarnasso (c. -353/-351), o Colosso de Rodes (c. -292/-280) e o Farol de Alexandria (c. -280). Somente as pirâmides do Egito ainda podem ser vistas nos dias de hoje. Veja também o artigo da Wikipedia e o link Seven Wonders of the Ancient World.
0106A Suda (também chamada de Suídas) é um léxico ou, mais exatamente, uma espécie de enciclopédia compilada no século X d.C. por eruditos bizantinos. Seus 30.000 verbetes abordam diversos aspectos da cultura grega (história literatura, língua, religião, costumes, etc.) mas nem todas as suas informações, notadamente as biográficas, são confiáveis.
0107George Meliès (1861/1938), um dos mais importantes pioneiros do cinema e dos efeitos especiais cinematográficos, produziu muitos curtas-metragens em preto & branco inspirados pela mitologia grega. Eis mais alguns títulos, traduzidos do original francês: Pigmalião e Galatéia (1898); Netuno e Anfitrite (1899); O Tonel das Danaides, As Três Bacantes (1900); O trovão de Júpiter, A Casa das Musas (1903), A Profetiza de Tebas (1908); Galatéia (1910). Mais informações: George Meliès.
0108A palavra "talassocracia" é uma composição dos radicais gregos θαλασσ-, "mar", e κρατο-, "poder". Em relação à talassocracia minóica durante a Idade do Bronze, popularizada através da lenda de Teseu e o Minotauro, acredita-se atualmente que se tratava muito mais de domínio cultural e econômico do que de domínio político.
0109Muitas culturas mencionam uma remota e idealizada "idade de ouro" em que a vida era simples e fácil, não havia guerra, não havia fome, não havia morte, etc., etc. Os dois mitos mais conhecidos são o mito da Idade do Ouro dos gregos, transmitido notadamente por Hesíodo (Hes.Op. 106-126) e o do Jardim do Éden da mitologia judaico-cristã (Gênesis 2.8-25); mas há também traços no mito de Osíris (tradição egípcia), no "Sat Yuga" do Ramaiana (tradição indu), no Avesta (tradição persa) e na religião da tribo Abenaki (índios da América do Norte), entre outros. À Idade do Ouro seguem-se habitualmente os mitos da "queda do homem", progressiva ou abrupta, que procuram explicar a evolução até a era atual.
0110Na Judéia Helenística e Romana floresceram três importantes classes ou "partidos politico-religiosos" (seitas seria talvez mais adequado): os fariseus, os essênios e os saduceus. Os fariseus tinham grande prestígio, existiram a partir do século -III e tornaram-se ferrenhos defensores da pureza das tradições judaicas, que seguiam ao pé da letra; os essênios existiram entre c. -150 e AD 100 e adoravam um só deus, criador e regente de todas as coisas, onipotente e onipresente; os saduceus surgiram c. -135/-105 e até o fim do século I eram predominantes; aceitavam tanto a cultura grega helenística como a dominação romana e não defendiam nem a lei oral e nem conceitos como a ressurreição, a imortalidade da alma e a crença na existência dos anjos.
0111Escólios são breves anotações nas margens de manuscritos gregos e latinos que comentam e esclarecem certas passagens do texto. Seus autores, habitualmente desconhecidos, são chamados de "escoliastas". É possível que os primeiros escoliastas tenham sido Aristóteles e seus discípulos, mas a atividade parece ter se desenvolvido sistematicamente só mais tarde, com as atividades filológicas e literárias dos eruditos ligados à Biblioteca de Alexandria (Aristófanes de Bizâncio, Aristarco, Calístrato e outros). Essas antigas "notas de rodapé" são sempre referidas em relação ao autor e ao texto que comentam. Sch.Ar.Ra. 67, por exemplo, significa "escólio / escoliasta de As Rãs de Aristófanes, verso 67".
0112Antigas unidades de peso, posteriormente usadas na designação de moedas e valores em Atenas. A dracma (gr. δραχμή), depois das reformas de Sólon, equivalia a seis óbolos (gr. sg. ὀβολός), a moeda ateniense de menor valor. O estáter (gr. στατήρ), peso e também moeda de prata, valia cerca de 4 dracmas. A mina (gr. μνᾶ) valia 100 dracmas e o talento (gr. τάλαντον), cerca de 60 minas.
0113Essa expressão originou-se certamente das Saturae Menippeae do erudito romano Marco Terêncio Varrão (-116/-27), em abordou, em 110 diálogos satíricos, idéias do filósofo cínico Menipo de Gadara, que viveu no século -III e escreveu diversas obras, das quais nenhuma sobreviveu. Infelizmente, as Sátiras Menipéias de Varrão também não chegaram até nós.

 
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03.08.2004
Notas 0067a
     
Página atualizada em 17.02.2005   •   Data da consulta: 14.05.2008
 
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