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0076Zeus, como todos os leigos em todos os tempos e em todos os lugares, criou um remédio altamente fantasioso para tratar o mal que o afligia — uma senhora dor de cabeça — antes de consultar um médico  . Apesar do tratamento ter dado certo nesse caso específico, nenhuma das divindades médicas (Pean, Quíron, Asclépio) recomendaria esse método para deuses menos poderosos ou para simples mortais...
0077A origem do oráculo a respeito do filho poderoso da nereida Tétis é controvertida entre os mitógrafos. Uns creditam-no à titânide Têmis, a deusa das leis eternas, e outros a Prometeu, filho do titã Jápeto.
0078O assassinato, mesmo involuntário, tornava o assassino impuro. Ninguém podia tocá-lo (o toque contamina...), ou sentar-se com ele à mesa para uma refeição, ou beber em sua companhia, até que fosse submetido a um ritual de purificação. Veja uma ilustração desse procedimento em "Orestes, Apolo e as Erínias".
0079Todos conhecem o poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765/1805) por seus ásperos e ferinos epigramas satíricos; nem todos sabem que ele foi membro da Nova Arcádia e que compôs diversos idílios bucólicos... Eis um pequeno trecho da Flérida, composto entre 1780 e 1787 e inspirado no Idílio III de Teócritos, "Lamento":

Oh monte, monte estéril, e escalvado,
Amiga solidão, tristeza amiga!
Eis um pobre pastor, e um pobre gado,
Eu cheio de saudade, ele de fome:
   Permite Amor, que eu diga
Por desafogo o mal, que me consome:
   Os clamores sentidos
Da solitária ninfa, que responde
   A meus ternos gemidos
Lá da gruta, ou da mata, em que se esconde;
   Vão ser noutros outeiros,
Vão ser noutras montanhas pregoeiros
Das ânsias, a que Flérida me obriga,
E tu ouve injustiças do meu fado,
Da minha doce, e bárbara inimiga,
Oh monte, monte estéril, e escalvado,
Amiga solidão, tristeza amiga!

0080Na realidade, a tumba de Dario I se localiza em Persépolis, no Irã, próximo da Chiraz atual. Licença poética...
0081Agatarco, pintor de Samos, trabalhou em Atenas por volta de -440/-410. Parece que aperfeiçoou o uso da perspectiva, decorou as paredes da casa de Alcibíades (-450/-404) e o cenário de algumas tragédias do poeta Ésquilo (-525/-456), não necessariamente na primeira representação, e escreveu um tratado sobre a pintura de cenários (skenographia). Nenhuma de suas obras chegou até nós.
0082Minerva é o nome da deusa Atena entre os romanos; o "voto de Minerva" é um voto de desempate. A expressão se tornou famosa a partir do voto de Atena em favor de Orestes na tragédia As Eumênides, de Ésquilo, representada pela primeira vez em em Atenas no ano -458.
0083A lenda de Ió e de seu filho Épafo contém numerosas referências ao antigo Egito, com o qual os gregos tiveram íntimo contato a partir de -650, época do faraó Psamético I (-664/-610, 26ª dinastia):
  • Nilo: deus-rio, filho de Oceano e Tétis, pai de Mênfis. O nome egípcio do deus-rio do Nilo e do próprio rio Nilo era Hap(i) e data provavelmente do pré-dinástico, período que se refere aos séculos anteriores a -3100.
  • Mênfis: filha de Nilo, casou-se com Épafo, filho de Ió e de Zeus, e foi mãe de Líbia, de Tebas e de Lisianassa. Heroína epônima da cidade de Mênfis, fundada em -3100 e conhecida pelos egípcios antigos inicialmente por inb-hd ("muros brancos") e mais tarde por mn-nfr ("o bom lugar").
  • Líbia: uma ninfa, filha de Épafo e Mênfis; uniu-se a Posídon e foi mãe de Agenor e Belos. Líbia, palavra de origem grega (Libýe), é o nome do território que abrangia todo o norte da África a oeste do Egito; os antigos egípcios chamavam a região de tmhw.
  • Busíris: tirânico rei do Egito, filho de Lisianassa e de Posídon, é personagem do 11º trabalho de Héracles. O nome é, possivelmente, simples alteração de "Osíris", um dos mais importantes deuses egípcios.
  • Tebas: heroína epônima da cidade egípcia de Tebas. "Tebas" é de origem grega (Tébe); o nome original da cidade era Waset, igual ao de uma deusa local. Embora já existisse antes de -3100, tornou-se importante somente depois de -2000.
  • Egito: herói epônimo do Egito; filho de Belos, irmão gêmeo de Dânao, foi rei do Egito. A palavra "Egito", que utilizamos correntemente, vem do grego Aígyptos; Os egípcios chamavam sua terra de kmt (lia-se "Kemit", possivelmente), que na antiga língua egípcia significa "terra negra".
Alguns desses nomes, de importância meramente genealógica, não foram mencionados nos textos das páginas de Mitologia.
0084É possível que, durante a Idade do Bronze, tenha ocorrido com o indo-europeu primitivo o mesmo que se deu com o latim vulgar no início da Idade Média. Durante a permanência de Roma nos territórios conquistados, o latim vulgar, usado pelos soldados e pelo povo romano, teve contato prolongado com as diferentes línguas faladas pelos povos dominados. Essa combinação deu origem, com o tempo, às numerosas línguas neolatinas (ou românicas): o italiano, o provençal (falado numa região da França), o francês, o espanhol, o catalão (falado em regiões da França e Espanha), o português e o romeno.
0085O filósofo Aristóteles construiu, por volta de -335, uma escola de filosofia perto de um bosque consagrado a Apolo Lykeios; daí o nome "Liceu". Esse epíteto de Apolo é um tanto obscuro. Pode ser interpretado como "da Lícia", referência a uma das possíveis origens do mito; "destruidor de lobos", conseqüência de alguma antiga lenda que não chegou até nós; ou ainda "luminoso", palavra derivada de lýke, "luz".
0086A influência do neoplatonismo, doutrina filosófica criada por Plotino (205/270) no século III, não se restringiu ao cristianismo (Santo Agostinho, John Scotus Erigena). Na Idade Média influenciou ainda a filosofia judaica, a filosofia dos árabes e, mais recententemente, o filósofo alemão G.W.F. Hegel (1770/1831) e os os platonistas de Cambridge (séc. XVII). Certos movimentos místicos, como os de Meister Eckhardt (1260/1327) e de Jacob Boehme (1575/1624) devem, também, alguma coisa a Plotino. Do ponto de vista estético, pode-se dizer que o neoplatonismo está presente igualmente na literatura: os românticos alemães e o poeta inglês William Blake (1757/1827) são os exemplos mais conhecidos.
0087Os logógrafos, no Período Clássico, eram escritores profissionais de discursos a serem apresentados diante da Assembléia; além do texto em si, muitas vezes forneciam também aconselhamento legal a seus clientes. Esses logógrafos nada têm a ver com os antigos cronistas e memorialistas que precederam os historiógrafos Heródoto e Tucídides e que são igualmente chamados de "logógrafos".
0088A rigor, o neoclassicismo foi um estilo artístico que se desenvolveu na Europa entre 1750 e 1900, aproximadamente, em reação à aristocrática frivolidade do Rococó. Baseava-se em motivos e modelos da Grécia Antiga e de Roma e foi muito influenciado pelos achados das primeiras escavações em Pompéia e Herculano e pelas teorias do erudito alemão Johann Joachim Winckelmann (1717/1768). A arte neoclássica teve grande influência na Arte Acadêmica do século XIX. [cf. E. Kren e D. Marx, Web Gallery of Art]
0089O vinho, segundo o Pseudo-Apolodoro, só se tornou conhecido dos homens na época de Eneu, rei da Etólia. Conta-se que um cabreiro do rei seguiu um bode que vivia se afastando do rebanho e parecia estar sempre saciado e viu-o devorando o fruto da vinha, planta até então desconhecida. Eneu, orientado por Dioniso, usou as uvas para fazer o vinho e descobriu as propriedades embriagadoras da bebida. Consta que, ao se misturar água ao vinho pela primeira vez, foi utilizada a água do deus-rio Aqueloo.
0090O Bhagavad-Gîtâ, "Canto do Senhor", é apenas um dos episódios do Mahâbhârata, poema épico indiano muito mais extenso. Em sua forma atual o texto data, aproximadamente, dos séculos -V/-I. O assunto da epopéia é a luta fratricida entre os kurus e os pandavas, dois importantes clãs guerreiros aparentados, que acabou envolvendo todos os guerreiros indianos. O deus Krishna tem papel importante no desenrolar da história, assim como um dos guerreiros pandavas, Arjuna. No Bhagavad, Arjuna se prepara para conduzir suas forças à batalha, mas hesita, sabendo que terá de enfrentar e matar seus próprios parentes. A fala de Krishna, encarnado como condutor de seu carro de guerra, compõe o episódio. Mais informações em A história do Bhagavad Gîtâ e em Bhaghavad Gita, epic Indian poem.
0091Outra versão da lenda de Auge e Télefo: o rei Aleu, furioso, encerrou a filha e o neto em uma caixa e lançou-a no mar — igualzinho à lenda de Acrísio, Dânae e Perseu... Os passageiros conseguiram atravessar todo o mar Egeu e acabaram atingindo a Mísia e foram acolhidos pelo rei Teutras.
0092No tempo de Aristófanes, a justiça ateniense estava na mão dos heliastas, simples cidadãos com mais de 30 anos, escolhidos todos os anos por sorteio, que atuavam a um só tempo como juízes e jurados. Péricles (-495/-429) havia instituído uma espécie de "jeton" pelo exercício dessa função e, mais tarde, na época de Cleon (fl. -430/-422), o valor foi triplicado. Com isso, muitos cidadãos pobres começaram a fazer do sistema seu meio subsistência e se tornaram massa de manobra dos políticos populistas e dos demagogos.
0093A palavra stoá (gr. στοά) se refere a uma longa colunata aberta, às vezes com uma parede em um dos lados e/ou um telhado, situada geralmente em santuários ou mercados para abrigar do sol, da chuva e do vento. Além de lugar informal para encontros, servia também para ponto comercial e reuniões de diversos tipos. Em Atenas eram especialmente famosos a "stoá do rei" (gr. στοά βασιλέως) e a "stoá pintada" (gr. στοά ποικίλη). Na primeira, assentava-se o arconte-rei; na segunda, famosa por causa das pinturas de Polignoto que representavam a destruição de Tróia, a luta dos atenienses contra as amazonas e a batalha de Maratona, se reuniam o filósofo estóico Zênon e seus discípulos. Veja também: The Painted Stoa.
0094Silogismo é uma dedução formal tal que, postas duas proposições, chamadas premissas, delas se tira uma terceira, nelas logicamente implicada, chamada conclusão. [cf. DICIONÁRIO AURÉLIO BÁSICO DA LÍNGUA PORTUGUESA, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, p. 600, 1994-1995]
0095Há evidências de planejamento urbano nas cidades de Ur, Mesopotâmia (fim do III milênio a.C.), Mohenjo-Daro, Índia (-2150/-1864) e Tell el Amarna, Egito (-1356), entre outras.
0096Dédalo (gr. Δαίδαλος, "trabalhador habilidoso") foi um legendário arquiteto, escultor e inventor de origem ateniense. Na Antigüidade, atribuía-se a ele as mais antigas obras de arte arcaicas e ainda um certo número de obras míticas como o Labirinto de Creta. Segundo uma tradição conservada por Platão, as estátuas esculpidas por ele eram tão semelhantes aos seres vivos que seus olhos se moviam e eram capazes de andar.
0097"Meteco": denominação dada a estrangeiros que podiam viver em outra pólis, desde que um cidadão se tornasse seu fiador. O estatuto legal dos metecos era inferior ao dos cidadãos, embora fossem sujeitos ao pagamento de uma taxa especial (o metoikion) e a outras obrigações cívicas, como por exemplo a liturgia (patrocínio de atividades públicas não custeadas pelo Estado). Em Atenas, os metecos participavam ativamente do comércio, podiam servir no exército ou na marinha, mas não podiam falar na Assembléia, nem se casar com cidadãos, nem adquirir propriedades sem permissão especial. [cf. Penguin Dictionary of Ancient History]
0098O eixo da Terra é inclinado em relação a uma perpendicular ao plano da eclíptica em 23.45°. Essa inclinação é a causa das quatro estações do ano: primavera, veraão, outono e inverno. Como o eixo é inclinado, diferentes partes do globo terrestre se voltam para o Sol em diferentes momentos do ano. O verão é mais quente do que o inverno em cada hemisfério porque os raios solares atingem a terra, no verão, em ângulo mais direto do que no inverno, e também porque os dias de verão são mais longos. As estações do ano não são produzidas pelas diferentes distâncias entre a Terra e o Sol ao longo do ano, pois essas diferenças são extremamente pequenas. O plano da eclíptica é um plano determinado pela forma achatada do sistema solar. A eclíptica é o plano da órbita da Terra (e da maioria dos outros planetas) em relação ao sol. Durante o ano o sol traça, ao longo da eclíptica, um caminho aparente no céu. [cf. Enchanted Learning / The Earth]
0099Solstício é o momento em que o sol está mais afastado do Equador (no verão, 22 ou 23 de junho).
0100Zênite é o ponto mais elevado da abóbada celeste que se pode atingir em linha vertical a partir de um local na superfície da terra.

 
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30.01.2004
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Data da consulta: 11.05.2008
 
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