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Italo Calvino
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 Um ensaio de Italo Calvino
ste ensaio de Italo Calvino (1923/1985) foi escrito em 1981 e nele o autor percorre, com brilho e acuidade invejáveis, as diversas motivações para a leitura dos textos clássicos. Não reproduzo o texto na íntegra por respeito aos detentores dos direitos autorais; vou apenas enumerar os quatorze conceitos de livros clássicos arroladas por Calvino, que já dizem muita coisa...
"Por que ler os clássicos"
- Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo..." e nunca "Estou lendo...".
- Dizem-se clássicos aqueles livros que constituem uma riqueza para quem os tenha lido e amado; mas constituem uma riqueza não menor para quem se reserva a sorte de lê-los pela primeira vez nas melhores condições para apreciá-los.
- Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual.
- Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.
- Toda primeira leitura de um clássico é na realidade uma releitura.
- Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.
- Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes).
- Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe.
- Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.
- Chama-se de clássico um livro que se configura como equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs.
- O "seu" clássico é aquele que não pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a você próprio em relação e talvez em contraste com ele.
- Um clássico é um livro que vem antes de outros clássicos; mas quem leu antes os outros e depois lê aquele, reconhece logo o seu lugar na genealogia.
- É clássico aquilo que tende a relegar as atualidades à posição de barulho de fundo, mas ao mesmo tempo não pode prescindir desse barulho de fundo.
- É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível.
Referências
CALVINO, I. Por que ler os clássicos? São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
O´SAGAE, Peter. Italo Calvino. Página consultada em agosto de 2002 [desativada].
THE ITALO CALVINO HOME PAGE. Página consultada em agosto de 2002 [desativada].
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SCHOLIA
CONSPECTUS
opinião de I.C. sobre os clássicos
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