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Narciso, Eros e Psiquê
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 Narciso, Eros e Psiquê
versão mais famosa da lenda de Narciso é a do poeta romano Ovídio (-43/17); o mito de Eros e Psiquê é uma espécie de conto de fadas transmitido pelo novelista romano Apuleio (séc. II).
Eco e Narciso
Eco, uma ninfa dos bosques e das fontes, era de uma tagarelice irrefreável. Ia sempre ao Olimpo, a pedido de Zeus, para distrair Hera com sua conversa enquanto o rei dos deuses e dos homens dava suas voltinhas entre os mortais (ou melhor, entre as mortais). Hera, porém, acabou descobrindo o ardil e puniu a pobre ninfa tirando-lhe o dom da fala e condenando-a a repetir apenas as palavras que ouvia dos outros.
Narciso, filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope, era um moço de grande beleza, porém insensível ao amor. Muitas jovens e diversas ninfas se apaixonaram por ele, mas não tiveram nenhum sucesso. A ninfa Eco, com alguma dificuldade, declarou-lhe também seu amor e ficou tão desesperada ao ser repelida que começou a definhar: o belo corpo desapareu e por fim restou apenas a sua voz.
As demais ninfas, revoltadas, clamaram por vingança e foram atendidas por Nêmesis. Certo dia, durante uma caçada, Narciso se debruçou sobre a fonte de Téspias, perto do Monte Hélicon; ao contemplar a superfície da água apaixonou-se pelo que viu, isto é, por seu próprio reflexo. Indiferente a tudo, o moço não mais saiu dali e nem mesmo conseguia tirar os olhos de sua imagem. Acabou morrendo de inanição e, no local de sua morte, brotou a flor chamada narciso.
Psiquê e Eros
"Havia em certa cidade um rei e uma rainha; eles tinham três filhas de notável beleza" (Apuleio 4, 28). A mais jovem, Psiquê, era tão formosa que o povo da cidade e até os estrangeiros adoravam-na mais do que a própria Afrodite; adoravam-na, mas ninguém a pedia em casamento.
A deusa Afrodite, ao ver seus templos e santuários se esvaziarem, decidiu vingar-se e encarregou seu filho Eros de fazer Psiquê se apaixonar "pelo mais abjeto dos homens". O rei, pouco depois, foi informado pelo oráculo de Apolo que a filha estava destinada a desposar um "monstro cruel como uma serpente, que voa pelos ares e não poupa ninguém" e que tinha de abandoná-la no alto de um rochedo.
Entristecido, o rei obedeceu ao comando divino; ninguém viu Zéfiro, o suave vento oeste, levar a jovem até um suntuoso palácio de ouro, marfim e pedras preciosas onde serviçais invisíveis atendiam seus menores desejos. À noite, em meio à total escuridão que não permitia enxergar nada, foi consumado o casamento de Psiquê com o impiedoso monstro da profecia o próprio Eros, que se apaixonara por ela...
Embora nunca visse o marido e nem mesmo soubesse seu nome, Psiquê viveu feliz por muito tempo. Acabou, porém, sentindo saudades da família; implorou ao marido permissão para revê-la e o deus consentiu, a contragosto. Avisou-a, porém, várias vezes, para jamais revelar nada a ninguém e que nunca tentasse ver-lhe o rosto, sob pena de perder o marido para sempre.
Mas, enciumadas pela evidente felicidade de Psiquê e impressionadas pelos ricos presentes que ela lhes trouxera, as duas irmãs mais velhas convenceram-na a contar tudo e incutiram-lhe a idéia de que somente um monstro horrendo evitaria mostrar o rosto à própria esposa. À noite, já de volta, Psiquê esperou o marido adormecer e acendeu um candeeiro; sua mão, porém, tremeu ao reconhecer o deus e uma gota de óleo fervente caiu sobre ele, acordando-o. Ao se ver descoberto, Eros ergueu vôo e disse à esposa que ela nunca mais o veria.
Fora de si, Psiquê primeiro tentou se afogar, mas o rio jogou-a de volta à margem; depois, desesperada, começou a andar de cidade em cidade, à procura do marido. Encontrou várias divindades em sua peregrinação (Pã, Deméter, Hera) e, por fim, chegou ao palácio de Afrodite. A deusa, ainda enciumada e enraivecida (havia sido enganada pelo próprio filho), humilhou-a e tratou-a pior que a última de suas escravas. Encarregou-a, ainda, de quatro tarefas impossíveis (na última, tinha até de visitar o Hades), mas as próprias forças da natureza ajudaram Psiquê a cumprí-las.
Eros, enquanto isso, conseguira obter o inestimável auxílio de Zeus. O pai dos deuses interferiu na questão com divina simplicidade: transformou Psiquê em deusa e avisou todos os deuses que aprovava o casamento dela com Eros. Assim, finalmente, tudo se resolveu: os dois amantes ficaram unidos por toda a eternidade e Afrodite voltou a receber as devidas homenagens.
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