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Nove anos de luta
 
Nove anos de luta
 
m Áulis, no início da primeira expedição, o adivinho Calcas havia predito que Tróia resistiria aos gregos durante nove anos e que somente no décimo ano de campanha seria possível conquistá-la; mas, apesar da longa campanha, são bem poucos os episódios dos primeiros anos de guerra conservados pelos mitógrafos.

Primeiros combates

As dificuldades dos gregos começaram antes mesmo de atingirem Tróia. Quando os navios passaram pela ilha de Lemnos, Filoctetes foi picado na perna por uma serpente, durante um sacrifício. Logo se formou uma ferida putrefata que, de tão dolorosa, obrigava Filoctetes a gritar alta e incessantemente, incomodando a todos. Os átridas decidiram, por isso, abandoná-lo na ilha e continuar a viagem.

De Tênedo, ilhota próxima da costa troiana, uma segunda embaixada enviada aos troianos não fou bem sucedida e o exército grego então se preparou para desembarcar e atacar. O primeiro herói grego a colocar os pés em terra, Protesilau, foi morto por uma lança troiana, arremessada por Heitor, filho de Príamo e o principal defensor da cidade. Consta que o jovem Protesilau, recém-casado, deixara a jovem esposa em plena lua-de-mel para se juntar ao exército helênico... O primeiro a atacar os gregos foi um dos filhos de Posídon, Cicno, aliado dos troianos, morto facilmente por Aquiles. Com isso, recuaram os troianos para dentro dos muros de sua cidade, erguidos por Apolo e por Posídon, e para trás das resistentes Portas Céias.

Os gregos acamparam na praia, entre a fortaleza e os navios ancorados, e estabeleceram o cerco. Nem os gregos conseguiam entrar, nem podiam os troianos sair para o continente, embora lhes fosse ainda possível contatar os aliados pelo mar.

As mulheres troianas, porém, saíam ocasionalmente para pegar água em uma fonte próxima das Portas Céias, perto do templo de Apolo Timbreu. Certa vez, Aquiles conseguiu se esconder por ali e emboscou dois filhos de Príamo, Polixena e Troilos. Os jovens fugiram para a cidade mas Troilos, um rapazote, embora a cavalo, foi alcançado por Aquiles, a quem Homero chamava muito apropriadamente de Aquiles "de pés rápidos" (Il. 1.84, por exemplo). Aquiles levou imediatamente o rapaz para o templo de Apolo e, antes que os troianos conseguissem mandar socorro, sacrificou-o em cima do altar. Versões tardias do mito tentaram atenuar esse ato selvagem vinculando sua necessidade a um oráculo: caso Troilos completasse vinte anos de idade, a cidade de Tróia seria inconquistável.

Do primeiro ao nono ano

Os nove anos seguintes se passaram entre assaltos sistemáticos dos gregos à cidadela, sempre infrutíferos, e ataques a ilhas e cidades vizinhas, aliadas dos troianos, em busca de mantimentos e de pilhagem.

Dentre os guerreiros era Aquiles quem mais se sobressaía e, numa dessas escaramuças, roubou o gado do troiano Enéias do alto do Monte Ida; em outra, prendeu Licáon, um dos filhos de Príamo, e devolveu-o à família mediante apreciável resgate. Muitos episódios são mal conhecidos, como por exemplo aquele em que Pátroclo, o amigo de Aquiles, foi ferido. Muitas cidades foram conquistadas, como Lirnessos, Pédasos, Lesbos e Tebas, cidade da Mísia onde reinava o pai de Andrômaca, esposa de Heitor. A mãe de Andrômaca, aprisionada na ocasião por Aquiles, foi também libertada em troca de resgate.

Durante as incursões do fim do nono ano, os gregos puseram as mãos em riquíssimo saque e em duas belíssimas mulheres, cuja posse desencadeou eventos que culminariam diretamente na queda de Tróia: Briseida e Criseida. Na divisão dos despojos, a formosa Briseida, de Lirnessos, foi dada a Aquiles, em reconhecimento pela sua capacidade guerreira; Criseida, igualmente muito bela, foi dada a Agamêmnon, pois a ele cabiam as honras devidas ao chefe da expedição.

Iconografia

O tema mais popular dessa parte do Ciclo Troiano entre os artistas gregos foi, sem dúvida, o episódio da emboscada e morte de Troilos.

 
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Data da consulta: 09.05.2008
 
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