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O jovem Héracles
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 O jovem Héracles
lcmena estava casada com Anfitrião, seu primo, filho de Alceu, rei de Tirinto, por sua vez um dos filhos de Perseu e Andrômeda. Certo dia, quando viviam em Tebas, na Beócia, Anfitrião partiu para longe em uma expedição guerreira. Voltou sozinho para a esposa alguns dias depois e, estranhamente, a noite que se seguiu durou três vezes mais que o normal. Tratava-se, na realidade, de Zeus, que se apaixonara por sua bisneta (pois também era pai de Perseu) e assumira a forma do marido dela.
Algum tempo depois, o verdadeiro marido regressou e foi recebido por uma esposa que jurava ter concebido um filho dele. Furioso, estava já a ponto de queimá-la em uma fogueira, quando o adivinho Tirésias revelou o artifício de Zeus. Anfitrião acabou perdoando a esposa, embora no fundo ainda desconfiasse bastante daquela história. Alcmena deu à luz dois meninos, Alcides e Íficles; um deles havia sido concebido por Zeus, o outro por Anfitrião.
Hera, a esposa de Zeus, perseguia incansavelmente as amantes e filhos ilegítimos do marido e, quando Alcides e Íficles tinham apenas alguns meses de idade, enviou duas serpentes para matar o filho de Zeus. As serpentes entraram durante a noite no berço dos gêmeos e, a um grito aterrorizado de Íficles, Alcmena e Anfitrião acorreram imediatamente. Encontraram, assustados, uma cena insólita: o pequeno Alcides estrangulava, com toda a calma, uma serpente em cada mãozinha...
Anfitrião, convencido agora da origem divina do menino, providenciou-lhe a refinadíssima educação da época: condução de carros de guerra, luta, armas, música e canto. Alcides ia muito bem em todas as matérias, com exceção da música. Durante um dos acessos de cólera que o fariam famoso no futuro, Alcides matou o professor, Lino, com sua própria lira. Anfitrião, preocupado com o pavio curto do poderoso filho adotivo, encarregou-o da guarda de seus rebanhos e mandou-o para os campos.
Aos dezoito anos o jovem Alcides matou, com as próprias mãos, o feroz Leão de Cíteron, que devastava as terras de Anfitrião e de um rei vizinho. Ao regressar a Tebas, desentendeu-se com os enviados de Ergino, rei dos mínios de Orcômenos (Beócia), que para lá se dirigiam afim de recolher um tributo devido pelos tebanos. Consta que Alcides cortou-lhes o nariz e as orelhas e mandou-os levar a Orcômenos esse "tributo".
Ergino não entendeu ou não apreciou a brincadeira e declarou guerra a Tebas. Os tebanos venceram, com a decisiva ajuda de Héracles, porém a vitória custou a vida de Anfitrião, que morreu durante a luta. Creonte, rei de Tebas, deu a Alcides sua filha Mégara, com quem ele teve vários filhos.
Iconografia
Diversos episódios dessa fase foram ilustrados pela iconografia grega. Dentre os vasos do século -IV, encontrados na Itália meridional, uma cena inspirada por uma farsa fliácica representa a sedução de Alcmena por Zeus (fig. 083); uma tragédia perdida de Eurípides, Alcmena, é provavelmente a fonte de cenas de vasos italiotas que mostram Alcmena sentada na fogueira (fig. 576).
Outras cenas comuns em vasos e também em moedas são as que mostram o recém-nascido Alcides matando as serpentes enviadas por Hera (a fig. 080 mostra uma versão romana do episódio). A única cena da "educação" de Héracles é a que mostra, em alguns poucos vasos, o jovem enraivecido matando Lino, seu professor de música (fig. 246).
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