
navigatio
E.Med. 446-91 nexus
|
Eurípides :: Medéia 446-91
Data: -431. Medéia, diante de Jasão,
A cólera de Medéia
JASÃO
Não agora primeiro vi, mas muitas vezes,
MEDÉIA
que áspero ardor é incombatível mal. Quando podias habitar esta terra e palácio, levando leve as vontades dos mais poderosos, serás expulsa do país por palavras infelizes. A mim não me importas, não cesses nunca de dizer que Jasão é o pior dos homens, mas quanto ao dito por ti dos tiranos, crê que só te lucra a pena do exílio. Eu extinguia ardores de furiosos reis e queria também a tua permanência, mas tu não folga loucuras, sempre a dizer mal dos tiranos, serás banida do país. Contudo, sem renunciar aos amigos por isso, venho e cuido do teu interesse, ó mulher: que não te expulsem indigente com os filhos, nem carente de nada. O exílio arrasta muitos males consigo. Ainda que tu me odeies, eu não poderia jamais querer-te mal.
Ó pior perverso, posso este máximo mal
dizer-te com a língua por desombridade. Vieste ante nós, vieste tu o mais odioso [aos Deuses, a mim e a todo o gênero humano]? Não é audácia isto, nem bravura, fazer mal a amigos e olhar de frente, mas a pior dentre todas as doenças humanas, a impudência. Bem fizeste ao vires eu aliviarei a alma a maldizer-te e assim tu te magoarás, se ouvires. Primeiro dos primeiros principio a dizer. Salvei-te, como sabem quantos gregos embarcaram no mesmo barco Argo, a ti, enviado para dominar com laços touros ignívomos e semear lavoura mortífera. Matei a víbora que envolvia o velo de ouro e que insone guardava-o nos muitos anéis e assim te ofereci a luz salvífica. Traidora de meu pai e de meu palácio cheguei à Iolco do monte Pélion contigo, mais por paixão que por saber. Pélias matei como mais dói ser morto: pelas filhas dele, todo o palácio destruí. Assim tratado por nós, ó pior dos homens, traíste-nos e contrairás novas núpcias, depois dos filhos. Se fosses sem filho ainda, seria compreensível tua paixão por núpcias. Das juras a fé se foi, nem posso perceber se crês que Deuses enfim não valem mais, ou novas leis vigem entre homens agora, já que és consciente de que me és perjuro. Pheû! Destra que muitas vezes apertaste, e por estes joelhos quão em vão fomos tocadas por homem vil e frustramos esperanças.
[ E.Med. 446-491 ]
ReferênciaTORRANO, JAA. Eurípides / Medéia. São Paulo: HUCITEC, 1991. | SCHOLIA
|
|
Data da consulta: 16.05.2008 |