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TITVLVS
Novum Testamentum
 
O Novo Testamento
cristianismo, movimento religioso originado na Judéia dominada por Roma, se espalhou a partir da segunda metade do século I pelas comunidades helenizadas do Oriente romano. Os primeiros autores cristãos, para difundir sua fé, se valeram da língua mais falada na região: o grego.

Primeiros escritos

Até a metade do século II, mais ou menos, as obras mais importantes da literatura cristã eram o Novo Testamento, as Epístolas de Santo Inácio (35/107) e o livro O Pastor, de Hermas (c. 140). Nenhum desses textos foi criado com pretensões literárias; todos eles, escritos pelos mais antigos apóstolos da Igreja, são obras de circunstância destinadas à catequese e à liturgia nas comunidades cristãs primitivas.

De longe, a obra mais importante dessa fase é o Novo Testamento — "NT" —, coletânea de 27 livros sobre a vida e a obra de Jesus Cristo (-7/30) e dos primeiros apóstolos. Os textos podem ser classificados em didáticos (os 21 livros de Epístolas), históricos (os 4 Evangelhos e Atos dos Apóstolos) e profético (o Apocalipse).

O NT contém apenas uma fração da produção literária das primeiras comunidades cristãs. Vários textos não canônicos (não "oficiais") sobre a vida e a obra de Jesus, escritos a partir do século II, fazem parte de uma coleção conhecida por "Apócrifos do NT", cuja autoridade não é reconhecida pela Igreja Cristã moderna.

A ordem tradicional dos livros no NT nada tem a ver com a cronologia: os mais antigos são os que contêm as cartas atribuídas a São Paulo (10-67), escritas entre 50 e 65, e o mais recente é o Apocalipse, datado de 90/95.

Evangelhos sinópticos e Atos
dos Apóstolos

Os evangelhos relatam, basicamente, os fatos conhecidos da vida de Jesus Cristo (-7/30), conservados oralmente durante mais ou menos quarenta anos; não foram escritos diretamente por nenhum dos seus discípulos. O texto é complexo e contém diversos gêneros literários independentes: relatos de milagres, controvérsias (discussões) e 'parábolas' de fundo doutrinário e moral, aparentadas às fábulas.

Os três primeiros (Mateus, Marcos, Lucas) têm grande parte de seus textos em comum e são conhecidos por "sinópticos". Eis o plano geral:

  1. pregação de João Batista e batismo de Jesus;
  2. ministério de Jesus na Galiléia;
  3. viagem de Jesus a Jerusalém;
  4. paixão, morte e ressurreição de Jesus.

O nome dos evangelistas se conservou através de tradição muito posterior à época da composição dos textos. Os autores são, na realidade, muito pouco conhecidos, pois não há informações fidedignas sobre eles. O evangelho de 'Marcos', escrito entre 65 e 70, é o mais antigo dos evangelhos sinópticos e fonte provável dos textos de 'Mateus' e 'Lucas', escritos entre 70 e 90. 'Mateus' e 'Lucas' recorreram também a uma outra fonte, hoje perdida, apelidada de "Q" pelos eruditos.

Segundo a tradição, 'Lucas' era médico e foi companheiro e amigo de São Paulo; o grego do evangelho atribuído a ele é límpido e elegante, bem diferente dos demais. Atribui-se a 'Lucas', também, o livro de Atos dos Apóstolos, composto entre 80 e 90, que relata a propagação da fé cristã entre os pagãos e a expansão da Igreja através da atividade missionária de São Pedro e de São Paulo.

O evangelho de João

O evangelho de João apresenta características distintas dos evangelhos sinópticos: não dá ênfase aos aspectos históricos e sim ao significado dos episódios da vida de Jesus para a fé cristã. Contém ainda um apêndice, escrito posteriormente por outra pessoa, e ainda uma famosa interpolação feita a partir do século IV: o episódio da mulher adúltera. Eis o plano geral:

  1. milagres e obras de Jesus;
  2. ensinamentos para os discípulos;
  3. paixão, morte e ressurreição de Jesus.
As Epístolas

As quatorze cartas atribuídas a São Paulo (10-67) foram escritas entre 50 e 65, provavelmente. Apenas nove ou dez, porém, são realmente de sua autoria. A mais importante de todas é a Epístola aos Romanos, datada de 57/58, que exerceu grande influência na doutrina cristã e também na Filosofia Ocidental.

Paulo é a mais conhecida das figuras históricas do NT. Era um cidadão romano de origem judia que se converteu ao cristianismo por volta de 33; incansável viajante, desenvolveu intensa atividade missionária e foi um dos grandes responsáveis pela difusão da fé cristã nos primeiros tempos. Preso pelos romanos e mantido no cárcere em Éfeso (56/57), Cesaréia (58/60) e Roma (61/63), foi finalmente executado nessa última cidade por volta de 65.

As sete epístolas não-paulinas são conhecidas como "católicas" (ou "universais"). Embora atribuídas a 'Tiago', 'Pedro', 'João' e 'Judas', a autoria é muito controvertida. Na prática, pode-se dizer que são de autoria desconhecida.

O Apocalipse

Esse famoso livro, típico da literatura profética dos judeus dos séculos -II/-I e do cristianismo primitivo, tem vários pontos em comum com o Antigo Testamento e é tradicionalmente atribuído ao autor do evangelho de João. Não é possível, no entanto, que os dois textos tenham sido escritos pelo mesmo homem.

O texto tem a forma de uma carta dirigida às igrejas da Ásia e contém a descrição de visões e profecias. De forma altamente simbólica, descreve o fim dos tempos, o julgamento final dos homens e das nações (Juízo Final), a volta de Jesus e seu triunfo definitivo sobre os poderes do mal.

A despeito do fundo eminentemente religioso, a exploração de temas maravilhosos como os combates entre "deuses" (anjos, arcanjos) e monstros fantásticos situa essa obra mais apropriadamente no universo puramente mítico da literatura fantástica.


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livros recomendados
  • 'Novo Testamento', trad. Mateus Hoeper, in Bíblia Sagrada. Petrópolis: Vozes / Santuário, p. 1175-470, 1982.
  • L. Ramos, Fragmentos dos Evangelhos Apócrifos. Petrópolis: Vozes, 1989.
 
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15.07.2000
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Data da consulta: 11.10.2008
 
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