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LITTERAE
Demóstenes A favor de Fórmion A favor dos ródios Contra Mídias Da embaixada Das questões da Quersoneso Oração da Coroaapud Pseudo- -Demosthenem: Contra Neeraaltera NOMEN
Δημοσθένης
Demosthenes Orator
SIGLA CLASSICA
[D.]
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 Demóstenes
Na minha opinião, aquele que recebe um benefício deve recordá-lo a vida toda, e quem o praticou deve esquecê-lo de imediato.
D.Prooem. 18, 269
ateniense Demóstenes (gr. Δημοσθένης) foi o maior orador da Antigüidade e, possivelmente, também dos tempos modernos. Suas obras são ainda importante referência e modelo para todos os que se dedicam seriamente a discursar diante de algum tipo de público.
Biografia
Nasceu em Atenas por volta de -384. A família era abastada mas, depois de perder o pai aos sete anos, Demóstenes teve os bens dilapidados pelos tutores. Estudou oratória, possivelmente com Iseu, e tentou recuperar a fortuna processando os antigos tutores. Logo se tornou um bem sucedido logógrafo, escritor profissional de discursos, e teve alguns dos mais ricos atenienses como clientes. Começou a tratar de assuntos de interesse público a partir de -354. Seus discursos na Assembléia trataram, principalmente, da política externa ateninense e, notadamente, da intromissão de Felipe II da Macedônia nos assuntos internos das cidades gregas.
Exerceu diversos cargos públicos: trierarca, buleuta, administrador dos fundos públicos e muitos outros. Demóstenes participou da embaixada que negociou a paz de Filócrates (-346) e, entre -340 e -338, foi o mais proeminente político de Atenas. Conseguiu unir diversas cidades gregas contra os macedônios mas, após a vitória de Felipe II em Queronéia (-338), batalha em que lutou como soldado, voltou a se dedicar aos assuntos internos da cidade.
Em -336, a despeito da forte oposição de seus inimigos políticos, nomeadamente Ésquines, recebeu uma coroa, em reconhecimento pelos serviços prestados a Atenas. Anos depois, no entanto, foi acusado de corrupção (o "caso Harpalo") e teve de se exilar (-324).
Logo após a morte de Alexandre III (-323), incitou uma revolta contra Antípatro, o regente macedônio (a guerra lamiana). Condenado à morte após a vitória da Macedônia (-322), fugiu para a ilha de Caláuria (perto de Trezena, na Argólida). Cercado pelos soldados que o perseguiam, preferiu suicidar-se.
Obras sobreviventes
Chegaram até nós algumas cartas e cerca de 60 discursos atribuídos a Demóstenes. A partir de -355, alguns dos discursos "políticos" foram publicados, provavelmente pelo próprio Demóstenes.
No Portal:
- A favor de Fórmion
- A III Filípica
- A favor dos ródios
- Contra Mídias
- Da embaixada"
- Das questões da Quersoneso
- Oração da Coroa
- Contra Neera (do Pseudo-Demóstenes)
O primeiros discurso de Demóstenes foi pronunciado contra um dos antigos tutores, na primeira tentativa de recuperar parte de seus bens (Contra Áfobo, -363). Os seguintes, quase todos de autenticidade contestada, foram escritos para serem pronunciados nos tribunais por outras pessoas.
Um dos mais notáveis, seguramente da autoria de Demóstenes, é o A Favor de Fórmion (-350). O Contra Neera, mais ou menos da mesma época e quase certamente apócrifo, contém diversas informações interessantes sobre os costumes atenienses.
As orações relacionadas com a questão macedônica dominam, no entanto, sua atividade posterior. Os mais importantes foram as Filípicas (-351 a -341), as Olínticas (-349) e o Sobre a Embaixada (-343). Dos outros discursos de natureza política, dois dos mais interessantes são o A Favor dos Ródios (-351) e o Contra Mídias (-347), este escrito mas não apresentado.
A Oração da Coroa (-330), pronunciada para defender-se das acusações apresentadas por Ésquines perante a Assembléia, é o mais célebre e pessoal discurso de Demóstenes, sua obra-prima.
Características da obra
Demóstenes dominava com maestria o dialeto ático e todos os recursos retóricos necessários à eloqüência. Seus discursos eram cuidadosamente planejados e desenvolvidos de forma a atingir o efeito desejado, e sempre em linguagem simples e acessível.
Ele sabia temperar a veemência e a paixão com a lógica e a argumentação apropriada; a cólera, a ironia, o sarcasmo, a reprovação eram representadas com enorme destreza. Um de seus artifícios estilísticos, por exemplo, era repetir certas palavras a intervalos regulares para dar o destaque necessário a uma determinada idéia.
Os fatos que apoiavam seus argumentos eram sempre apresentados através de um encadeamento coerente, vigoroso, apaixonado, aparentemente espontâneo, e irresistível... Consta que, no discurso a favor de Fórmion, Demóstenes apresentou seus argumentos com tanta veemência e sinceridade que os jurados, numa atitude inédita até então, se recusaram a ouvir a parte contrária e deram ganho de causa a seu cliente. Dizia Fénelon (1651/1715) que "ele pensava, sentia e a palavra saía" (Humbert, 1961).
Outro notável aspecto de sua imensa obra foi a enorme energia que dedicou, com sinceridade, aos melhores interesses de sua cidade.
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