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Introdução à oratória grega
esmo nos primórdios da cultura grega, falar adequadamente em público (Il. 9.443) e realizar grandes proezas era igualmente importante. Uma das mais antigas imagens da sociedade grega mostra Telêmaco, filho de Odisseu, discursando na Assembléia de Ítaca a fim de se livrar dos pretendentes da mãe, Penélope, e obter uma embarcação para procurar o pai desaparecido (Od. 2.1-145).

Até o século -VI, mais ou menos, a arte de falar em público era vista como dom natural e privilégio de poucas pessoas, em geral pertencentes à aristocracia. Com o fim das tiranias e a instituição das assembléias e conselhos populares nas póleis, porém, o cidadão comum passou a reconhecer a importância de dominar bem a oratória.

Pouco mais tarde, na metade do século -V, a eloqüência era já considerada uma capacidade que podia ser adquirida e desenvolvida através de estudo e treinamento. O primeiro manual sobre a Retórica (a "arte de discursar") de que temos notícia surgiu em Siracusa, na Sicília, em -465; os autores chamavam-se Córax e Tísias. Outros surgiriam nos anos seguintes, mas o mais renomado é ainda a Arte Retórica de Aristóteles (-384/-322).

Com o advento dos sofistas, a oratória recebeu um grande impulso e, poucos anos depois, chegou ao apogeu em Atenas, lugar especialmente propício aos discursos políticos e judiciários, graças à efervescência cultural posterior às Guerras Médicas. O período que vai de -415 a -323 assinala a época áurea da oratória ática; distingue-se uma primeira fase, que vai até mais ou menos -360, e uma segunda, que vai de -360 a -323.

Os eruditos alexandrinos estabeleceram, durante o Período Helenístico, um cânone de dez oradores áticos, cuja obra em grande parte chegou até nós: Antífon (-480/-411), Lísias (-459/-380), Andócides (-440/-390), Isócrates (-436/-338), Iseu (-420/-350), Ésquines (-398/-322), Hipérides (-390/-322), Licurgo (-390/-324), Demóstenes (-384/-322) e Dinarco (-360/-290).

De maneira geral, os discursos mais significantes dos oradores áticos podem ser agrupados em três tipos básicos: judiciário, político e epidítico, este pronunciado em cerimônias fúnebres, comemorativas, etc.

 
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Data da consulta: 13.05.2008
 
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