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LITTERAE
Lisístrata
altera
TITVLVS
ΛΥΣΙΣΤΡΑΤΗ
Lysistrata
SIGLA CLASSICA
[Ar.Lys.]
 
Lisístrata
 
ΥΣΙΣΤΡΑΤΗ — a Lisístrata de Aristófanes — foi apresentada em -411, nos últimos anos da Guerra do Peloponeso. Atenas estava em situação crítica: ainda não se recuperara da desastrosa campanha da Sicília (-413); os lacedemônios (espartanos), acampados a pouco mais de 20 quilômetros, haviam concluído um acordo com o sátrapa persa Tissafernes; e diversos aliados passavam para o lado do inimigo.

A comédia, um ingênuo mas veemente apelo à paz, foi representada pela primeira vez nas Lenéias sob o nome de Calístrato, o ensaiador da peça. Nada sabemos a respeito da premiação obtida.

Hipótese

As mulheres das cidades gregas envolvidas na Guerra do Peloponeso, lideradas pela ateniense Lisístrata, decidem instituir uma greve de sexo até que seus maridos parem a luta e estabeleçam a paz. No fim da peça, graças às mulheres, as duas cidades celebram efetivamente a paz.

Curiosidade: Lisístrata, em grego, quer dizer "a que dissolve / separa exércitos"...

Dramatis personae
LISÍSTRATA, CALONICE, MIRRINA
Mulheres atenienses.
LAMPITO
Mulher espartana.
CORO A
Velhos atenienses.
CORO B
Velhas atenienses.
COMISSÁRIO, PRÍTANE
Representantes da Assembléia ateniense.
CINÉSIAS
Marido de Mirrina.

O filho de Cinésias, um arauto lacedemônio. Participam também diversas outras mulheres atenienses, representantes de Atenas e de Esparta, e vários personagens mudos.

Mise en Scène

O cenário representa duas casas, a de Lisístrata, de um lado, e a de Cleonice, de outro; ao fundo, o Propileu (entrada monumental da acrópole) e a gruta de Pã (Alfonsi, 1966).

Resumo da comédia

Lisístrata é a mais antiga das comédias aristofânicas que chegou até nós sem a parábase; tem 1320 versos e ocupa cerca de 50 páginas da edição de Hall e Geldart (1907), na qual se baseia este resumo. A cena se passa em Atenas, na Ática.

Lisístrata reúne-se com vizinhas e mulheres de diversas cidades gregas, inclusive Esparta. Para acabar com a guerra, propõe uma greve de sexo e a invasão da Acrópole, onde é guardado o tesouro ateniense. Todas concordam, e a Acrópole é tomada (Prólogo, 1-253). O Coro de Velhos tenta expulsar as mulheres da Acrópole com tochas, mas são impedidos pelo Coro de Velhas (Párodo, 254-386).

Um comissário, com o auxílio de soldados, tenta prender Lisístrata e entrar na Acrópole, mas as outras mulheres não permitem (1º Episódio, 387-466). O comissário e Lisístrata discutem. Ela expõe as razões pelas quais acredita que as mulheres são melhores que os homens para resolver conflitos; ele afirma que o lugar das mulheres é dentro de casa (Ágon, 467-607). O comissário, furioso, vai encontrar os seus colegas (2º Episódio, 608-613). Os dois coros trocam desaforos e ameaçam enfrentar-se (1º Canto Coral, 614-705).

Lisístrata explica ao Coro de Velhas os tremendos esforços que tem de fazer para impedir que as mulheres entrincheiradas na acrópole escapem e confraternizem com o "inimigo". Depois de impedir diversas fugas, lê uma profecia que assegura a vitória às mulheres, desde que se mantenham firmes em seu propósito (3º Episódio, 706-780). Os dois coros trocam "delicadezas" novamente (1ª Cena lírica, 781-828).

Cinésias, marido de Mirrina, vem à cidadela tentar convencer a mulher a voltar. Ela finge concordar, provoca-o bastante e foge para a Acrópole, deixando-o literalmente inflamado de desejo. Aparece então um arauto lacedemônio no mesmo estado, e afirma ao Prítane que veio tratar da paz, pois em Esparta e nas demais cidades todos os maridos estão na mesma situação (2ª Cena lírica, 829-1013).

O coro de velhos e o coro de velhas atenienses se entendem e fazem as pazes (2º Canto coral, 1014-1042). Os representantes de Esparta se encontram com os representantes de Atenas; todos estão tremendamente excitados. Lisístrata aparece, e intermedeia o acordo para a paz (3º Canto coral, 1043-1215). Atenienses e espartanos, reconciliados, comemoram o fim da guerra (3ª Cena lírica, 1216-1320).

Manuscritos, edições e traduções

Duas das melhores fontes de Lisístrata são os manuscritos Ravennas 137 4 A, do fim do século X, conservado na Biblioteca Classense de Ravena, e o Parisinus inter Regios 2712, do século XIII, da Biblioteca Nacional de Paris.

Edição princeps: a aldina, de 1498. Dentre as edições modernas, as mais importantes são a de Bekker (1829), a de Dindorf (1867), a de von Velsen (1886), Hall-Geldart (o.c.), utilizada aqui, e a de Coulon (1928). As mais recentes são a de Sommerstein (199O) e de Henderson (1998).

Em português, há traduções da comédia a partir do texto grego efetuadas por Mário da Gama Kury (1964; reedição 1988), Manoel João Gomes (1985) e Ana Maria César Pompeu (1998). O texto de Kury é mais uma adaptação para as representações teatrais modernas do que uma tradução.

Selecta
  1. Lisístrata impaciente
Referências

ALFONSI, M.-J. Lysistrata. In: _______, Aristophane - Théatre Complet. Paris: Garnier-Flammarion, v. 2, p. 109-162, 1966.

HALL, F.W. & GELDART, W.M. Aristophanes Comoediae, v. 2. Oxford: Clarendon Press, 1907.


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livros recomendados
  • DUARTE, A.S. Aristófanes. Duas comédias: 'Lisístrata' e 'Tesmoforiantes'. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
  • POMPEU, A.N.C. Aristófanes. Lisistrata. São Paulo: Cone Sul, 1998.
 
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22.11.2000
Monografia 0352
     
Data da consulta: 16.05.2008
 
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