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LITTERAE
Prometeu Acorrentado
altera
TITVLVS
ΠΡΟΜΗΘΕΥΣ
ΔΕΣΜΩΤΗΣ
Prometheus Vinctus
SIGLA CLASSICA
A. Pr.
 
Prometeu Acorrentado
ΡΟΜΗΘΕΥΣ ΔΕΣΜΩΤΗΣPrometeu Acorrentado é a única tragédia que sobreviveu de uma trilogia que teria, na ordem de apresentação, Prometeu Acorrentado, Prometeu Libertado e Prometeu Portador do Fogo. O nome do drama satírico não é conhecido.

A autoria é ainda contestada e a data de composição é igualmente incerta. Os que defendem a autoria de Ésquilo situam-na pouco antes da Orestia, entre -462 e -459; os demais acreditam que a peça foi composta anos depois da morte do poeta, entre -450 e -425.

Hipótese

Mitos relacionados
• A criação do homem
Zeus e Ió
Zeus, rei dos deuses e dos homens, acabara de assumir o poder após a titanomaquia. Soberano despótico, manda acorrentar em um rochedo Prometeu, seu antigo aliado, culpado de muitos "crimes" a favor dos mortais: roubar o fogo dos deuses para dá-lo aos homens é apenas o mais grave dentre eles.

Prometeu é, porém, guardião de um importante segredo que ameaça o reinado de Zeus. Diante de sua recusa em revelá-lo, é condenado a um castigo ainda mais severo.

Dramatis personae

Todos os personagens são divinos: a tragédia é uma teomaquia, i.e., uma disputa entre os próprios deuses. Há um intenso conflito de personalidade entre Prometeu e Zeus, este ausente do palco.

CRATOS
Filho de Palas; personificação do poder de Zeus.
HEFESTO.
Deus do fogo, dos metais e da metalurgia; filho de Zeus, irmão de Hermes.
PROMETEU
Filho do titã Jápeto, sobrinho de Oceano, primo de Zeus, criador da humanidade e seu grande benfeitor.
CORO
As jovens oceânides, filhas de Oceano e primas de Prometeu.
Oceano
Titã que personificava as águas primitivas que cercam o mundo; tio de Prometeu e pai das oceânides.
Descendente de Oceano, amante de Zeus, antiga sacerdotiza de Hera em Argos e ancestral das famosas danaides.
HERMES
Mensageiro dos deuses, protetor dos viajantes e condutor das almas dos mortos ao Hades; filho de Zeus, irmão de Hefesto.

Figurante: Bias, irmão de Cratos.

Mise en scène

A cena se passa na Cítia, situada por Heródoto a nordeste do Mar Negro. Segundo um antigo comentador da peça, Prometeu havia sido aprisionado por Zeus há mais de 30.000 anos...

O cenário e a encenação original desta peça tem sido fonte de grandes controvérsias, a maioria ainda por resolver: a posição do rochedo onde Prometeu estava acorrentado, o local em que ficava o coro, a carruagem que trazia as oceânides à orquestra, um mecanismo que representava o animal que Oceano cavalgava ao chegar, o uso de um manequim para representar Prometeu na cena inicial...

Acredita-se que o protagonista representava Prometeu e ficava o tempo todo em cena; o deuteragonista representava os demais papéis, com a exceção do de Cratos, que era certamente representado por um terceiro ator, o tritagonista. O Prometeu Acorrentado é a mais antiga tragédia conhecida com a participação de três atores.

Resumo

A tragédia tem 1093 versos, distribuídos em 39 páginas da edição de Mazon (1921), na qual se baseia este resumo.

Por ordem de Zeus, Hefesto prende, contrariado, Prometeu a uma rocha na inóspita Cítia; Cratos supervisiona seu trabalho. Prometeu lamenta-se, mas diz que previu tudo, sabe o que irá acontecer no futuro e que Zeus ainda precisará dele (Prólogo, 1-126). O Coro chega e lamenta a sorte de Prometeu, que volta a dizer que no futuro Zeus dependerá de seu auxílio (Párodo, 127-192).

Prometeu relata ao Corifeu a luta de Zeus contra os titãs, como evitou que a humanidade fosse destruída por ele, e os benefícios que obteve para os mortais. Oceano vem visitá-lo, exorta-o a dirigir-se com humildade a Zeus e diz que tentará interceder em seu favor, mas Prometeu o dissuade (1º Episódio, 193-396).

O Coro lamenta novamente o destino de Prometeu (1º Estásimo, 397-435); ele conta que todas as artes vieram aos homens através dele: a construção de casas e navios, a domesticação de animais, a escrita, os números, os remédios, a adivinhação, etc. (2º Episódio, 436-525). O Coro diz que é perigoso contrariar Zeus, e recorda as núpcias de Prometeu (2º Estásimo, 526-561).

Chega a errante Ió, na forma de uma novilha, perseguida desde Argos pela incessante picada de um inseto enviado pela ciumenta Hera. Ela conta a Prometeu e ao Coro suas desventuras, e Prometeu revela as coisas que irão acontecer-lhe até chegar ao seu destino, o Egito, e que um de seus descendentes o libertará um dia. Ió foge, aguilhoada pela picada do inseto (3º Episódio, 562-886).

O Coro canta que "o bem supremo é a mulher se casar segundo a própria classe", e esperam que Zeus nunca olhe para elas (3º Estásimo, 887-906).

Prometeu revela finalmente ao Corifeu que o filho gerado por Zeus em um casamento próximo o destronará, e que somente ele sabe como impedí-lo. Hermes aparece e interroga-o, mas Prometeu orgulhosamente recusa-se a revelar qualquer coisa. Hermes avisa que Zeus lhe dará novos castigos: um trovão o lançará no fundo da terra e, quando voltar à luz, uma águia virá diariamente comer-lhe o fígado. Prometeu recusa-se novamente, e diz que já ouve o trovão de Zeus aproximar-se (Êxodo, 907-1093).

Manuscritos, edições e traduções

A fonte mais importante dessa tragédia é o manuscrito Laurentianus xxxii, 9 (c. 1000), da Biblioteca Laurenciana de Florença, conhecido por Mediceus.

A edição princeps é a aldina, publicada em Veneza em 1518. As principais edições modernas são a de Dindorf (1870), a de Weil (1891), a de Mazon (1921) — utilizada aqui —, a de Smith (1926) e a de Murray (21955).

Esta é uma das tragédias gregas mais traduzidas para o português. A mais antiga de todas é a de D. Pedro II, versificada pelo Barão de Paranapiacaba (1885); seguiram-na a de Bazílio Telles (1914) e a de Jaime Bruna (1964). As mais recentes são as de Malhadas e Moura Neves (1977), Melro (1984), Torrano (1985), Sotto Mayor (1992) e Vieira (1997).

Selecta
  1. Hermes ameaça Prometeu. O desdém de Prometeu
Referência

P. Mazon, 'Prométhé Enchainé', in _________, Eschyle, v. 1. Paris: Belles Lettres, p. 148-199, 1921.


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livros recomendados
  • BRUNA, J. Ésquilo: Prometeu Acorrentado. In: _______, Teatro Grego. São Paulo: Cultrix, p. 15-42, 1964.
  • MELRO, F. Ésquilo. Prometeu Aguilhoado. Mem Martins: Inquérito, 1984.
  • MALHADAS, D. & MOURA NEVES, M.H. Ésquilo. Prometeu Acorrentado. Araraquara: UNESP / ILCSE, 1977.
  • SOTTO MAYOR, A.P.Q. Ésquilo. Prometeu Agrilhoado. Lisboa: Edições 70, 1992.
  • TORRANO, JAA. Prometeu Prisioneiro. Ésquilo. São Paulo: Roswitha Kempf, 1985.
  • VIEIRA, T. Prometeu Prisioneiro. In: G. ALMEIDA & _______, Três Tragédias Gregas. São Paulo: Perspectiva, p. 133-176, 1997.
 
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14.09.1998
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Data da consulta: 13.05.2008
 
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