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LITTERAE
Os Persas
altera
TITVLVS
ΠΕΡΣΑΙ
Persae
SIGLA CLASSICA
A. Pers.
 
Os Persas
ΕΡΣΑΙOs Persas é a mais antiga tragédia que conhecemos na íntegra; fazia parte da tetralogia apresentada por Ésquilo durante a primavera de -472 e que obteve o primeiro prêmio no concurso. A tetralogia era composta das seguintes peças: Fineu, Os Persas, Glauco de Potnies e Prometeu, o Acendedor do Fogo; a última era, certamente, um drama satírico. Segundo a tradição, o corego designado pelo arconte foi o célebre estadista Péricles (-495/-429), então com apenas dezoito anos.

Com exceção de Os Persas, chegaram a nós somente alguns fragmentos das outras peças da tetralogia. Aparentemente, nenhuma delas tinha qualquer ligação com as demais.

Hipótese

De todas as tragédias gregas sobreviventes, esta é a única cujo enredo se baseia inteiramente em fatos históricos; é, também, a única sem personagens gregos.
Nessa tragédia Ésquilo apresenta o reflexo da vitória ateniense sobre os "bárbaros", obtida durante as "guerras médicas". Descreve, especificamente, os sentimentos dos persas ao receberem a notícia da derrota de seu poderoso exército na batalha naval de Salamina, ocorrida em 29 de setembro de -480.

Dramatis personae
CORO
Os Fiéis, anciãos persas que velam pelo reino na ausência do rei Xerxes.
RAINHA
Atossa, viúva do Rei Darios I e mãe de Xerxes.
ESPECTRO DE DARIO I
Pai de Xerxes, falecido rei da Pérsia.
XERXES
Rei da Pérsia, filho de Dario I e de Atossa.
MENSAGEIRO
Mise en scène

A cena se passa algum tempo depois da batalha de Salamina. O local é a cidade de Susa, capital do Império Persa, diante do palácio em que vivia Atossa e onde se reuniam os Fiéis.

O drama se desenvolve inteiramente em torno da tumba de Dario I, e o cenário era provavelmente a própria tumba. Os atores usavam, seguramente, trajes que recordavam à platéia grega o esplendor oriental, e a rainha e Xerxes entravam na orquestra através de uma falsa carruagem.

Além do coro, dois atores eram suficientes para todos os papéis. O protagonista representava primeiro a rainha e depois, Xerxes; o deuteragonista encarnava o Mensageiro, depois o espectro de Dario e, finalmente, Xerxes.

Resumo

A tragédia tem 1077 versos, distribuídos em 37 páginas da edição de Mazon (1921), na qual se baseia este resumo.

Em Susa os Fiéis aguardam, apreensivos, notícias do enorme exército que o rei persa, Xerxes, levara para a conquista da Grécia, e enumeram os aliados do rei (Párodos, 1-154). Chega a Rainha, inquieta, e relata sonhos preocupantes e maus presságios; é aconselhada a oferecer sacrifícios aos deuses e a invocar a proteção de seu falecido marido, o rei Dario.

Aparece, então, um mensageiro com a notícia de que, embora Xerxes estivesse vivo e bem, o poderoso exército persa havia sido destruído. O coro lamenta-se e, a seguir, o mensageiro dá detalhes da batalha naval de Salamina. Lista também os chefes persas que pereceram, descreve sua morte e a penosa fuga dos sobreviventes por terra (1º Episódio, 155-531).

O coro lamenta a imprudência de Xerxes e as perdas das famílias persas (1º Estásimo, 532-597). A rainha volta com as oferendas aos deuses infernais para possibilitar a evocação do rei Dario (2º Episódio, 598-622); o coro profere os cantos rituais necessários (2º Estásimo, 623-680).

O espectro de Dario aparece. Informado da terrível perda do exército, o antigo rei lamenta a morte de tantos jovens persas. Ao ouvir que Xerxes fizera o enorme exército atravessar o Helesponto sobre uma "ponte" constituída pelos barcos persas, diz ter sido essa desmedida do filho uma das causas do desastre. Aconselha os persas a não mais atacarem a Grécia e prevê, ainda, a derrota em Platéia das forças persas que permaneceram em território grego.

Antes de desaparecer, Dario pede aos anciãos e à rainha que confortem Xerxes (3º Episódio, 681-851). O coro recorda, saudoso, os felizes acontecimentos do reinado do antigo rei (3º Estásimo, 852-907).

Xerxes, com as roupas reais em frangalhos, chega finalmente a Susa e entoa, juntamente com o coro, um longo e pungente lamento (Êxodo, 908-1077).

Manuscritos, edições e traduções

A fonte mais importante da tragédia é o manuscrito Laurentianus xxxii 9 (c. 1000), também conhecido por Mediceus, conservado atualmente na Biblioteca Laurenciana de Florença.

A editio princeps foi preparada por Franciscus Asulanus e editada em Veneza por Aldus Manutius em 1518. As principais edições modernas são a de Dindorf (1870), a de Weil (1891), a de Mazon (1921), a de Smith (1926) e a de Murray (1955, 2ª ed.). Aqui, foi utilizada a edição de Mazon (o.c).

As primeiras traduções para o português são a de Urbano Tavares Rodrigues (1984) e a de Manuel de Oliveira Pulquério (1992), em Portugal, e a de JAA Torrano (2002), no Brasil.

Selecta
  1. Começa a Batalha de Salamina
Referência

P. Mazon, Eschyle, Tome I: Les Suppliantes, Les Perses, Les Sept Contre Thèbes, Prométhé Enchainé. Paris: Belles Lettres, 1921.


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livros recomendados
  • M.O. Pulquério, Ésquilo. Persas. Coimbra: INIC, 1992 (idem Lisboa, Edições 70, 1998).
  • U.T. Rodrigues, Ésquilo. Os Persas. Mem Martins: Inquérito, 1984.
  • JAA Torrano, Ésquilo, Persas. Letras Clássicas, São Paulo, n. 6, p. 197-228, 2002.
 
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21.11.1999
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Página atualizada em 30.05.2007   •   Data da consulta: 13.05.2008
 
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