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Tragédia clássica
LITTERAE
origens o verso trágico mise en scène a tragédia no séc. -IV o drama satírico
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 Introdução à tragédia clássica
Ter inventado a tragédia é um glorioso mérito, e esse mérito pertence aos gregos.
Jacqueline de Romilly, 1998.
tragédia, a mais antiga obra literária representada por atores em espaço especializado, o teatro, é um dos mais importantes gêneros literários legados pela Grécia Antiga. As condições religiosas, sociais e políticas que permitiram a emergência do gênero trágico podem ser situadas na segunda metade do século -VI: a tragédia parece ter se desenvolvido a partir dos cantos corais apresentados nas festas religiosas em honra a Dioniso e atingiu o apogeu em Atenas entre -480 e -400, mais ou menos.
Do século -IV em diante, a tragédia entrou em franco declínio e só iria recuperar parte de seu antigo esplendor dois milênios depois — mas as obras de Shakespeare (1564/1616), de Racine (1639/1699) e de outros autores são, na realidade, formas evoluídas da tragédia. O gênero trágico, em sua forma mais pura, só subsiste na obra dos três grandes poetas atenienses, Ésquilo (-525/-456), Sófocles (-496/-405) e Eurípides (-485/-406). Da maioria dos outros poetas trágicos, sabemos pouco mais do que o nome, o título e/ou o enredo de algumas tragédias.
O drama satírico, a despeito do nome, está mais ligado à tragédia do que à comédia. Bem mais "leve" que a tragédia, o desfecho era geralmente alegre e os principais personagens eram Sileno e os sátiros, todos membros do cortejo de Dioniso. Até o século -IV os dramas satíricos eram representados logo depois das tragédias.
Das oitenta tragédias compostas por Ésquilo restam-nos, desgraçadamente, apenas sete; das cento e vinte de Sófocles, temos igualmente apenas sete; dentre as oitenta obras dramáticas de Eurípides, somente dezessete tragédias e um drama satírico sobreviveram.
Dispomos também de numerosos fragmentos, conservados em pedaços danificados de pergaminhos e papiros e em citações de autores tardios. Graças ao meticuloso trabalho de incontáveis eruditos, foi possível reconstituir parcialmente o enredo de muitas tragédias e dramas satíricos; mas é como ler uma breve e incompleta nota de jornal sobre uma representação trágica, sem nunca vê-la...
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- A. Lesky, A tragédia grega, trad. J. Guinsburg. São Paulo, Perspectiva, 21990.
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