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 Mitologia e religião para iniciantes
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A mitologia é um conjunto de narrativas maravilhosas com personagens sobre-humanos; religião é um sistema de crenças, geralmente míticas, e rituais através dos quais se procura estabelecer um relacionamento com as divindades. Os rituais se caracterizam pela combinação de gestos, palavras e atitudes repetidas em determinadas circunstâncias.

Mitologia

Para os gregos, todas as coisas aparentemente inexplicáveis eram sobrenaturais e decorrentes da ação de divindades que ninguém era capaz de ver ou, então, obra de heróis do passado.

Deuses e deusas comportavam-se como seres humanos: amavam, odiavam, comiam, bebiam, tinham filhos, etc. Eram, porém, imortais, poderosíssimos e muito, muito suscetíveis. Uma simples palavra errada, uma homenagem não efetuada, e a ira divina caía com todo o peso sobre os pobres mortais...

Os deuses mais importantes eram doze e viviam no Olimpo, um monte elevado e constantemente nevado localizado no extremo norte da Grécia. Eram eles: Zeus, senhor do raio e pai dos deuses e dos homens; Hera, a protetora do casamento; Deméter, a deusa da agricultura; Posídon, o senhor dos mares; Afrodite, deusa do amor sensual; Atena, deusa da sabedoria; Ares, deus da guerra; Apolo, deus da adivinhação, da música e da medicina; Ártemis, deusa da caça e protetora da vida selvagem; Hefesto, deus do fogo e dos metais; Hermes, condutor da alma dos mortos e mensageiro dos deuses; Dioniso, deus do vinho e da embriaguez.

Os heróis ou semideuses eram filhos de um deus e de uma mortal (ou vice-versa) e, embora mortais, eram capazes de façanhas sobre-humanas, como por exemplo derrotar certo número de monstros maléficos que haviam ameaçado a humanidade em tempos remotos. O mais popular de todos foi Héracles, que realizou os famosos e perigosíssimos "Doze Trabalhos" para expiar um crime involuntário.

É preciso mencionar também que, em meio às histórias de deuses e heróis, havia muitas narrativas fabulosas e relatos de aventuras maravilhosas, como a Odisséia e a viagem dos Argonautas, e epopéias guerreiras como a Guerra de Tróia.

Não faltavam, assim como em outras tradições míticas, animais fabulosos como a Esfinge, que tinha corpo de leão, cabeça de mulher e devorava quem não decifrava seus enigmas; os centauros, metade homem, metade cavalo; cães de três cabeças, serpentes gigantescas e muitos outros. As sereias, a propósito, embora imaginadas durante a Idade Média com corpo de mulher e cauda de peixe, são de origem grega e na realidade tinham corpo de ave e busto de mulher.

Religião

A religião grega, publicamente, era centrada no culto aos deuses do Olimpo em templos comunitários e altares e aos heróis, geralmente em suas tumbas. Privadamente, cultuava-se os deuses em altares domésticos e também os mortos; participava-se, ainda, dos assim chamados cultos de mistérios.

Pensava-se que os deuses interferiam diretamente nos assuntos humanos e que era necessário aplacá-los através de sacrifícios. A Asclépio, deus da Medicina, por exemplo, era costume sacrificar um galo. Os sacerdotes que auxiliavam os fiéis em suas preces e sacrifícios não constituíam o que hoje chamaríamos de "clero": considerados servos do deus, administravam seus templos e santuários, e na comunidade eram tratados como simples cidadãos.

Era possível, ocasionalmente, conhecer os desígnios dos deuses através da arte divinatória. Os adivinhos interpretavam as mensagens divinas contidas no vôo das aves, no aspecto das entranhas dos animais sacrificados e nos sonhos. Havia também os oráculos, locais sagrados em que um determinado deus respondia às perguntas de seus fiéis através de um intermediário (sacerdote), momentaneamente tomado por um êxtase ou loucura divina. O oráculo mais famoso da Grécia era o de Apolo, localizado na cidade de Delfos.

Festivais religiosos eram celebrados regularmente, para que toda a comunidade pudesse honrar o deus da cidade. As famosas Olimpíadas ou Jogos Olímpicos, por exemplo, eram festivais religiosos celebrados de quatro em quatro anos na cidade de Olímpia, em honra a Zeus. Nos festivais, além das cerimônias religiosas de praxe, havia também concursos de poesia, competições atléticas e corridas de carros.

Veja também
Livros recomendados

Adriane S. Duarte, O nascimento de Zeus e outros Mitos Gregos, São Paulo, Cozac & Naify, 2007.

Referências

Consulte a bibliografia geral da área.

Monografia nº 0299. Criação: 13/01/1998.
Atualizada em 01/08/2007.
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