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AD INCIPIENTES
O 'Diálogo dos Mortos' de Luciano
 
O 'Diálogo dos Mortos' de Luciano
uciano nasceu em Samósata, na Síria, e viveu durante o século II d.C. em diversos lugares do mundo helenístico. O grego não era sua linguagem materna. De sua vasta obra restam-nos mais de 30 diálogos, que muito devem ao mimo e ao diálogo platônico. Com humor mordaz, Luciano satirizava a cultura da época (filosofia, retórica, arte, medicina, etc.) e criticava, especialmente, a ignorância em geral e o escandaloso comportamento dos ricos. No Diálogo dos Mortos, ele relata as cômicas conversas entre defuntos mais ou menos ilustres durante a estada no Hades, o "inferno" grego...

PLUTÃO1
  Sabe aquele velho, aquele bem idoso, — estou falando do Êucrates, aquele rico que não tem filhos mas tem uns cinqüenta mil à caça de sua herança?
HERMES
Sei, você está falando daquele de Sícion. O que tem ele?
Pl. Hermes, deixe-o viver, e aos noventa anos que ele já tem acrescente um outro tanto, se for possível, ou até mais. Mas os seus aduladores, o jovem Carino, o Damon e os demais, arraste-os todos aqui para baixo, um atrás do outro.
He. Uma coisa dessas podia parecer absurda!
Pl. Não! Pelo contrário, é justíssima. O que há com eles que rezam para o velho morrer ou disputam seus bens, se nem são seus parentes? O mais repugnante de tudo é que, enquanto fazem tais rogos, prestam-lhe obséquios, ao menos em público, mas quando ele adoece, tramam à vista de todo mundo, e mesmo assim prometem oferecer vítimas aos deuses, se ele se restabelecer! Em suma, é um tanto versátil a adulação desses homens! Por isso, que seja ele imortal e que eles partam, antes dele, sem nada terem abocanhado.
[ Luc.DMort. 5.1 ]

Tradução: Maria Celeste C. Dezotti

rNota
    1. O deus Hades (ou Plutão) era o soberano do mundo subterrâneo para onde iam as almas dos mortos.
rReferência

DEZOTTI, M.C.C. Luciano. Diálogo dos Mortos. São Paulo: Hucitec, p. 65, 1996.

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17.06.2000
Monografia 0283
     
Data da consulta: 20.08.2008
 
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