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As águas do Léte

c. 1880

Têmpera sobre tela de John Roddam Spencer-Stanhope (1829-1908)

AcervoGaleria de Arte de ManchesterInventário1889.4ImagemArt UKFonteManchester Art GalleryLicençaCC BY-NC-ND 4.0Iluminura1375
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De acordo com Virgílio e Ovídio, Lete o rio do esquecimento, situado no mundo subterrâneo.

Stanhope, seguindo essa popular variante do mito, representou uma procissão de figuras opacas, nos mais diversos estágios da vida e da saúde, finalmente chegando à margem do rio. Várias figuras já estão na água e outros já atingiram a margem oposta.

As almas que conseguiram atravessar estão tranquilas, descansando às margens de um bosque. No fundo e à esquerda, figuras andam e correm, despreocupadas e falantes, em meio à vegetação luxuriante.

Era necessário não só beber a água do Lete, mas atravessá-lo para conseguir chegar aos campos elíseos[1].

Título original: The Waters of Lethe by the Plains of Elysium.

Etapa cultural: Pré-Rafaelita.

Notas
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  1. Após a morte terrena, os deuses enviavam seus escolhidos para as ‘ilhas dos bem-aventurados’ (gr. Μακάρων νῆσοι, Od. 4.561) onde levavam nova vida, perfeita e agradável. O local era vagamente situado no extremo oeste do rio Oceano, metáfora para lugares distantes e inalcançáveis. Na época clássica falava-se dos ‘campos Elíseos’ (gr. sg. Ἠλύσιον πέδιον), prado aprazível e de grande beleza situado igualmente na margem de Oceano; nas versões tardias dos mitos, situava-se o Ἡλύσιον em algum lugar do hades, o mundo subterrâneo dos mortos. É essa, aparentemente, a origem da crença de cristãos e muçulmanos no céu.