Græcia Antiqua
i1045
Constelação Órion a olho nu
2003
 
1045a
Gravura de cobre de Alexander Mair (c. 1562-1617), em Bayer (1603).
 
1045b
Mapa da constelação.
Fotografia do céu noturno.
imagem
T. Credner & S. Kohle
licença

Diversas constelações ou, como se diz na moderna Astronomia, diversas regiões do céu com seus agrupamentos de estrelas podem ser vistas no céu límpido, à noite. A Constelação do Caçador, ou Orion (lat.; gr. Ὠρίων), é particularmente visível no início do verão, na direção do nascente, em torno das 19 horas (hemisfério sul) e nas noites de inverno do hemisfério norte. Veja Orion em uma representação artística (Fig. i1045a) e em um mapa esquemático di céu (Fig. i1045b).

As mais antigas referências a Orion estão nos Textos das Pirâmides, gravados na parede interna de túmulos da 5ª e 6ª Dinastias (c. -2400/-2300). A constelação era associada pelos antigos egípcios ao Faraó Unas (5ª Dinastia, -2375/–2345) e ao deus Osíris, o deus-sol egípcio do renascimento e da vida após a morte. No catálogo de estrelas compilado no século -XII pelos astrônomos babilônicos, conhecido por MULAPIN, a constelação é chamada de MULSIPA.ZI.AN.NA, ‘Leal Pastor do Céu’ ou ‘Fiel Pastor de Anu’[1].

O nome babilônico da constelação é aparentado certamente ao seu nome grego (pastor / caçador), inspirado no gigantesco caçador Órion, personagem da mitologia grega. Não é impossível, consequentemente, que o mito grego tenha se inspirado em histórias ouvidas na Ásia Ocidental durante a Idade das Trevas. A julgar por uma passagem dos poemas homéricos, os navegantes gregos eram capazes de reconhecer várias constelações desde o início do Período Arcaico, pelo menos, e usá-las como referência (Od. 5.271-7):

(...) οὐδέ οἱ ὕπνος ἐπὶ βλεφάροισιν ἔπιπτε
Πληϊάδας τ' ἐσορῶντι καὶ ὀψὲ δύοντα Βοώτην
Ἄρκτον θ', ἣν καὶ ἄμαξαν ἐπίκλησιν καλέουσιν,
ἥ τ' αὐτοῦ στρέφεται καί τ' Ὠρίωνα δοκεύει,
οἴη δ' ἄμμορός ἐστι λοετρῶν Ὠκεανοῖο·
τὴν γὰρ δή μιν ἄνωγε Καλυψώ, δῖα θεάων,
ποντοπορευέμεναι ἐπ' ἀριστερὰ χειρὸς ἔχοντα.
(...) e nem o sono caiu sobre suas pálpebras,
ao contemplar as Plêiades e o Boieiro que ao entardecer desce,
e a Ursa, a que também chamam de 'carruagem',
que gira sobre si mesma, vigia Órion
e é a única que não se banha em Oceano.
Conforme conselho de Calipso, divina entre as deusas,
manteve-a à sua esquerda ao atravessar o mar.

As estrelas δ, ε e ζ Orionis (árabe Mintaka, Alnilan e Alnitak), que ficam mais ou menos no meio do grupamento estelar e formam o “cinturão” do Caçador, são popularmente conhecidas no Brasil por “Três Marias”.

notas
  1. Antiga divindade sumeriana originária de Uruk, adotada pelos acadianos da cultura babilônica. Anu era muito semelhante ao Zeus grego: deus celeste — seu nome, *An, significa ‘céu’ —, senhor das constelações, rei dos deuses, grande juiz dos que cometiam crimes, teve numerosas consortes e era pai de outros deuses.
referências
Johann Bayer, Uranometria: omnium asterismorum continens schemata, nova methodo delineata, aereis laminis expressa, Augsburg, Christophorus Mangus, 1603.
créditos adicionais
i1045bTorsten Bronger, 02/11/2004 (mod.). Fonte: Wikimedia Commons/ CC BY-SA 3.0.

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Ilustração nº 1045
publicada em 31/01/2014.
Licença dos comentários: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Constelação Órion a olho nu. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/img.asp?num=1045. Consulta: 24/03/2017.
 
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