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O rei de Alasiia escreve ao Faraó
 
O rei de Alasiia escreve ao Faraó
 
EMENTA
Trechos de uma das cartas escritas em acadiano por um rei de Chipre (Alasiia) ao faraó egípcio — Amenófis III ou Amenófis IV — em -1386/-1321. O texto, encontrado nos arquivos egípcios descobertos em 1887 em Tel el-Amarna, Egito, foi gravado em uma tabuinha de argila conservada atualmente em Londres, no Museu Britânico.
Fala ao Rei do Egito, meu irmão:
Assim fala o Rei de Alasiia, seu irmão. Tudo vai bem comigo. Minhas casas, minha esposa, meus filhos, meus homens, meus cavalos, minhas carruagens, minhas terras vão bem. E que com meu irmão tudo esteja bem. Que suas casas, sua esposa, seus filhos, seus homens, seus cavalos, suas carruagens, suas terras estejam muito bem. Meu irmão, observe que eu mandei meu mensageiro com seu mensageiro a você, no Egito. Mandei agora 500 talentos de cobre para você; eu mandei a você como um presente para meu irmão. Que o meu irmão não fique aflito que a quantidade de cobre é muito pequena, pois em minha terra a mão de Nergal1, meu senhor, matou todos os homens de minha terra, e assim não há um só trabalhador do cobre. Portanto, que o meu irmão não fique aflito. Mande seu mensageiro junto com meu mensageiro rapidamente e todo o cobre que você deseja eu lhe mandarei, meu irmão. Você é meu irmão; você deve me mandar prata, meu irmão, em grande quantidade. Dê-me a melhor prata, então eu lhe mandarei, meu irmão, tudo o que você, meu irmão, pede. Ademais, meu irmão, o boi que meu mensageiro pediu mande para mim, meu irmão. E que meu irmão mande óleo doce para mim, meu irmão: dois recipientes; mande para mim um especialista em augúrios. Ademais, meu irmão, o povo da minha terra me fala a respeito da madeira que o Rei do Egito recebe de mim. Assim, meu irmão, faça o pagamento a mim. Ademais, um homem de Alasiia morreu no Egito, e suas possessões estão em sua terra, mas seu filho e sua esposa estão comigo. Que meu irmão, portanto, cuide dos negócios do homem de Alasiia, e dê na mão do meu mensageiro, meu irmão (...)
[ EA 35, 1-34 ]

Tradução: Samuel A.B. Mercer
(versão portuguesa de Wilson A. Ribeiro Jr.)

Nota
  1. Divindade babilônica do mundo subterrâneo; atribuía-se a ele a capacidade de provocar doenças.
Referência

K.C. Hanson's Collection of Ancient Documents: Amarna Tablet 35. URL: www.kchanson.com/ANCDOCS. Data: dezembro de 2002.

 
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15.12.2002
Monografia 0454
     
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