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J.Ap. 1.7 e 10-3
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Flávio Josefo :: Contra Ápio 1.7 e 10-3
 
Data: c. 97. Pequeno trecho a respeito dos primeiros historiadores gregos, traduzido por Rubens dos Santos (1986).
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Os primeiros historiadores da Grécia1

7. Para os gregos tudo é novidade. Tudo, para eles, é de ontem ou de anteontem, como alguém já o disse, uma vez que já encontraram tudo pronto: da fundação das cidades e invenções técnicas até os códigos de leis. E, de todas as coisas novas, a mais nova, talvez, para eles, seja escrever história.

10. Já a terra grega sofreu desastres que bastariam para anular-lhe a memória. Assim, sempre que reassentavam suas vidas, presumiam que tudo estava começando por eles. Só muito tarde e com muita dificuldade conheceram as letras. Mas, como querem vangloriar-se de um longo uso delas, atribuem sua tradição aos fenícios e a Cadmo.

11. Mas, daquele tempo, ninguém apresenta qualquer registro, seja nos templos, seja nos anais públicos. Nem com relação aos expedicionários de Tróia souberam diminuir a dificuldade das investigação sobre se sabiam escrever. É mais que provável que ignorassem o uso da escrita.

12. O texto escrito mais antigo dos gregos é o dos poemas de Homero que, é claro, nasceu muito depois da guerra de Tróia. E, mesmo assim, dizem que não deixou os poemas por escrito, mas que foram compilados de memória. Daí, até, as muitas divergências resultantes.

13. Quanto aos demais que, entre eles, empreenderam escrever história, como Cadmo de Mileto, Acusilau de Argos e alguns mais que dizem que houve2, só existiram pouco tempo antes da expedição dos persas contra a Grécia.

[J.Ap. 1.7 e 10-3]

Nota
  1. A numeração usada pelo tradutor, mantida aqui, é ligeiramente diferente da disposição do texto grego original nos manuscritos.
  2. Cadmo de Mileto, o mais antigo dos logógrafos, floresceu c. -550, mas muitos eruditos crêem que se trata de um personagem mítico. De Acusilau de Argos, logógrafo e mitógrafo que floresceu c. -500, sabemos igualmente muito pouco, mas alguns fragmentos de sua obra e várias referências doxográficas chegaram até nossos dias.
Referência

SANTOS, R. Flavius Josephus. Defesa dos Judeus contra Apion e outros caluniadores. Belo Horizonte: Depto. Letras Clássicas da UFMG, p. 26-27, 1986.


 
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