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HISTORIA
u  Idade do Bronze
no Egeu
Bronze Recente
•  parte II
altera
CRONOLOGIA
Heládico Recente
-1550 a -1100

Tróia:
VId-h-1550 a -1300
VIIa-1300 a -1260
VIIb-1260 a -1150

Cipriota Recente
-1550 a -1050

Minóico Recente III
-1400 a -1100

Cicládico Recente (2ª)
-1400 a -1100
 
Bronze Recente - II
hegemonia micênica no Egeu sucedeu a hegemonia minóica por volta de -1400. Assim, encontraremos reflexos de uma ou de outra em Tróia e em Chipre conforme o período considerado. Do Minóico Recente e do Cicládico Recente até -1400 já se falou anteriormente; na presente sinopse serão abordados somente os aspectos mais importantes das culturas minóica e cicládica a partir da hegemonia micênica.

O Heládico Recente
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PRIMÓRDIOS DA CULTURA GREGA
s Os micênios (-1550/-1100)

A cultura micênica, primeira cultura grega de razoável expressividade, desenvolveu-se no fim do Heládico Médio, recebeu grande impulso por volta de -1550 e, a partir de -1400, dada sua influência comercial e cultural, unificou e "uniformizou" culturalmente o Egeu.

O Período micênico, nome pelo qual o Heládico Recente da Grécia Continuental é habitualmente conhecido, será tratado de forma extensiva no tópico "Mínios e Micênios".

Tróia VI e Tróia VII

Em Tróia os níveis do Bronze Recente são Tróia VId-h (-1550/-1300), Tróia VIIa (-1300/-1260) e Tróia VIIb (-1260/-1150).

As imponentes muralhas de Tróia foram reparadas e reconstruídas numerosas vezes durante o Bronze Recente. Na época de Tróia VId-h, além disso, havia uma outra muralha a cerca de 450 metros de distância da primeira. A primeira muralha, a mais interna, circundava os edifícios centrais; a segunda protegia os edifícios de uma "cidade baixa", arranjo freqüente na arquitetura dos centros urbanos do Oriente Médio durante o 3º e o 2º milênio a.C. Nenhuma estrutura palacial, no entanto, foi descoberta em Tróia VI ou em Tróia VII.

As fortificações troianas lembram as muralhas ciclópicas das cidadelas micênicas do continente, mas o método de construção não é o mesmo. As casas se compunham de um grande aposento e outros cômodos menores, e a Casa dos Pilares, a maior delas, tinha cerca de 26 X 12 metros; nenhuma delas, porém, era dotada de um mégaron típico. A uma certa distância, ao sul, foi encontrado um cemitério contemporâneo de Tróia VI-h, constituído por cerca de 200 jarros contendo ossos e cinzas de adultos e de crianças. Tróia VIh foi destruída mais ou menos em -1300 por um grande terremoto, e os sobreviventes começaram imediatamente os reparos e construíram novos edifícios (Tróia VIIa).

Não há nenhuma diferença cultural significativa entre Tróia VI e Tróia VIIa; as novas construções eram, no entanto, menores e mais humildes. Grande quantidade de cerâmica micênica importada foi descoberta nos diversos níveis de Tróia VI e de Tróia VIIa, assim como numerosas imitações manufaturadas no local. Mas, além do hábito de cremar os mortos, nenhuma inferência a respeito dos habitantes é possível.

A mão do homem, acompanhada de violência e de fogo, destruiu Tróia VIIa por volta de -1260. Muitos eruditos, por causa disso, associaram Tróia VIIa à lendária conquista de uma mítica cidade chamada Tróia por uma coalização de reis gregos. As evidências de que a destruição de Tróia relatada por Homero tem fundamento histórico, porém, são absolutamente inconclusivas.

Mais uma vez, a cidadela destruída foi ocupada por uma população culturalmente semelhante à anterior (Tróia VIIb). O novo estabelecimento, porém, foi definitivamente destruído por meio de violência em -1150 (ou pouco depois), desta vez em meio às perturbações que caracterizaram o fim da Idade do Bronze no Egeu.

Chipre / Alasiia

A prosperidade de Chipre continuou dependente da expressiva exportação de cobre e das intensivas trocas comerciais. Até -1450, os principais parceiros comerciais dos cipriotas foram Creta, a Sírio-Palestina e o Egito. Centros urbanos como Citium e Enkomi, importantes pelo seu comércio, pelas fundições de cobre e também pela manufatura de jóias e objetos de metal, floresceram nas costas sul e leste; "as sepulturas dão mostras abundantes de riqueza e luxo" (Finley), com objetos procedentes das mais diversas regiões.

Os egípcios e os asiáticos continuaram a chamar a ilha de Alasiia. O rei de Alasiia era talvez o chefe da cidade de Enkomi, que dominava aparentemente uma parte substancial da ilha e tinha prestígio suficiente para chamar o Faraó egípcio de "meu irmão". A grande quantidade de armas presentes nas sepulturas e os povoados fortificados da ilha indicam, porém, mais do que a existência de um poder político central, poderes regionais de considerável importância. E não é certo que Alasiia tenha sido um protetorado hitita ou egípcio durante o Bronze Recente.

Por volta de -1500 desenvolveu-se em Chipre uma escrita conhecida por cipro-minóica, ainda não decifrada, certamente inspirada na Linear A cretense. A linguagem era provavelmente derivada de uma desconhecida língua originária de Creta e a escrita prestava-se, talvez, ao controle das atividades comerciais.

A partir de -1400 ocorreu um significativo influxo de cerâmica procedente da Grécia Continental, porém não acompanhada de outras características da cultura micênica. É possível, portanto, que os micênios tenham se instalado na ilha em entrepostos comerciais de relativa importância que intermediavam o relacionamento comercial entre Peloponeso, Ásia Menor e Egito. Chipre nunca deixou de ser uma encruzilhada de influências culturais do Egeu, da Sírio-Palestina e do Egito, fato evidente em todas as formas de arte cipriota.

A partir de -1200, início do colapso da cultura micênica, há evidências da instalação de imigrantes vindos do Peloponeso e da difusão cada vez maior da cultura micênica na ilha. Em Palaipafos, por exemplo, foi erigido no final do século -XIII um famoso templo dedicado a Afrodite, mencionado por Homero na Odisséia; em Enkomi, as paredes de um santuário do século -XII são de estilo nitidamente "ciclópico". Parece que refugiados cretenses também se instalaram em Chipre por volta de -1100.

Minóico Recente III

Depois da destruição final do palácio de Cnossos (-1400/-1375), as rotas comerciais e os entrepostos minóicos foram assumidos pelos micênios. A vida continuou, no entanto, e pelo menos dois importantes núcleos micênicos se estabeleceram na ilha de Creta, um em Cnossos e outro em Cânia. Embora os minóicos não mais tivessem influência política e econômica no Egeu, sua cultura nunca deixou de se fazer presente. A arte minóica, apesar de ter submergido significativamente diante do gosto dos novos senhores pelo formalismo artístico e por temas agressivos como a caça e a guerra, permanceu atuante durante todo o domínio micênico.

Creta, aparentemente, foi poupada das devastações generalizadas que caracterizaram o último século do Bronze Recente. Há evidências, porém, de fragmentação política e de acentuação das características regionais na cultura material.

Cicládico Recente (após -1400)

As Cíclades passaram simplesmente da influência minóica para a influência micênica. Os principais núcleos dessa última fase foram a ilha de Melos e a ilha de Ceos.

Em Filacopi, na ilha de Melos, havia uma cidadela com muralhas comparáveis às construções micênicas da Grécia Continental e dois santuários ao lado do palácio (e não dentro, como no continente grego). Em Haghia Irini (Ceos), havia também um santuário com pelo menos um recinto semelhante ao mégaron micênico. Esses sítios arqueológicos parecem indicar que as duas ilhas tiveram uma certa importância regional durante o Cicládico Recente.

Fim do Bronze Recente e
início da Idade do Ferro

Entre -1200 e -1100 as costas do Egeu e da Ásia Menor, assim como o litoral egípcio, foram agitados por povos diversos. Essas turbulências, chamadas tradicionalmente de "invasão dos Povos do Mar" pelos egípcios e de "chegada dos Dórios" pelos gregos, culminaram no desaparecimento da cultura micênica, na dissolução do Império Hitita, no desaparecimento de Alasiia (Enkomi foi abandona por volta de -1075) e na destruição de Tróia VIIb.

Esses e outros acontecimentos ligados ao fim da Idade do Bronze e ao ínicio da Idade do Ferro serão abordados mais detalhadamente em uma das sinopses do próximo tópico, "Mínios e micênios".


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05.01.2003
Monografia 0459
     
Data da consulta: 11.10.2008
 
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