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Bronze Recente
•  parte I
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diversas
altera
CRONOLOGIA
Minóico Recente:
I -1550 a -1450
II -1450 a -1400

Cicládico Recente (1ª)
-1550/-1400
 
Bronze Recente - I
o início do Bronze Recente, a cultura minóica atingiu o máximo esplendor e o ápice da influência entre os povos vizinhos, notadamente as Cíclades. Creta, porém sofreu devastações generalizadas no início do Minóido Recente II (c. -1450) e, pouco depois, começou a influência dos micênios em Creta.

Minóico Recente I-II e Cicládico Recente até -1400

Desde a grande catástrofe de -1700 os palácios de Cnossos, Festos, Mália e Zakros não haviam cessado de receber reparos e sofrer modificações periódicas, possivelmente em decorrência de distúrbios naturais (terremotos, incêndios...) de menor intensidade. O mesmo se deu com as mais importantes casas urbanas ou rurais (Agia Tríada, Tilissos, Nirou Khani, Pirgos, Vathypetro, etc.), algumas das quais eram verdadeiros mini-palácios.

O palácio de Cnossos, que dominava uma vasta planície, continuou a ser o maior e mais imponente de todos. Em -1450/-1400, além das estruturas usuais — pátio central, teatro, templo, alojamentos, salas para armazenagem, arquivos de tabuinhas com a Linear A, sala do trono — era dotado de sofisticados aquedutos de terracota sob o pavimento, capazes de trazer água de uma fonte a 10 quilômetros de distância. Quase todas as paredes eram decoradas com maravilhosos afrescos naturalistas.

Em -1450/-1400 o palácio ocupava uma área de 17.400 m2 e a distribuição das salas havia ficado tão intrincada com os sucessivos acréscimos que se tornou um verdadeiro labirinto. O tamanho e o aspecto da construção podem ter produzido, então, um dos elementos mais notáveis e populares da lenda grega Teseu e o Minotauro.

Gúrnia ilustra bem o aspecto típico de uma cidade provinciana. Por volta de -1550/-1450 as casas eram retangulares e pequenas e muitas continham ferramentas para vários tipos de artesanato; havia também um pequeno templo. As ruas eram estreitas e tortuosas, às vezes ligadas por longas e elevadas escadarias, e confluíam para um "pequeno palácio" situado na parte sudoeste da cidade. Uma rua estreita separava o palácio das casas, "o que implica o estreito relacionamento entre governante e governados" (Pedley, 1998).

A sociedade minóica continuou a ser governada por uma elite dirigente a partir dos grandes palácios e, possivelmente, dos mini-palácios e das "casas de campo" mais imponentes. A escrita Linear A, utilizada provavelmente para fins administrativos como sua sucessora, a Linear B, continuou em uso até -1450.

Lendas gregas relatadas mil anos mais tarde por Heródoto, Tucídides e Baquílides falam de um "Rei Minos" que possuía uma frota poderosa, acabou com os piratas das ilhas egéias e lá instalou seus "filhos"; uma pintura tumular egípcia da época de Tutmés III (-1504/-1450) menciona "os chefes de Keftiu e das ilhas no meio do oceano". Mas, contra essa tradição da talassocracia minóica, a arqueologia confirma, apenas, que a cultura minóica se espalhou pelas ilhas do Egeu e influenciou intensamente as demais culturas da região. Em Filacopi (Melos), Akrotiri (Tera), Agia Irini (Ceos) e Trianda (Rodes) a presença de cretenses era tão preponderante que se fala até em "colônias minóicas".

A cultura cicládica, porém, não submergiu completamente e não é fora de propósito falarmos em Cicládico Recente. Os afrescos de Akrotiri, Agia Irini e Filacopi, por exemplo, não fariam má figura num palácio cretense. Essas obras, no entanto, devem ser vistas mais apropriadamente como pinturas de estilo cicládico e grande influência minóica (a temática dos afrescos de Tera, inclusive, é um pouco diferente dos de Creta). Outra diferença importante: em Creta, como no período anterior, cidades e palácios nunca foram dotados de fortificações; nas Cíclades, porém, os estabelecimentos de Agia Irini e Filacopi eram cercadas de muralhas, sem dúvida uma defesa contra piratas.

Há também evidências de contatos comerciais intensivos entre os cretenses e quase todas as regiões da Grécia Continental, litoral da Ásia Menor (Tróia, Mileto, Iasos, Vathy, Tigani), Chipre, Síria, Palestina e Egito. Eram importadas, principalmente, matéria-primas como cobre, ouro, prata, marfim, madeira, obsidiana, pedras preciosas e semi-preciosas; as exportações consistiam, basicamente, de lã, vasos finos de cerâmica ou metal, jóias e possivelmente azeite.

A queda dos palácios minóicos

Tera, ilha cicládica situada 110 km ao norte de Creta, sofreu um grande terremoto por volta de -1500, seguido duas a três décadas depois de uma violenta erupção vulcânica. A catástrofe encheu o ar de toneladas de cinza vulcânica e deve ter criado um gigantesco maremoto. Resíduos da cinza foram encontrados em locais muito distantes de Tera, como a região leste de Creta, a ilha de Rodes e o interior da Anatólia. Esses acontecimentos evocam de imediato uma famosa passagem de Platão, a do Mito da Atlântida, e podem ter constituído o fundamento histórico da lenda...

Habituados a desastres naturais, os cretenses continuaram vivendo normalmente até -1450, mais ou menos, quando nova e definitiva catástrofe devastou a ilha. Cidades, grandes residências e quase todos os palácios sofreram danos massivos e não foram mais reconstruídos. A causa, sem dúvida, não foi a erupção de Tera, que antecedeu em várias décadas a última destruição dos centros urbanos da ilha. Mas ainda se discute muito a respeito do fim dos palácios cretenses e, principalmente, se a catástrofe final teve causas naturais ou foi obra de invasores.

De qualquer modo, independentemente da razão, em -1450 os micênios se instalaram na ilha e lá ficaram até o fim da Idade do Bronze. Introduziram, naturalmente, a língua grega, a escrita conhecida por Linear B, seus costumes e sua arte. O palácio de Cnossos foi ainda reconstruído para uso dos conquistadores, mas em 1400/-1375 foi novamente destruído e nunca mais restaurado.

A cultura minóica

A arte de Creta atingiu o apogeu entre -1550 e -1450 e, mesmo depois da conquista micênica, manteve algumas de suas características.

Os afrescos minóicos, caracterizados pelo naturalismo, pelo movimento e pela graciosidade, recobriram as paredes dos palácios e casas mais importantes até -1450. Estatuetas de bronze e de terracota e vasos rituais de pedra com relevos esculpidos enchiam templos e santuários; vasos de cerâmica com fundo claro e temas florais (estilo floral), abstratos (estilo padrão) e marinhos (estilo marinho) foram encontrados em Creta e em todo o Egeu; jóias finíssimas, criadas pelos ourives cretenses segundo técnicas usadas desde o Minóico Médio, foram encontrados nos famosos círculos tumulares de Micenas (-1550/-1500).

Selos cretenses de vários formatos esculpidos em metal e em pedras semi-preciosas foram recuperados pelos arqueólogos em grande quantidade. Nos exemplares confeccionados até -1450, predominavam as cenas religiosas, os animais e as acrobacias com touros; durante o domínio micênio eram comuns os arranjos heráldicos, um dos tema favoritos dos conquistadores, mas a técnica empregada era totalmente minóica. "Depois da destruição de Cnossos a arte da gravação em Creta declinou rapidamente" (Higgins, 1981).

Caixões de terracota pintada, às vezes moldados em forma de banheira e comuns em Creta após a conquista micênica, eram ainda decorados, muitas vezes, com temas puramente cretenses. Algumas estatuetas de terracota de -1300/-1200, conhecidas por "deusas do lar", ilustram igualmente uma certa persistência do estilo minóico mesmo durante a fase de domínio micênico.

Uma das mais notáveis características da cultura minóica é a aparente posição de destaque que as mulheres tinham na sociedade. A julgar pela sua representação nas pinturas, desfrutavam de ampla liberdade, podiam maquiar-se e participavam normalmente de festas e rituais públicos, como as danças e o "salto do touro".

Talvez a importância da mulher resultasse do destacado papel das divindades femininas na religião minóica, fato observado já no Minóico Médio. O touro, figura igualmente notável, era presença constante em afrescos, sinetes, estatuetas votivas, vasos de pedra e de metal. Em diversas obras de arte há duas outras imagens importantes na religião minóica: o machado duplo e os "cornos de consagração", estes certamente uma representação estilizada dos chifres do touro. Na falta de registros escritos, infelizmente, não sabemos exatamente qual era seu papel no culto.

Assim como no período anterior, a prática religiosa se dava em pequenos templos nos palácios e casas maiores, em santuários e altares localizados em lugares elevados e nas grutas. Constava, notadamente, do oferecimento de sacrifícios, libações e estatuetas de bronze e terracota com representações de animais. Algumas estatuetas representam os fiéis fazendo suas preces com os dois braços elevados, ou com a mão direita apoiada na cabeça. Uma cena pintada em um sarcófago de Agia Triada e datado de -1400, época do domínio micênico, mostra alguns detalhes de uma cerimônia fúnebre.

A forma mais comum de sepultamento era o túmulo de câmara (tholos), que abrigava habitualmente mais de um defunto. A estrutura consistia basicamente de um corredor de entrada (dromos), um portal (stomion) e uma câmara abobadada (tálamos). Os corpos eram simplesmente depositados no chão ou colocados em pithoi ou caixões de terracota (lárnaces). Cistas escavadas no assoalho dos tholoi eram também comuns.


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26.08.2001
Monografia 0395
     
Data da consulta: 14.05.2008
 
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