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Os mínios
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CRONOLOGIA
Heládico médio:
-2000 a -1550
 
Heládico médio: os mínios
 
qui nestas páginas os primeiros gregos serão chamados convencionalmente de "mínios", em homenagem a Schliemann, o arqueólogo que descobriu seus vestígios em 1881/1882.

A emergência dos gregos

Não há evidências de descontinuidade entre a cultura material dos povos do Heládico Médio e a cultura micênica (-1550/-1100). Como os micênios utilizavam a Linear B para escrever textos em língua grega, a maioria dos arqueólogos considera os mínios, a meu ver com toda razão, os mais remotos ancestrais dos povos helênicos.

É inútil, naturalmente, procurar o parentesco entre as primeiras gerações mínias e monumentos do porte de Ésquilo, Sócrates e Fídias. A bem da verdade os remanescentes encontrados pelos arqueólogos são pobres, muito pouco impressionantes e em geral de qualidade bem inferior aos do Heládico Antigo. "Talvez", disse ironicamente Vermeule, "o esforço de se mudar para a Grécia deixou-os tão exaustos que ficaram convalescendo durante dois séculos".

Também não é nem um pouco verdadeira a imagem romântica dos agressivos invasores indo-europeus nômades que conquistaram o continente grego entre -2200 e -2000 com seus cavalos, carruagens, longas espadas de bronze, cidades fortificadas e a eficiente roda de oleiro. Na realidade, as características "gregas" dos mínios parecem ter resultado de uma simples evolução cultural iniciada no fim do Heládico Antigo após uma boa mistura entre as diversas populações da península balcânica.

Aldeias e muralhas

As povoações mínias ocupavam os mesmos sítios do Heládico Antigo, em geral no alto de colinas que dominavam as planícies próximas do litoral. As casas eram compridas e estreitas, dispostas de forma caótica ao longo de ruas irregulares. Em Lerna foram encontradas pelo menos duas construções especializadas, uma pequena fundição e a casa de um ferreiro.

Até agora não há evidências de construções proeminentes, como por exemplo palácios e templos comunitários. A mais imponente, até o momento, é a cidadela de Malthi, escavada na acrópole que domina a planície do Pamisos (Messênia). A aldeia, situada bem no centro do perímetro, era semelhante a todas as outras, embora de bom tamanho. Malthi e outros sítios como Peristeria e Pilos (Messênia), Kiafa Thiti (Ática) e Argos tinham muralhas bem menos imponentes que as de Colona (Egina) e Haghia Eirene (Ceos, nas Cíclades).

Em alguns sítios do Peloponeso foram encontrados ossos de cavalos domesticados e de galináceos.

Cerâmica e utensílios

A cerâmica miniana, confeccionada na roda de oleiro e sucessora direta da cerâmica produzida no fim do Heládico Antigo, é a única nota de sofisticação da cultura dos primeiros gregos. Os vasos tinham bordas espessas e alças geralmente longas e elegantes; além da aparência polida e brilhante, a superfície se caracterizava por uma textura "saponácea" ao toque.

Mais tarde, entre -1900 e -1700, surgiu a "cerâmica de pintura mate", com decoração escura e desenhos sobre fundo mais claro. Não se sabe exatamente quem produzia esses vasos, mas parecem ter sido introduzidos a partir das Cíclades. Esse estilo logo se fundiu com a cerâmica miniana e, no final do Heládico Médio, depois de receber intensivas influências cicládicas e minóicas, evoluiu diretamente para os estilos "micênicos".

Quase todos os utensílios eram feitos de pedra (pederneira, obsidiana) ou osso. As ferramentas de bronze e objetos de luxo eram raros e foram encontrados em quantidades inferiores às do Heládico Antigo.

Comércio

Ao norte, os mínios efetuavam importantes contatos com a Tessália e a Europa Oriental; no ultramar, com as ilhas próximas ao continente, Tróia VI, Cíclades, Creta e as Ilhas Lípari, ao norte da Sicília. O desenho de um homem de pé sobre um barco com proa em forma de peixe e outros desenhos de barcos indicam a grande importância do mar para eles.

A partir de -1800 os contatos com os cretenses se tornaram cada vez mais intensos, assim como sua influência cultural. Os mínios importavam cerâmica e objetos de luxo; os minóicos, aparentemente, se interessavam por matérias-primas. Uma das fontes de cobre utilizadas por eles, além de Chipre, eram as minas de Laurion, na Ática.

Cerâmica de nítida influência minóica e produzida em Colona, na ilha de Egina, foi encontrada em sítios litorâneos da Argólida, em volta do Golfo Sarônico, na Grécia Central (Beócia, Ática) e na Eubéia. Um outro tipo de cerâmica era produzido em Kastri (Citera), onde existia uma colônia minóica desde -2000. No fim do período, especificamente, ceramistas minóicos de Citera se instalaram no sul da Lacônia.

Religião

A forma predominante de sepultamento dos adultos era o túmulo individual em cista, semelhante às cistas cicládicas do Bronze Antigo, escavada em cemitérios fora das aldeias. Os presentes fúnebres, bastante pobres, consistiam geralmente em um ou dois vasos — às vezes, nada. No final do Heládico Médio a quantidade de sepulturas e a riqueza dos presentes aumentou consideravelmente, assim como o número de enterros na mesma cista.

Bebês e crianças eram sepultados diretamente sob o chão das casas, hábito até então desconhecido na Grécia Continental. Às vezes, mesmo os adultos eram enterrados em corredores ou atrás de paredes. Em Haghios Ioannis (Messênia) havia um túmulo pouco usual, com diversos pithoi de grande tamanho e um ou dois corpos contraídos em cada um.

Em Colona (Egina) foi encontrado um túmulo retangular escavado mais profundamente, "em poço", datado de -1700/-1600. Nele foi sepultado, provavelmente, um guerreiro ou talvez um líder militar, pois o corpo estava acompanhado de uma espada de bronze, um capacete, diademas de ouro e vasos importados de Creta e das Cíclades. Essa é a mais antiga e a única evidência que prenuncia o esplendor da cultura micênica na Argólida e na Messênia por volta de -1600.

Do Heládico Médio ao Heládico Recente

Dois tipos especiais de sepultamento, o túmulo em poço ("shaft grave") de Micenas (Argólida) e o túmulo-tholos de vários sítios da Messênia (Osmanaga, Peristeria, Pilos, etc.) assinalam a transição para o Período Micênico.

Os sepultamentos com freqüência são múltiplos e a riqueza do mobiliário fúnebre é cada vez maior, o que indica a emergência de uma elite e/ou de famílias poderosas. O tholos Vagenas, da Messênia, continha diademas de ouro, vasos de cerâmica e de prata e numerosas armas de bronze. Os túmulos em poço do Círculo Tumular B, datado tradicionalmente de -1650/-1550, continham esse mesmo tipo de mobiliário. Um deles continha, ademais, um selo de ametista com a imagem de um guerreiro, uma máscara fúnebre de electro e um vaso de cristal de rocha em forma de pato.

Como assinalado anteriormente, os achados da Argólida e da Messênia mostram grande influência minóica, especialmente na decoração da cerâmica. Mais do que em importação de artefatos, porém, deve-se pensar na presença de artífices minóicos trabalhando para a elite local, assim como os ceramistas do sul da Lacônia.

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18.09.2001
Monografia 0397
     
Data da consulta: 03.07.2008
 
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