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Neolítico
•  parte II
altera
CRONOLOGIA
-5800 a -2500
 
O Neolítico no Egeu - II. Cerâmico I
cerâmica, um dos mais valiosos sinais de desenvolvimento cultural das aldeias neolíticas, começou a ser produzida entre -6000 e -5000 em praticamente todas as regiões banhadas pelo Egeu. A produção se manteve mesmo depois de -3000, época de transição entre Neolítico e Idade do Bronze.

O Neolítico na Grécia Continental

Costuma-se dividir os três milênios do Neolítico da Grécia Continental em diversas fases de desenvolvimento. Os sítios mais representativos de cada fase são Nea Nicomedia (-5800/-5300), Sesklo (-5300/-4400) e Dimini (-4300/-3300).

Os habitantes de Nea Nicomedia vieram provavelmente da Anatólia, e de lá se espalharam pelo resto da Tessália, Grécia Central e Peloponeso. A cultura de Dimini pode ser atribuída a novas levas de imigrantes, oriundos provavelmente da Macedônia e da Trácia, ou talvez até de mais longe. No final do Neolítico, a julgar pelos poucos esqueletos encontrados até agora, a grande variedade de tipos humanos era a regra em toda parte.

As aldeias típicas eram pequenas, abertas e homogêneas, sem muralhas defensivas ou cercas; as casas eram em geral quadradas, com fundações de pedra e paredes de tijolos de barro. Em algumas regiões do Peloponeso, cavernas eram também usadas como moradia. E, "como disse a lenda grega, séculos mais tarde, as coisas começaram com a Idade de Ouro, quando a guerra ainda não existia" (Burn, 1965).

Em Nea Nicomedia, porém, já havia uma grande construção (12 x 12 m) cercada por outras quatro, pouco menores. Pode ter sido um "templo" primitivo, a residência do "líder", ou ainda um simples "celeiro" comunitário — é impossível dizer com certeza...

Sesklo tinha 3.000 a 4.000 habitantes e cerca de 100 km² de área. As construções principais situavam-se numa elevação, e essa acrópole parece ter sido cercada por um muro de aproximadamente um metro de espessura. Perto do centro havia um mégaron primitivo, sem colunas, o primeiro da Grécia. Dimini, embora bem menor (área de cerca de 5.000 m²), também ocupava o alto de uma colina e tinha um grande mégaron (8 X 8 m), cercado de um anel defensivo de seis ou sete muralhas concêntricas de pedra e barro, não necessariamente construídas ao mesmo tempo, com 0,6-1,4 metros de espessura e possivelmente 2 a 3 metros de altura.

Em nenhum caso há indícios da função específica dessas construções monumentais na comunidade. "Parece que Dimini era arquitetonicamente organizada em torno de uma família dirigente ou de um chefe de aldeia" (Vermeule, 1972); evidências conclusivas, porém, como por exemplo oferendas fúnebres especiais em sepulturas, não foram descobertas até o momento.

A decoração dos vasos de cerâmica, inexistente a princípio, logo se desenvolveu e cada aldeia e cada fase tinha seu estilo peculiar. Em Sesklo e Dimini utilizava-se variados padrões geométricos e, em Sesklo, alguns vasos (e também algumas estatuetas) eram recobertos com uma pintura leve e um pouco lustrosa convencionalmente chamada de "Urfirnis neolítico".

À parte a cerâmica pintada, outras evidências de arte eram as estatuetas representando mulheres nuas com nádegas proeminentes, selos primitivos ("pintaderas") nos estabelecimentos mais antigos e sinetes nos mais recentes, e até a pintura de uma forma humanóide em um caco de cerâmica de Otzaki (c. -5000).

A técnica e o sentido estético das estatuetas apurou-se especialmente a partir de Sesklo e, em Dimini, tornaram-se comuns as estatuetas de deusas-mãe associadas a um menino, semelhantes às de Hacilar, Anatólia, manufaturadas mais de um milênio antes. Os habitantes de Dimini eram já capazes de trabalhar o metal e alguns artefatos de ouro produzidas nesta época mostram grande habilidade técnica.

Quanto aos sepultamentos, em Nea Nicomedia os mortos eram simplesmente enterrados em covas individuais dentro da aldeia, sem oferendas fúnebres. Em Sesklo e Dimini não foram encontradas sepulturas, o que parece indicar que os enterros eram efetuados fora da aldeia. O único cemitério neolítico bem conhecido é o de Soufli (Tessália, -3000), em que os ossos cremados eram colocados em jarros de cor negra e depois sepultados em covas individuais.

As maiores contribuições do Neolítico à cultura grega como um todo foram, provavelmente, a religião (a deusa-mãe) e a arquitetura (o megaron). Embora ainda muito controvertido, talvez se devesse acrescentar à lista algumas palavras da língua grega que designam montanhas, plantas, deuses, etc., possivelmente usadas pelos povos neolíticos estabelecidos na península balcânica antes de -3000.


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06.07.2000
Monografia 0293
     
Data da consulta: 11.10.2008
 
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