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PHILOSOPHIA
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Iâmblico
altera
NOMEN
Ιάμβλιχος
Iamblichus Philosophus
SIGLA CLASSICA
Iamb.
 
Iâmblico
 
âmblico (gr. Ιάμβλιχος) é um dos principais representantes das correntes "orientais" de natureza mística e mágica do Neoplatonismo, às vezes englobadas pelos estudiosos mais antigos sob a denominação neoplatonismo sírio. "Iâmblico" é, certamente, um nome de origem semita.

Biografia

Iâmblico viveu na época de Constantino (c. 273/337). Acredita-se que nasceu em Cálcis, na Síria, por volta de 250 e faleceu mais ou menos em 325, possivelmente em Apaméia, perto de Antióquia. Era de família ilustre e foi, aparentemente, discípulo de Anatólio, que ensinou a filosofia peripatética em Alexandria, e de Porfírio, o mais importantte pupilo de Plotino1.

Fundou sua própria escola por volta de 304, em Apaméia, tinha muitos discípulos e seus contemporâneos atribuíam a ele poderes miraculosos, referindo-se a ele às vezes como "o divino Iâmblico". Nada mais sabemos, de certo, a seu respeito.

Pensamento

Nossos conhecimentos sobre o sistema filosófico de Iâmblico derivam, notadamente, de alguns trechos de escritos perdidos conservados por Estobeu (séc. V) e Proclo (410/485).

Supertições, magia e misticismo do Oriente Médio, além de idéias pitagóricas, permeiam o pensamento de Iâmblico, notadamente quanto ao relacionamento com o divino (i.e. teurgia), o que de certa forma representa uma corrupção do neoplatonismo "puro" de Plotino e Porfírio.

Iâmblico propôs um Uno mais elevado do que o de Plotino, uma divisão triádica da alma, com uma alma cósmica superior e duas almas inferiores, correpondentes ao racional e ao irracional, e um conjunto de seres espirituais intermediários entre as almas inferiores e o reino do inteligível (demônios, almas dos heróis, vários tipos de anjo). Todos possuiriam a capacidade de conhecer a alma superior e um desejo inato pelo Bem. Para ele, a prática da teurgia atraía os deuses para mais perto do homem.

Obra

O tratado Περὶ μυστηρίων (Dos Mistérios) chegou até nós, mas de uma obra sobre os pitagóricos em 10 livros, Συναγωγὴ τῶν Πυθαγιορείων δογμάτων (coleção de doutrinas pitagóricas), sobreviveram apenas uma Vida de Pitágoras, uma Exortação à filosofia (Protrepticus, também conhecido por "Anônimo de Iâmblico"), espécie de introdução a Pitágoras, Platão e Aristóteles, e três escritos sobre as contribuições pitagóricas e platônicas à matemática e aos números: Da ciência matemática comum, Introdução à aritmética de Nicômaco e Teologias da aritmética.

Os dois primeiros são compilações pouco críticas e não sistemáticas de estudiosos anteriores, e alguns eruditos acreditam que o Protrepticus foi elaborado a partir de um trabalho perdido de Aristóteles, de mesmo nome. Os tratados matemáticos têm vários fragmentos de Filolau de Crotona, Arquitas de Tarento e de outros pitagóricos. Os livros perdidos continham um tratado sobre a música, a geometria e a teoria da esfera.

Dos mistérios foi escrito, aparentemente, em resposta a uma carta de Porfírio que refutava suas teorias. No texto, Iâmblico defende a origem divina da teologia dos caldeus e dos egípcios e propõe a união do homem com a divindade não através da razão, mas através da teurgia.

Iâmblico escreveu ainda comentários sobre os diálogos platônicos, sobre Aristóteles, sobre a alma e diversas "cartas" dirigidas aos seus discípulos; dessas obras dispomos apenas de alguns fragmentos.

Edições e traduções

A Vida de Pitágoras foi editada por Teodoreto, em 1598, depois por Kuster (1707), Kiessling (1815), Nauck (1884) e Klein (1937). A Exortação foi também editada por Teodoreto e por Kiessling, depois por Pistelli (1888); Da ciência matemática comum, por Fries (1790) e por Klein (1891, reed. de 1975 por Festa); Introdução à aritmética, por Tennulius, Deventer & Arnheim (1668) e por Klein & Pistelli (1894); Teologias da aritmética, por Ast (1817) e por Falco (1922). Dos Mistérios foi editado por Ficinus (1483) e, posteriormente, por Scutellius (1556), Gale (1678), Parthey (1857) e Des Places (1966).

Não há, ainda, traduções para o português.

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Nota
  1. De acordo com Dillon (Michael von Albrecht, John Dillon et. al, Jamblich. Pythagoras: Legende, Lehre, Lebensgestaltung, Darmstadt, Wissenschaftliche Buchgesellshaft, 2002), a referência de Eunápio não se refere ao filósofo que ensinou em Alexandria e se tornou posteriormente bispo de Laodicéia, na Síria. P. Athanassiadi, por sua vez, contesta a tradicional relação mestre-aluno entre Porfírio e Iâmblico (The Journal of Roman Studies 85, 1995, p. 244).

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Data da consulta: 11.05.2008
 
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