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PHILOSOPHIA
Anaxágoras
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doxografia
altera
NOMEN
Ἀναξαγόρας
Anaxagoras Phil.
SIGLA CLASSICA
Anaxag.
 
Anaxágoras
naxágoras (gr. Ἀναξαγόρας) foi o principal responsável pela introdução da filosofia pré-socrática em Atenas e, conseqüentemente, por sua difusão entre os intelectuais atenienses. Exerceu influência em Sócrates e, naturalmente, em Arquelau, seu mais importante seguidor.

Vida e obra

Nasceu em Clazômenas, pólis da costa ocidental da Ásia Menor, por volta de -500 e, vinte anos depois, mudou-se para Atenas, onde se tornou amigo de Péricles (-495/-429); lá viveu cerca de trinta anos, ensinando filosofia. Suas idéias avançadas e sua amizade com Péricles valeram-lhe algumas antipatias e um processo de "impiedade" forçou-o a refugiar-se em Lâmpsaco, na Jônia, onde continuou a ensinar (c. -432). Faleceu pouco depois, nessa mesma pólis, mais ou menos em -428.

Escreveu, segundo a tradição, um livro denominado Da Natureza, em prosa, do qual restam cerca de vinte fragmentos.

Pensamento

Embora possa ser considerado herdeiro intelectual dos filósofos milesianos, Anaxágoras pensava de forma radicalmente diferente em relação à estrutura do universo. Postulava que, ao invés de elemento primordial unitário, várias substâncias diferentes compunham a totalidade do espaço existente. Cada elemento constituinte seria, portanto, fundamental em si mesmo e a matéria constituída pela combinação desses elementos era infinitamente indivisível.

A força que movia o universo era o Espírito (gr. νόος ou νοῦς, i.e. "pensamento", "espírito", "inteligência"), ilimitado, isolado e separado de tudo o mais. O Pensamento teria gerado um turbilhão primordial que, ao se alastrar e se movimentar pelo caos ("vazio") precedente, forçou certas entidades a se diferenciarem, como o denso do rarefeito, o quente do frio, o seco do úmido. Nada teria sido criado ou destruído: as coisas surgiram e desapareceram a partir da combinação e da dispersão daquilo que já existia.

Cada porção do mundo material conteria, em princípio, todos os componentes encontráveis nas outras partes (homeomeria). É a preponderância de certas entidades, a partir de "sementes" cujos elementos constituintes estariam inextrincavelmente misturados, que explica as características que diferenciam as coisas existentes. Um pepino e uma pedra teriam, portanto, os mesmos componentes básicos, mas em diferentes proporções.

O corolário desse conceito é que, mesmo dividindo-se infinitamente qualquer porção do mundo material, a menor porção possível conteria, ainda, todas as substâncias consituintes do universo, na proporção (preponderância) necessária para individualizá-la das demais.

Fragmentos e doxografia

A doxografia provém, principalmente, de Platão, Aristóteles e Teofrasto. Os fragmentos foram conservados, em sua maioria, por Simplício (séc. VI).

Edições e traduções

A primeira edição moderna de todos os fragmentos é a de Schaubach (1827); depois, vieram as de Schorn (1829), Karsten (1835) e Mullach (1860); atualmente, a edição "padrão" é a de Diels e Kranz (61951).

A primeira tradução para o português é a de Maria Cavalcante (1973), seguida pelas de Bornheim (1989) e Carneiro Leão (1991).

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livros recomendados
  • BORNHEIM, G. Anaxágoras de Clazomena. In: _______, Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, p. 93-98, 1989.
  • FLOR, P.F. & CAVALCANTE, M.C.M. Anaxágoras de Clazômenas. In: CAVALCANTE DE SOUZA, J. (org.), Os Pré-Socráticos. São Paulo: Abril Cultural, p. 157-179, 1973.
 
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14.11.2004
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Página atualizada em 23.05.2007   •   Data da consulta: 07.10.2008
 
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