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PHILOSOPHIA
Os eleatas Fragmentos e doxografiaaltera NOMINES
Παρμενίδης
Parmenides Poeta Phil.
Ζήνων
Zeno Eleaticus Phil.
Μέλισσος
Melissus Phil.
SIGLA CLASSICA
Parm.
Zeno Eleat.
Meliss.
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 Os eleatas
"escola de pensamento" conhecida entre nós por eleática engloba os filósofos Parmênides de Eléia, Zenon de Eléia e Melisso de Samos. Platão e Aristóteles mencionam que o iniciador dessa escola foi Xenófanes de Cólofon mas, na realidade, não há nenhuma conexão efetiva entre o pensamento dele e o dos eleatas.
Os eleáticos lidavam com os conceitos de "ser", "vir-a-ser", "movimento", "tempo", "espaço", "continuidade" e defenderam a unicidade estática de tudo o que existe. De forma resumida, pode-se dizer que eles consideravam falsa a realidade que se apresenta aos nossos sentidos, que percebem tudo como uma multiplicidade, e a contrapunham à efetiva realidade percebida por nossa mente, capaz de apreender a unicidade da existência.
Parmênides de Eléia
Parmênides (gr. Παρμενίδης ), o mais influente dos filósofos que precederam Platão, nasceu por volta de -515 em Eléia, cidade situada no sul da península italiana. A data de sua morte não é conhecida, mas especula-se que tenha ocorrido por volta de -450.
Sua doutrina se distingue das anteriores principalmente pelo monismo e pelo imobilismo. Parmênides propôs que tudo o que existe é eterno, imutável, indestrutível, indivisível e, portanto, imóvel o que alguns chamam de "doutrina do Uno". Essa verdade, o domínio do "ser", corresponde às coisas que são percebidas pela mente; o que é percebido pelas sensações, por outro lado, é enganoso e falso, e pertence ao domínio do não-ser. Trata-se de uma oposição direta ao mobilismo preconizado por Heráclito de Éfeso, para quem "tudo passa, nada permanece" (Pl.Cra. 402a). Sua influência na "teoria das formas" de Platão foi muito significativa.
Ao contrário de quase todos os filósofos precedentes, que divulgaram seus pensamentos em prosa, ele escreveu sua grande obra, Da Natureza, em versos hexâmetros semelhantes aos de Homero, e atribuiu suas idéias a uma revelação divina. Tradicionalmente, o poema é dividido em Proêmio, Caminho da Verdade e Caminho da Aparência.
Zênon de Eléia
Para Aristóteles, Zênon (gr. Ζήνων, n. -490/-485) criou a dialética, a arte de argumentar e discutir. Platão apresentou-o como discípulo de Parmênides (Parmênides, 127a-128d), mas na realidade seus dados biográficos não são conhecidos. De certo, sabe-se apenas que Zênon apoiava as idéias de Parmênides e que para defendê-las desenvolveu uma série de quarenta argumentos que reduzia as idéias contrárias ao absurdo. Desses argumentos, os famosos "paradoxos" (aporias) de Zênon, conhecemos com algum detalhe apenas quatro: o da dicotomia, o de Aquiles, o da flecha e o do estádio. No paradoxo de Aquiles, um dos mais famosos, ele procurou demonstrar que o movimento é apenas uma aparência, pois nunca alcança o seu termo.
Imaginemos uma corrida entre Aquiles, o corredor mais rápido dentre os heróis da Mitologia, e uma tartaruga, símbolo da lentidão. Aquiles concede ao animal uma vantagem: percorrer um metro antes que ele saia do ponto de partida. De acordo com o senso comum, mesmo assim Aquiles seria certamente o vencedor; Zênon, porém, argumentou que o perseguidor tem que atingir, primeiro, o ponto de partida do perseguido, de modo que o mais lento, por ter saído na frente, estará sempre adiante do mais rápido.
Melisso de Samos
Melisso (gr. Μέλισσος, fl. -450) era natural de Samos. Além de filósofo, foi político e militar de alguma expressão, tendo vencido a esquadra ateniense que tentou bloquear Samos em -441. Não há evidência de que tenha sido discípulo de Parmênides; suas idéias, no entanto, eram fortemente embasadas nos conceitos desenvolvidos pelo eleata.
Assim como Parmênides e Zênon, ele acreditava que a realidade era "una, não-dividida, não-gerada, eterna, homogênea, sem movimento e nunca mudava" (Longrigg). Restam apenas fragmentos de sua obra.
Fragmentos e doxografia
O Proêmio e quase todo o Caminho da Verdade de Parmênides chegaram até nós, através dos médicos Sexto Empírico (fl. séc. II/III) e Simplício (séc. VI). Dele temos, ainda, vários fragmentos de pequena extensão. De Zenão e Melisso, temos alguns fragmentos, conservados por Simplício.
A doxografia de Parmênindes, Zenão e Melisso tem importância considerável, notadamente em Platão, Aristóteles e Teofrasto.
Edições e traduções
A editio princeps dos fragmentos de Parmênides é a de Henri Estienne (Henricus Stephanus), publicada em 1573. Seguiram-na a de Fülleborn (1795), Peyron (1810), Karsten (1835), Diels (1897), Riezler (1934), Beaufret (1955), Cornford (1980), Cordero (1984) e Henn (2003), entre outros. A primeira edição de Zenão é a de Karten (1835) e a de Melisso, a de Brandis (1813); Zenão foi editado posteriormente por Mulach (1845) e por Zeller (1876), e Melisso por Pabst (1889). Atualmente, a melhor coletânea para os fragmentos e a doxografia dos três é a obra de Diels e Kranz (61951). Aqui, por comodidade, utilizei a edição crítica de Kirk, Raven e Schofield (o.c.).
Há várias traduções do fragmento maior de Parmênides para o português: Cavalcante de Souza (1973), Mourão (1987), Bornheim (1989), Trindade dos Santos (1997), Rocha Pereira (1998). Os fragmentos menores foram traduzidos por Cavalcante de Souza (1973). Os fragmentos e a doxografia de Zenão e Melisso foram traduzidos por Kuhnen e Ísis Borges em 1973.
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- BORNHEIM, G. Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia, Melisso de Samos. In: _______, Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, p. 53-66, 1989.
- MARQUES, M.P. O caminho poético de Parmênides. São Paulo: Loyola, 1990.
- MOURÃO, G.M. O Poema, de Parmênides. São Paulo: GRD, 1987.
- REGIS, W. & CAVALCANTE DE SOUSA, J. Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia e Melisso de Samos. In: CAVALCANTE DE SOUZA, J. (org.), Os Pré-Socráticos. São Paulo: Abril Cultural, p. 75-112, 1973.
- SANTOS, J.T. Da Natureza. Parmênides. Lisboa: Alda, 1997 (reed. São Paulo, Loyola, 2002).
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