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Hp.Morb. 1-2 e 6
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Coleção hipocrática :: Da Doença Sagrada 1-2 e 6
 
Data: -430/-420. Esta passagem do tratado hipocrático Da Doença Sagrada, que preconiza a mesma natureza para todas as doenças conhecidas, é um dos mais importantes textos médicos e científicos de todos os tempos. A tradução é de HFC, que gentilmente autorizou sua reprodução no Portal.
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A causa das doenças1

1. Eis aqui o que há acerca da doença dita sagrada: não me parece ser de forma alguma mais divina nem mais sagrada do que as outras, mas tem a mesma natureza que as outras enfermidades e a mesma origem. Os homens, por causa da inexperiência e da admiração, acreditaram que sua natureza e sua motivação fossem algo divino, porque ela em nada se parece com as outras doenças. (...) Se ela vier a ser considerada sagrada por causa de seu caráter admirável, haverá muitas enfermidades sagradas, e não apenas uma; assim, eu mostrarei outras (doenças) em nada menos admiráveis, nem monstruosas, as quais ninguém acredita serem sagradas. As febres cotidianas, terçãs e quartãs não me parecem ser menos sagradas nem mais engendradas por algum deus do que esta doença, e essas não são admiradas (...)

2. Os primeiros homens a sacralizarem esta enfermidade parecem-me ser os mesmos que agora são magos, purificadores, charlatães e impostores, todos os que se mostram muito pios e plenos de saber. Esses certamente excusando-se, usam o divino para proteger-se da incapacidade de fazer valer o que ministram, e, para que não se tornem evidentes sabedores de nada, declaram esta afecção sagrada. (...) Eles impõem tais coisas tendo em vista o aspecto divino, alegando, como grandes sabedores, outras motivações, a fim de que se o doente se tornar são, a glória e a destreza lhes seja atribuída; mas se ele morrer, suas justificativas sejam apresentadas de modo seguro, e pretextem que os causadores não são eles, mas os deuses (...).

6. Mas, de fato, o cérebro é o causador dessa afecção, assim como das outras doenças gravíssimas; de que maneira ocorre e a partir de qual motivação é o que exporei claramente. (...)

[Hp.Morb. 1-2 e 6]

Referência

CAIRUS, H.F. Os limites do sagrado na nosologia hipocrática. Rio de Janeiro: Tese de Doutoramento, UFRJ, dezembro de 1999.

 
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11.04.2000
Monografia 0271
     
Data da consulta: 16.05.2008
 
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