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Os pré-socráticos
 
A zoologia entre os pré-socráticos
s especulações dos filósofos pré-socráticos, dirigidas notadamente à origem do universo e à natureza da alma e do pensamento, levaram-nos muitas vezes a conjeturar a respeito da origem e desenvolvimento dos animais e do homem, suas semelhanças e diferenças, e a respeito das estruturas envolvidas na percepção do mundo.

As contribuições mais importantes vieram de Anaximandro de Mileto (-610/-546), Empédocles de Acragás (-492/-432), Anaxágoras de Clazômenas (-500/-428), Arquelau de Atenas (séc. -V), Demócrito (n. -460) e Diógenes de Apolônia (c. -440).

Anaximandro

Devemos a Anaximandro as primeiras especulações sobre a origem dos animais e do homem. Para ele, os primeiros seres vivos nasceram da terra e da água aquecidas pelo sol, tinham casca espinhosa e depois mudaram para "uma parte mais seca" (Test. 30).

Ele também notou que o homem, comparado aos outros animais, necessita de amamentação e cuidados prolongados e imaginou que os seres humanos se desenvolveram primeiro no interior de certos peixes — ou de animais semelhantes a peixes — e só depois ocuparam a terra. O homem teria sido, no princípio, semelhante a um peixe.

  1. Fragmento e doxografia de Anaximandro de Mileto
Empédocles

Empédocles acreditava que, no início, surgiram da terra formas brutas dotadas de uma porção de água e calor e que o próprio homem havia nascido da terra. Quanto às primeiras gerações de animais, elas não eram completas e consistiam de partes independentes que se combinaram de várias maneiras; quando a combinação era adequada, as criaturas não pereciam e se perpetuavam. Essa "teoria de Seleção Natural", a primeira da história, foi indiretamente mencionada por Darwin em seu livro A origem das Espécies (1859).

Os exemplos de combinações inadequadas que Empédocles forneceu são notáveis: rostos sem pescoços, olhos sem testas, braços soltos, criaturas com faces e peitos de ambos os lados, bovinos com rostos humanos, seres parte masculinos e parte femininos e assim por diante. Parece apenas um exercício desenfreado de imaginação, mas é possível que o filósofo tenha tentado explicar, desse modo, a existência de alguns monstros míticos.

Eis outras de suas observações, escolhidas dentre as mais interessantes:

  • uma mesma coisa são os cabelos e as folhas e a densa plumagem das árvores;
  • as coisas que existem emitem certos eflúvios através de poros;
  • a percepção surge quando alguma coisa se ajusta aos poros de cada um dos sentidos;
  • o sangue, que flui e reflui e circunda o coração dos homens, é o seu pensamento.
Anaxágoras, Arquelau, Demócrito

Anaxágoras e seu discípulo, Arquelau, achavam que os animais nasciam primeiro da umidade, assim como Anaximandro. Arquelau dizia, ademais, que animais e homens surgiram na parte mais baixa da Terra, onde o quente e o frio estavam misturados, extraíam inicialmente o sustento do limo e viviam pouco tempo. O espírito, a inteligência (gr. νοῦς) é inata a todos os animais, inclusive o homem, mas alguns fazem uso dele mais rápido do que os outros. Anaxágoras observou ainda que o homem, em função de suas mãos, é o mais sábio (gr. φρονιμώτατον) dos animais.

Demócrito, assim como o médico Álcmeon de Crotona, interessou-se pela percepção visual. Achava que a imagem não surge diretamente na pupila, pois o ar entre o olho e o objeto registra os eflúvios emitidos pelo objeto e depois colide com os olhos. Diógenes de Apolônia observou que os homens e as outras criaturas vivas vivem do ar que respiram e notou que a existência de todas as criaturas vivas segue os mesmos princípios, a despeito das diferenças de forma: "a alma é a mesma", "elas vivem, vêem e ouvem pela mesma coisa" (Fr. 5).

Diógenes de Apolônia

Diógenes explicava as funções cognitivas do homem (e dos animais) em função do ar, que considerava o elemento básico de tudo. As sensações seriam provocadas pelo ar que, vindo do exterior, se misturava ou apenas agitava o ar existente nos órgaos dos sentidos.

Também fez detalhada descrição das "veias" humanas (que chamamos atualmente de vasos sangüíneos) e considerou o sêmen um produto do sangue que continha ar e era, assim, capaz de transmitir sensação e pensamento. Era o ar que, misturado ao sangue e espalhado pelo corpo através dos vasos sangüíneos, produzia o pensamento.

 
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05.08.2004
Monografia 0542
     
Página atualizada em 25.05.2007   •   Data da consulta: 07.10.2008
 
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