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Pré-socráticos
 
A astronomia entre os pré-socráticos
 
ales de Mileto (-625/-545), segundo a tradição, introduziu na Grécia os fundamentos da astronomia, aprendidos em suas viagens pelo Egito e outras regiões do Oriente. A famosa previsão de um eclipse solar a ele atribuída por Heródoto, no entanto, não tem fundamento histórico e deve ser considerada nada mais que uma simples anedota.

A despeito disso o exame dos fragmentos de grande parte dos filósofos pré-socráticos indica que esses intelectuais tinham grande interesse pelos corpos celestes e podem ter sido os primeiros astrônomos da Grécia.

Os milesianos

Tales especulou sobre as dimensões e as órbitas do sol e da lua, mediu o intervalo entre os solstícios e estudou as estrelas; Anaximandro de Mileto (-610/-546) achava que a Terra era redonda ou cilíndrica e que os corpos celestes eram anéis preenchidos por fogo que giravam em torno de uma terra estacionária.

Anaxímenes de Mileto (-585/-525) foi mais além: achava que a Terra, o Sol, a Lua e os demais corpos celestes eram planos e flutuavam no ar. Além disso, todos os corpos celestes haviam se originado da Terra e se moviam em torno dela.

Xenófanes, Heráclito e Parmênides

Segundo Xenófanes, (-570/-475) havia sóis e luas em número infinito; o Sol e os astros provinham das nuvens. Para Heráclito (c. -500) os corpos celestes eram sólidas taças cheias de fogo e a as fases mensais da Lua eram conseqüência de uma rotação gradual de sua taça.

Sabe-se que o sistema astronômico do eleata Parmênides (-515/-445 ?) teve grande influência durante o Período clássico, mas até hoje não foi possível reconstruí-lo satisfatoriamente a partir dos poucos fragmentos que tratam desse asssunto.

Empédocles e Filolau

Empédocles de Acragás (-492/-432) afirmava, um tanto obscuramente, que o cosmos era uma esfera "igual a si mesma", e que dois hemisférios giravam em torno da terra: um, inteiramente de fogo, era o dia; o outro, mistura de ar e de um pouco de fogo, era a noite. O Sol seria um reflexo do fogo, um dos quatro elementos que haviam originado o mundo. Ele percebeu, também, que a luz da Lua provinha do Sol.

Filolau de Crotona, um pitagórico contemporâneo de Sócrates, acreditava que no centro do universo encontrava-se fogo e que a Terra era apenas um de seus astros; a Terra, ao fazer um movimento circular em volta do fogo central, dava origem ao dia e à noite. Imaginava também que, além dos outros quatro planetas conhecidos, existia uma Terra em oposição à nossa, a Anti-Terra. Além dela, havia nove corpos celestes que se moviam no céu: a Terra, o Sol, a Lua, os cinco planetas e, acima de todos, uma esfera de estrelas fixas.

Anaxágoras, Arquelau, Diógenes

Anaxágoras de Clazômenas (-500/-428) acreditava que a Terra era oca, tinha forma plana e se mantinha suspensa, sem apoio. O Sol, que era "maior que o Peloponeso", a Lua e todos os astros eram pedras incandescentes e seu calor não era percebido por estarem eles muito longe da Terra. Os astros, em sua revolução, passavam por baixo da Terra. A Lua era feita de terra, ficava abaixo do Sol e era o corpo celeste mais próximo de nós e não tinha luz própria; assim como Empédocles, ele acreditava que a luz da Lua vinha do Sol. Os eclipses da Lua eram devidos ao fato dela ser ocultada pela Terra; os do Sol, pela interposição da Lua na fase de Lua Nova.

Arquelau de Atenas (séc. -V), discípulo de Anaxágoras, pensava que a Terra não constituía uma fração apreciável de todo o universo.

Diógenes de Apolônia (c. -440) comparou os corpos celestes a pedras-pomes incandescentes, talvez pela sua leveza. Para ele os corpos celestes visíveis tinham à sua volta pedras invisíveis que tendiam a cair na Terra, quando então seu fogo se extinguia.

 
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