Iatreion   |   Didascalica   |   Portal Graecia Antiqua   |   Wilson A. Ribeiro Jr.
 
ga
a principio ad anno domini 529
ht
 
ISSN 1679-5709
greciantiga.org
 
 
 
aux
 
 
navigatio
| greciantiga.org | mat | os heróis-médicos |
u  Prima pagina
u  Materiae
u  Ciências
SCIENTIAE
u  Medicina
Os heróis-médicos
 
Os heróis-médicos
s mais antigas informações sobre os médicos gregos encontram-se na Ilíada de Homero, escrita entre -750 e -725. Ao mesmo tempo em que descreve as doenças causadas e curadas pelas divindades, Homero ilustra como deve ter sido a prática médica durante a Idade das Trevas e, talvez, até antes.

Os médicos homéricos

ἄγρει σῶν ὀχέων ἐπιβήσεο, πὰρ δὲ Μαχάων
βαινέτω, ἐς νῆας δὲ τάχιστ' ἔχε μώνυχας ἵππους:
ἰητρὸς γὰρ ἀνὴρ πολλῶν ἀντάξιος ἄλλων.
Apressa-te, sobe em teu carro e faz Macaon ir
[ junto;
leva rapidamente para os navios os cavalos de
[ casco maciço,
pois um médico vale por muitos outros homens.
Ilíada, Il. 11.512-4
À parte os adivinhos, os médicos de Homero eram semidivinos e tidos em altíssima conta pelos companheiros, conforme as famosas palavras do herói Idomeneu:

Os conhecimentos médicos, a princípio exclusividade dos deuses imortais, haviam sido transmitidos aos mortais graças a Quíron, o centauro educador de heróis. Dois dentre os alunos de Quíron, pelo menos, aprenderam com ele as artes médicas: Asclépio e Aquiles.

Além de Aquiles, Homero conta que estiveram em Tróia os seguintes médicos: Podalírio e Macaon, filhos de Asclépio, e Pátroclo, filho de Menetes, amigo dileto de Aquiles. Os filhos de Asclépio aprenderam a medicina com o próprio pai; Pátroclo, com o amigo Aquiles.

A medicina praticada pelos hérois-médicos era ainda uma "ciência" eminentemente prática, restrita ao tratamento das feridas de guerra. Em várias passagens da Ilíada, porém, Homero deixa entrever que esses médicos tinham também muitos conhecimentos referentes ao uso de plantas medicinais, úteis para o tratamento de ferimentos e em outras situações.

A Odisséia de Homero traz também algumas passagens interessantes. A mais notável delas relata a visita de Telêmaco a Menelau, em Esparta, quando Helena coloca no vinho uma substância euforizante, de origem egípcia, "calmante da dor e do ressentimento" (Od. 4.219-234) — obtida, provavelmente, de uma planta. Em outra parte, Hermes dá a Odisseu uma "erva mágica", antídoto contra as poções de Circe (Od. 10.287-295).

O Dr. Melampo

Melampo, filho de Amitáon, um dos eólios, era adivinho e efetuou uma das mais famosas curas da Mitologia. Este fato, além do modo como adquiriu a condição de adivinho, deixa bem clara a existência de um antigo elo entre a adivinhação, o diagnóstico das doenças e a Medicina.

Consta que em sua juventude Melampo encontrou uma serpente morta e seus filhotes; condoído, sepultou a serpente e cuidou dos filhotes. Agradecidas, as pequenas serpentes lamberam-lhe as orelhas enquanto dormia, e daí em diante ele se tornou capaz de entender a linguagem dos pássaros e a dos outros animais.

Melampo curou a impotência de Íficlos, filho do rei Fílaco, da Tessália, depois de descobrir o tratamento necessário pela conversa das aves. Curou também a loucura das prétides, filhas de Preto, rei de Tirinto, que haviam fugido da cidade, tomadas por um furor dionisíaco contínuo. Com a ajuda de rapazes que gritavam e dançavam, imitando as princesas, levou-as de volta e curou-as, através de rituais de purificação e magia. Em outras versões, ele teria usado uma planta medicinal, o heléboro negro.

O Dra. Prócris

Prócris, filha de Erecteu, um dos primeiros reis de Atenas, também atuou como médica. Casada com Céfalo, descendente de Deucalião, teve uma aventura com outro homem numa situação armada pelo marido para testar seu amor por ele. Fugiu e se refugiou junto a Minos, rei de Creta, que tinha na época um sério problema. Pasífae, sua esposa, lançara-lhe uma maldição: sempre que ele tentava se unir a uma mulher, serpentes e escorpiões nasciam de seu corpo e matavam invariavalmente suas amantes.

Prócris curou-o (talvez em interesse próprio) aplicando-lhe uma erva que recebera da feiticeira Circe. Segundo a tradição, seus honorários foram magníficos: um arco que nunca falhava e um cão que jamais deixava escapar a presa. Algum tempo depois, acabou voltando a Atenas, reconciliou-se com Céfalo e presenteou-o com o cão e com o arco. Sua felicidade, porém, durou pouco: durante uma caçada foi acidentalmente atingida por uma flecha do arco dado por Minos, disparada pelo próprio marido.

Dr. Museu

Consta, finalmente, que Museu era capaz de curar os doentes com sua música, embora nenhum episódio mítico em especial seja mencionado. Essa tradição foi conservada também por Aristófanes em As Rãs (Ar. Ra. 1033).


escribaSUPPLEMENTVM
textos complementares
 
SCHOLIA
scho2
CONSPECTUS
IMAGINES
tbn
tbn
tbn
tbn
tbn
scho2
como citar
esta página
 
20.02.2000
Monografia 0252
     
Data da consulta: 14.05.2008
 
navi
© 1997-2008 Wilson A. Ribeiro Jr.
retro