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A medicina racional
apud Alcmaeonem:
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apud Diogenem:
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doxografia
altera
NOMINES
Ἀλκμαίων
Alcmaeon Philosophus

Διογένης
Diogenes Apolloniates Philosophus
SIGLA CLASSICA
Alcmaeon
Diog.Apoll.
 
A medicina racional
a esteira dos filósofos pré-socráticos, que iniciaram a investigação racional dos fenômenos naturais, no final do século -VI a Medicina começou a sair da esfera da magia e a entrar nos primórdios da ciência.

Médicos e filósofos

Demócedes (gr. Δημοκήδης, fl. séc. -VI), médico mencionado por Heródoto, não era filósofo; é, no entanto, o primeiro médico grego de que temos notícia. Depois de trabalhar algum tempo com seu pai em Crotona, na Magna Grécia, clinicou em Egina, Atenas, Samos e também na Pérsia, onde tratou o rei Dario I (-522/-486) e sua esposa, a rainha Atossa. Pouco se sabe, infelizmente, sobre a exata natureza de seus conhecimentos.

O filósofo e médico Álcmeon de Crotona (gr. Ἀλκμαίων) viveu no início do século -V e recebeu algumas influências dos pitagóricos. Dizia que a saúde era o resultado do equilíbrio entre os poderes que atuavam no organismo, e que os órgãos dos sentidos eram ligados ao cérebro. Nada sabemos de sua atividade profissional, porém os mais antigos textos de medicina que chegaram a nós são de sua autoria.

Empédocles de Acragás (gr. Ἐμπεδοκλῆς, -492/-432) foi um filósofo com alguns interesses ligados à Medicina. Sua famosa teoria dos quatro elementos constituintes do universo — terra, ar, fogo e água —, aplicada à composição do corpo humano, foi adotada pela Medicina durante os dois milênios seguintes.

O filósofo Diógenes de Apolônia (gr. Διογένης, c. -440) pode também ter sido médico. Acreditava que o ar era o fator mais importante para a saúde e a doença, e que as doenças podiam ser diagnosticadas pelas "cores" do doente e também através do exame da língua.

A medicina racional

Por volta da metade do século -V os médicos gregos já haviam desenvolvido teorias para explicar o funcionamento do corpo humano e o mecanismo das doenças. As idéias eram equivocadas, porém consistentes com os conhecimentos científicos da época. O médico era já um profissional respeitado, que praticava em consultório e tinha orgulho de sua atividade. A Medicina procurava, agora, dissociar-se dos métodos filosóficos, puramente teóricos, e se estabelecer como um saber próprio, uma "arte" (gr. τέχνη) específica e autônoma.

Os mais antigos textos da coleção hipocrática, datados da segunda metade do século -V, transmitem-nos um panorama razoável da prática médica da época. O médico viajava muito, e os tratamentos eram remunerados geralmente pelo próprio doente, quando ele tinha meios para isso. Não era requerida nenhuma qualificação formal, e ao lado de médicos sérios proliferavam muitos charlatães. Devido ao caráter estritamente patriarcal da sociedade grega, somente os homens tinham acesso à profissão.

Todos os sofrimentos do corpo eram da alçada do médico, inclusive os problemas odontológicos. Cirurgias rudimentares já eram praticadas com relativo sucesso, especialmente no tratamento de fraturas, ferimentos e abscessos.

A terapêutica atuava em dois níveis: o do restabelecimento do equilíbrio dos humores, prejudicado pela doença, e o da remoção da causa da doença, quando possível. Efetuado o diagnóstico e estabelecido o prognóstico, o médico procurava determinar o "momento oportuno" (gr. κρίσις) da sua intervenção. Um procedimento quase constante nos tratamentos era a purgação ou "purificação" (gr. κάθαρσις), a evacuação dos humores nocivos através de clisteres, vomitórios, sangrias, fumigações, banhos quentes e frios, alimentos especiais e preparações medicinais à base de plantas.

Preconizava-se também uma dieta, que compreendia o regime de vida em sua totalidade: tipo, horário e quantidade de alimentos, exercícios, horas de sono, higiene pessoal, o uso do vinho, as relações sexuais e, eventualmente, mudança de residência ou de cidade.

Não havia hospitais, nem enfermeiras; os doentes mais graves eram assistidos em suas próprias casas e os cuidados eram prestados pelos próprios familiares, pelos servos da casa e, eventualmente, pelos discípulos do médico.

Cnidos, pólis situada na costa ocidental da Ásia Menor, ao sul, e Cós, pólis de uma ilha de mesmo nome da mesma região, eram os dois mais importantes e influentes centros de Medicina. Os médicos mais conhecidos do fim do século -V foram Nicômaco, pai do filósofo Aristóteles, e Filistion de Lócris, ambos ligados a Cnidos; e o famoso Hipócrates de Cós, a quem a tradição atribui a elevação da Medicina à categoria de "arte".


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