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A arquitetura arcaica - I
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Modelo do heraion de Argos, -680. © Kathleen Cohen, World Art Database.
Período Arcaico notabilizou-se pelas monumentais construções comunitárias de pedra, como os enormes templos dedicados às numerosas divindades do panteão helênico, e pelos primórdios do planejamento urbano.

Templos do século -VII

Entre -750 e -600, enquanto vasos de cerâmica e estatuetas passavam pela fase convencionalmente chamada de "orientalizante", deu-se a lenta evolução dos pequenos e primitivos templos da Idade das Trevas, construídos com materiais leves e perecíveis (madeira e tijolos de barro), para amplas e perenes estruturas de pedra. Acredita-se, embora com alguma reserva, que os arquitetos arcaicos teriam se inspirado nas monumentais edificações egípcias, conhecidas dos gregos desde o início do século -VII.

O templo dedicado a Hera (heraion) em Argos (c. -700), o segundo templo de Hera em Samos (c. -650), o templo de Apolo em Thermon (c. 640) e o templo de Apolo em Prínias, Creta (-625/-600), ilustram a transição. Muitos elementos arquitetônicos que caracterizariam os templos arcaicos dos séculos seguintes já estavam presentes nessas edificações do século -VII.

O heraion argivo parece ter sido um templo característico do final da Idade das Trevas: pequenas dimensões, planta levemente retangular, uma única divisão, pórtico simples com duas colunas. Era muito semelhante às habitações comuns da época e deve ter se inspirado nos templos que o precederam, como heroon de Lefkandi e o templo de Apolo Dafnéforos em Erétria.

A planta do segundo heraion de Samos ("hekatompedon II") assemelha-se bastante à dos templos arcaicos posteriores. O recinto principal, o naos (gr. ναός), era alongado, mas sem pórtico dianteiro ou traseiro; havia suportes para o teto apoiados nas paredes de calcáreo, o que permitia que a estátua cultual fosse vista desde a entrada. Um conjunto de colunas de madeira com base de pedra, o peristilo (gr. περίστυλος), cercava todo o templo; na frente, uma dupla fileira de seis colunas franqueava a entrada. Nada se sabe a respeito da cobertura.

No continente, o templo dedicado a Apolo em Thermon ("templo C"), na Etólia, tinha um naos igualmente alongado, com colunas em seu interior, e era cercado por um peristilo formado por uma única fileira de colunas. Não havia pórtico na entrada, e sim na parte traseira (opistódomo, gr. ὀπισθόδομος). A parte inferior das paredes era de pedra, e o resto, de tijolos; as colunas do peristilo, inicialmente de madeira, foram depois substituídas por colunas de pedra.

Nesse templo, que pôde ser reconstituído de forma mais completa que os demais, algumas características da futura ordem dórica estavam já presentes. As colunas apoiavam a entablatura, formada por uma arquitrave de madeira que, por sua vez, sustentava um friso primitivo constituído por tríglifos e painéis de terracota pintada (métopas) com cenas mitológicas e, logo acima, um telhado coberto com pesadas telhas. Cabeças de terracota (antefixos) e desenhos geométricos formavam a cornija que decorava a beira do telhado.

O templo de Prínias, o mais recente da série, não tinha naos alongado e nem peristilo. A entrada, apoiada possivelmente por duas meias colunas, tinha um pórtico apoiado em três enormes pilares, um deles bem diante da entrada. As paredes do naos eram de pedra e em seu interior havia um local para sacrifícios, flanqueado por duas colunas. Esculturas e relevos de pedra no estilo dedálico típico do século -VII decoravam, provavelmente, o lintel que ficava acima da porta de entrada. Guerreiros armados sobre cavalos de longas patas decoravam um friso de pedra que decorava a parte de baixo das paredes ou a entablatura.

Planejamento urbano no século -VII

O planejamento urbano, já conhecido há séculos no Oriente Médio, desenvolveu-se na Grécia Antiga em cidades novas como Mégara Hibléia, na Sicília, e Esmirna, na costa da Ásia, ou no pequeno assentamento de Vrulia em Rodes. Essas cidades, fundadas no fim do século -VIII, eram mais organizadas do que Corinto, Tebas, Atenas e outras cidades antigas. Em Mégara Hibléia, por exemplo, o cemitério ficava a considerável distância da área residencial.

Mégara Hibléia era formada, em -650/-600, por construções dispostas, segundo um plano ortogonal, em blocos regulares, de forma mais ou menos retangular, em torno da ágora. Na ágora, praça aberta onde a população de reunia para diversos fins, havia dois templos e dois pórticos (stoai). Em Vrulia, por volta de -650, uma linha de casas de plano uniforme foi edificada ao longo de uma única rua; todas tinham uma divisão maior nos fundos. Em Esmirna, no século -VIII, as casas do centro eram protegidas por robusta muralha. No século -VII, após um incêndio, diversas ruas foram traçadas segundo um eixo norte-sul. Casas retangulares e amplas, com duas ou três divisões, foram então construídas em fila contínua, a frente voltada para as ruas.

As habitações particulares, como era de se esperar, tinham forma muito variável, mas quase sempre com poucas divisões retangulares. Mas em Lathouresa, na Ática, algumas casas tinham grupos de quartos quase curvilíneos, embora o cômodo maior fosse retilíneo.

Em Andros e Quios, por volta de -700, diversas casas possuíam um cômodo grande que se abria para um pórtico e, no interior, postes de madeira apoiados em pedras sustentavam o teto, resquício do Período Micênico. Nas casas grandes de Andros, o cômodo grande e divisões menores se abriam para um pátio parcialmente coberto. Em Tassos, no final do século -VII, havia casas com um pórtico de frente para o pátio. Em Mégara Hibléia todas as casas, praticamente, tinham uma só divisão com paredes de 4-5 metros de comprimento. Nas casas da Esmirna do século -VII as paredes eram largas, feitas de blocos de adobe assentados em alicerces de pedra; quase sempre havia um segundo andar. As casas situadas fora das muralhas continuaram, porém, a seguir os modelos mais antigos.

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Data da consulta: 13.05.2008
 
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