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Aretusa e Alfeu

... faltam algumas partes!
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Aretusa, Ártemis e Alfeu

Diversas fontes receberam, nos territórios gregos da Antiguidade, o nome de Aretusa (gr. Ἀρέθουσα), aparente metonímia para fontes de certa importância (Collard e Morwood, 2017, p. 296). Nada sabemos da Aretusa de Ítaca; as duas mais conhecidas eram a de Cálcis e a de Siracusa.

Cálcis

Da fonte de Cálcis, o autor do Catálogo das Mulheres conta que Aretusa era filha de Hiperes, descendente de Atlas, foi seduzida por Posídon e posteriormente transformada em fonte pela deusa Hera. Segundo o médico Rufus de Éfeso (Quaest. Med. 64.1), do século I, as águas dessa fonte provocavam gota[1].

Siracusa

A fonte de Siracusa é, indubitavelmente, a mais célebre de todas. Situada na Ilha de Ortígia, perto do mar, era originalmente uma bela ninfa da Acaia que fazia parte do séquito de Ártemis e percorria bosques e campos em sua companhia. Certo dia, ao se banhar nas águas do rio Alfeu (gr. Ἀλφειός), que percorre a Arcádia e a Élida e deságua no Mar Jônio, o rio se apaixonou por ela, assumiu forma humana e tentou seduzí-la. Aretusa correu, seguida de perto por Alfeu, mas perto de Élis foi quase alcançada e dirigiu então uma súplica a Ártemis. A deusa envolveu a ninfa em espessa névoa, mas o ardoroso rio não desistiu e ficou por perto.

Moeda com efígie de Aretusa

Dentro da nuvem, a ninfa se transformou em água e Alfeu, ao perceber o que ocorria, voltou à forma líquida para unir suas águas às de Aretusa. A ninfa, porém, mergulhou na terra e viajou até a ilha de Ortígia, onde a pólis de Siracusa começou, e voltou à superfície como fonte de água doce. Alfeu, porém, reconheceu-a e misturou suas águas às dela.

Durante boa parte da Antiguidade acreditou-se que Alfeu havia efetivamente criado uma passagem oculta sob o leito do mar para se misturar às águas de Aretusa, e que coisas lançadas no rio Alfeu, perto de Élis, apareciam depois de algum tempo na fonte Aretusa, em Siracusa.

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Outras iluminuras

 
A fonte Aretusa da Sicília.
In situ

Notas

  1. A gota (gr. ποδάγρα), conhecida desde o Egito Antigo, é uma doença inflamatória e dolorosa das grandes articulações, associada à deposição de cristais de ácido úrico. Não é incomum esses cristais formarem cálculos renais e massas (“tofos”) que se depositam nas articulações, tendões e tecidos próximos.

Referências

Collard, Christopher and Morwood, James, Euripides Iphigenia at Aulis, v. 2. Liverpool: Liverpool University Press, 2017.

Créditos das ilustrações

i1246Aretusa, Ártemis e Alfeu → Ver comentários.
i1247Moeda com efígie da ninfa Aretusa → Ver comentários.
i1251A fonte Aretusa da Sicília → Ver comentários.

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Artigo nº 1148, iniciado em 05/06/2018.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Aretusa e Alfeu. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=1148. Consulta: 21/01/2019.
 
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