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Eurípides / Ciclope 630-664

TRADUÇÃO

Nesta parte do 4º episódio, Odisseu avisa os sátiros, conforme combinado, que é hora de cegar o ciclope... Quando eles previsivelmente se acovardam, o herói pede que ao menos cantem para animar os homens de Ítaca. Para isso, os sátiros se separam em dois grupos, Coro A e Coro B.

ODISSEU 630   Vamos lá, entrai e agarrai com as duas mãos   o tição, que ele está bem ardente! CORO   Não vais designar quem deve ir na frente,   pegar a estaca candente e atiçar o olho   do Ciclope, para participarmos de seu sucesso? 635 Co.a Estamos muito distantes da entrada  para ficar de pé e enfiar o fogo no olho dele. Co.b E nós ficamos completamente mancos! Co.aA mesma coisa me aconteceu; torcemos  os pés ao ficarmos de pé, não sei como. 640 Od. Ao ficar de pé, torcestes ...?! Co.a             E meus olhos estão  cheios de poeira, ou de cinzas de algum lugar. Od. Guerreiros covardes, aliados que de nada servem! Co. Só porque das costas e da traseira nós cuidamos   e não queremos ter os dentes arrancados 645   a pancada, trata-se de covardia?   Conheço, porém, um encantamento de Orfeu muito bom,   que faz a estaca flamejante, por si só, ir até   o crânio para incendiar o filho da Terra de um só olho[1]. Od. Eu de antemão sabia ser assim vossa natureza, 650   mas agora a conheço melhor, e aos amigos de casa   devo recorrer. Mas se não tens força nas mãos,   pelo menos incita-nos, para ânimo   incutir nos amigos com esses teus comandos. Co. Assim farei. Correremos o risco, por meio do Cário[2], 655   E que, através de nossas exortações, o Ciclope vire fumaça!
  Iô ô, empurrai com      bravura, apressai-vos, queimai a fronte   da fera que devora hóspedes!   Esfumaçai, ô, fazei arder, ô, 660  o pastor do Etna!  Torcei, tirai, que tomado de dor  ele não faça algo profano!
CICLOPE  Ai de mim! Carbonizaram-me a luz do olho! Co. Que lindo, esse peã[3]! Canta-o de novo para mim, Ciclope!
TEXTO GREGO
a

Notas

  1. Polifemo é considerado filho de Posídon em diversas fontes (e.g. Od. 1.68-73 e 9.105-555). Nesse verso do drama satírico, no entanto, Eurípides o assimila o ciclope aos gigantes, filhos de Gaia (Hes. Th. 139), que desafiaram os deuses na gigantomaquia e foram fragorosamente derrotados.
  2. Os Cários eram mercenários notórios (e.g. Archil. Fr. 216).
  3. O peã (gr. παιάν) era um canto solene, coral ou monódico, utilizado na celebração de triunfos e em muitas outras ocasiões. No início, era dirigido a Apolo, mas logo se tornou sinônimo de canto dirigido aos deuses com finalidades diversas.

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Artigo nº 1145
publicado em 10/11/2017.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. Eurípides / Ciclope 630-664. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=1145. Consulta: 17/11/2017.
 
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