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A Dra. Agnodice

Excepcionalmente, o texto desta sinopse não é de minha autoria — simplesmente traduzi uma pequena passagem da Fabula 274 do Pseudo-Higino (F. 10-13), intitulada Quis quid inuenerit.
 
 
Agnodice

Higino é a única fonte da fictícia história da médica grega Agnodice (Fab. 274.10-13), e não só a história é fictícia. Agnodice, assim como Prócris, pertence ao universo da mitografia greco-romana (ver Bonner, 1920, p. 257-8; Bettini, 2013, p. 193-6).

QUEM INVENTOU O QUÊ

10. Os antigos não tinham parteiras e, por causa disso, mulheres com pudor pereciam, pois os atenienses não permitiam que servos e mulheres aprendessem a arte da medicina. Uma certa 〈H〉agnodice, jovem não casada, muito queria aprender medicina e, como queria muito, de cabelo cortado e com vestes masculinas se tornou discípula de um certo Herófilo[1].

11. Depois de aprender a arte, ao ouvir que alguma mulher tinha problemas nas partes baixas, ia até ela e, se (a mulher) não queria confiar, pensando que ela era homem, levantava a túnica[2] e mostrava que era mulher. Dessa forma ela conseguia cuidar delas.

12. Quando os médicos viram que as mulheres não os chamavam, começaram a acusar 〈H〉agnodice de ser um efeminado que seduzia essas mulheres, e que elas fingiam a indisposição.

13. Os membros do Aerópago se reuniram e inicialmente condenaram 〈H〉agnodice, mas ela levantou a túnica e mostrou que era mulher. Então os médicos começaram a acusá-la com mais veemência, mas as mulheres dos cidadãos mais eminentes vieram ao julgamento e disseram: Vocês não são maridos e sim inimigos, pois condenam aquela que achou meios de cuidar de nossa saúde. Os atenienses mudaram então a lei para que mulheres livres aprendessem a arte da medicina.

TEXTO LATINO
a

Outras iluminuras

 
Baubó.
Museu Arqueológico de Paros

Notas

  1. Aparentemente não se trata do célebre Herófilo (gr. Ἡρόφιλος), expoente da Escola de Alexandria que viveu entre -335 e -280.
  2. O verbo grego ἀνασύρω corresponde à expressão latina tunica sublata ostendit e significa ‘erguer a roupa para expor o que está abaixo’ (Plu. 248b), gesto considerado desavergonhado (Thphr. Char. 6.2). Tradição tardia (Clem. Al. Protr. 2.20.3) conta que uma serva idosa chamada Baubó (gr. Βαυβώ) fez a deusa Deméter rir, em meio à tristeza pelo rapto de Perséfone, com esse gesto. Empédocles (Fr. 153) talvez já conhecesse essa história, e o gesto era ritualmente repetido nos Mistérios de Elêusis.
    Imagem: exposição da genitália feminina espanta o demônio → Iluminura 1117a.

Referências

Campbell Bonner, The Trial of Saint Eugenia, The American Journal of Philology 41.3, 253-264, 1920. Maurizio Bettini, Women and Weasels: Mythologies of Birth in Ancient Greece and Rome, trad. E. Eisenach, Chicago, University of Chicago Press, 2013.

Créditos das ilustrações

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Artigo nº 0969
publicado em 15/10/2014.
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RIBEIRO JR., W.A. A Dra. Agnodice. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0969. Consulta: 27/06/2017.
 
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