Græcia Antiqua INTRODUÇÃOARTECIÊNCIASFILOSOFIAGEOGRAFIAHISTÓRIALÍNGUALITERATURAMITOLOGIAMÚSICARELIGIÃO

A poesia pastoral

 
Jovem tocando flauta para sátiro

Os principais poetas pastorais ou bucólicos foram Teócrito, reconhecico como o criador desse gênero literário, Mosco e Bíon. Os dois últimos, segundo alguns eruditos, eram apenas imitadores; a Suda, no entanto, considera os três poetas representantes canônicos da poesia pastoral.

Teócrito deu forma literária aos cantos rústicos e às disputas musicais populares entre os camponeses da Magna Grécia que conheceu. Nos seus idílios bucólicos, retrata com delicadeza, realismo e viva sensibilidade as cenas campestres. Os versos falam de pastores, competições de canto bucólico, amores não correspondidos e descrevem as belezas da natureza. O deus e outros mitos pastorais são também frequentemente mencionados.

Imitaram Teócrito, além de Mosco e Bíon, o poeta romano Virgílio (-70/-19) e os árcades renascentistas e modernos, como por exemplo o italiano Sannazaro (1455/1530), o alemão Gessner (1730/1788), o português Bocage[1] (1765/1805) e o brasileiro Tomás Antônio Gonzaga (1744/1819).

Convém destacar, no entanto, que as cenas pastorais fortemente idealizadas descritas pelos poetas posteriores a Teócrito não têm nada do naturalismo e do realismo do poeta grego.

Notas

  1. Todos conhecem o poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765/1805) por seus ásperos e ferinos epigramas satíricos; nem todos sabem que ele foi membro da Nova Arcádia e que compôs diversos idílios bucólicos... Eis um pequeno trecho da Flérida, composto entre 1780 e 1787 e inspirado no Idílio III de Teócrito, Lamento:
    Oh monte, monte estéril, e escalvado, Amiga solidão, tristeza amiga! Eis um pobre pastor, e um pobre gado, Eu cheio de saudade, ele de fome:     Permite Amor, que eu diga Por desafogo o mal, que me consome:     Os clamores sentidos Da solitária ninfa, que responde     A meus ternos gemidos Lá da gruta, ou da mata, em que se esconde;     Vão ser noutros outeiros, Vão ser noutras montanhas pregoeiros Das ânsias, a que Flérida me obriga, E tu ouve injustiças do meu fado, Da minha doce, e bárbara inimiga, Oh monte, monte estéril, e escalvado, Amiga solidão, tristeza amiga!

Créditos das ilustrações

i0543Jovem tocando flauta para sátiro → Ver comentários.

Imprenta

Artigo nº 0698
publicado em 15/11/2001.
Licença: CC BY-NC-ND 4.0
Como citar esta página:
RIBEIRO JR., W.A. A poesia pastoral. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0698. Consulta: 21/10/2017.
 
Portal Grécia Antiga ISBN 1679-5709 On-line desde 04/11/1997 f   t   i   i Sobre o Portal Ajuda FAQs Mapa do site Termos de uso 30/04/2017 ← novidades Contato Outras páginas do autor
 Wilson A. Ribeiro Jr., 1997-2017