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A lenda de Pigmalião e Galatéia é originária da ilha de Chipre,
onde havia um importante santuário dedicado a Afrodite, em Palea Pafos ("a antiga
Pafos"), ativo até o século IV. "Pigmalião" é a versão grega de Pumayyaton,
nome de um rei fenício que viveu em Tiro, entre -820 e
-774.
No mito, Pigmalião (gr. Πυγμαλίων) era um
exímio escultor cipriota que, horrorizado pelo comportamento indecente das mulheres
de Chipre, optou por viver isolado e imerso em seu trabalho. Mas, como não era
insensível à beleza feminina, esculpiu uma imagem de mulher, em marfim, para
fazer-lhe companhia.
A figura esculpida era de uma beleza tão grande, trabalhada com tanta arte e
parecia tão viva, que o escultor apaixonou-se por sua obra...
Beijava-a, dava-lhe roupas e jóias, e
chamava-a de Galatéia. Depois de algum tempo, tão atormentado ficou que
implorou a Afrodite, durante um festival em sua honra, que lhe permitisse encontrar
uma mulher igual à estátua de marfim.
A deusa ouviu a súplica e, benévola, atendeu em parte o pedido. Quando Pigmalião
regressou à sua casa, a estátua de marfim ganhou vida e se tornou sua esposa.
Tiveram um filho, Pafos, epônimo da cidade cipriota de Pafos, e uma filha,
Metarme.
Fontes
A mais antiga fonte da lenda é uma obra de Filostéfano de Cirene (fl. séc.
-III), De Cypro, uma história da ilha de Chipre. O relato mais
conhecido, no entanto, é o de Ovídio (Met. 10.243-97), utilizado
nesta sinopse. Clemente de Alexandria (Protr. 4.57) menciona,
igualmente, o mito; na versão do Pseudo-Apolodoro
(3.14.3), Pigmalião é o rei de Chipre.
Note-se que o nome "Galatéia" não aparece em nenhum texto da Antiguidade; foi
utilizado pela primeira vez, aparentemente, por Jean-Jacques Rousseu
(1712/1778) no drama musical Pygmalion, de 1762.
Iconografia
Não há representações do mito em obras da Antiguidade. Muitos pintores e
escultores do século XIX, no entanto, recorreram a esse tema em suas obras:
Jean-Léon Gérôme (Fig. 0307), Edward
Burne-Jones, Auguste Rodin, Francisco Goya, Franz von Stuck e muitos outros.
Influência literária
Além da citada obra de Rousseau, o mito inspirou óperas
(Jean-Philippe Rameau, 1748; Gaetano Donizetti, 1816), poemas (John
Dryden, 1703; Carol Ann Duffy, 1999), peças de teatro (William Gilbert, 1871;
Bernard Shaw, 1914) e ballets (Marius Petipa e Nikita Trubetskoi, 1895).
Shakespeare apresentou uma versão da lenda da estátua viva na comédia romântica
Conto de Inverno (1623). O tema do corpo inanimado que ganha vida está
igualmente presente nas novelas Frankenstein, de Mary Shelley (1818), O
Homem Positrônico, de Isaac Asimov e Robert Silverberg (1993) e Galatea
2.2, de Richard Powers (1995).
ReferênciasMeyer Reinhold, The Naming of Pygmalion´s Animated Statue, The Classical Journal 66.4, 316-9, 1971. Consulte também a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. Pigmalião e Galatéia. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0655. Consulta: 07/09/2010. |