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Diálogos dos Mortos (gr. Νεκρικοὶ
διάλογοι) é uma das obras mais
famosas e mais engraçadas de Luciano, e inspirou várias imitações durante os séculos
XVII e XVIII, especialmente na Inglaterra (e.g. Lyttelton, 1760), Estados Unidos
(e.g. Beasley, 1814) e na França (e.g. Fontenelle, 1683 e Fénelon, 1700). Fowler
acredita que o diálogo foi escrito entre 165 e 175, alguns anos antes de sua
morte.
O diálogo luciânico e, em especial, o dos Mortos, é o exemplo mais acabado
do gênero literário conhecido por sátira menipéia[1], caracterizado pela ousadia, pelos recursos cômicos
(especialmente a sátira, a ironia e o ridículo), pelo contraste com os gêneros
considerados "sérios" (tragédia, comédia, diálogo platônico, etc.) e pela frontal
ruptura com a realidade (Bakhtin, 2000).
Resumo
A obra compõe-se de 30 diálogos curtos em que interagem, além de Hades (Plutão),
senhor do mundo subterrâneo, Hermes, o deus que conduz os mortos ao reino de Hades e
Caronte, o barqueiro que transporta os mortos através do rio Estige, algumas das
figuras mais importantes e famosas da mitologia e da história da Grécia Antiga. Os
diálogos giram em torno de Diógenes e de Menipo, dois falecidos filósofos da escola
cínica, que constantemente questionam os outros mortos e expõem com corrosiva ironia
a inconsistência de suas idéias e atitudes durante a vida. "Menipo não poupa
ninguém" (Scheel, 2003).
Eis uma lista de todos os diálogos (a ordem varia um pouco, conforme o manuscrito
e a edição):
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- Diógenes e Polideuces
- Mortos, Plutão e Menipo
- Menipo e Trofônio
- Hermes e Caronte
- Plutão e Hermes
- Terpsíon e Plutão
- Zenofanto e Calidemides
- Cnêmon e Damnipo
- Similo e Polístrato
- Caronte, Hermes e mortos
- Crates e Diógenes
- Alexandre, Aníbal, Minos e Cipião
- Diógenes e Alexandre
- Felipe e Alexandre
- Aquiles e Antíloco
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- Diógenes e Héracles
- Menipo e Tântalo
- Menipo e Hermes
- Éaco e Protesilau
- Menipo e Éaco
- Menipo e Cérbero
- Caronte e Menipo
- Plutão e Protesilau
- Diógenes e Mausolo
- Nireu, Térsites e Menipo
- Menipo e Quíron
- Diógenes, Antístenes e Crates
- Menipo e Tirésias
- Ájax e Agamêmnon
- Minos e Sóstrato
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Edições e traduções
Diálogos dos Mortos é um texto sempre presente nas edições completas de
Luciano e, dada sua popularidade, quase sempre nas edições parciais. Não tenho
conhecimento de edição isolada do texto. A primeira tradução para o português é a de
Américo da Costa Ramalho (1989); seguiram-na a de Henrique Murachco
(1996) e a de Celeste Consolin Dezotti (1996).
Notas- Essa expressão originou-se certamente das Saturae Menippeae do erudito romano Marco Terêncio Varrão (-116/-27), que abordou, em 110 diálogos satíricos, idéias do filósofo cínico Menipo de Gadara, que viveu no século -III e escreveu diversas obras, das quais nenhuma sobreviveu. Infelizmente, as "Sátiras Menipéias" de Varrão também não chegaram até nós.
Textos recomendados  Américo C. Ramalho, Luciano. Diálogo dos Mortos. Coimbra, Centro de Estudos Clássicos, 1989 [reimpr. Brasília, Ed. UnB, 1998].
Henrique G. Murachco, Luciano. Diálogo dos Mortos. São Paulo, EdUSP, 1996.
Maria Celeste C. Dezotti, Luciano. Diálogos dos Mortos. São Paulo, Hucitec, 1996. ReferênciasH.W. Fowler & F.G. Fowler, The Works of Lucian of Samosata, v. 1, Oxford, The Clarendon Press, 1905.
Márcio Scheel, Contra a tradição: a contradição. Brasília, Usina de Letras, 2003. Disponível em www.usinadeletras.com.br. Consulta: maio de 2004.
Mikhail Bakhtin, Problemas da poética de Dostoievski, trad. Paulo Bezerra, Rio de Janeiro, Ed. Forense / Universitária, 2000. Consulte também a bibliografia geral da área. RIBEIRO JR., W.A. Diálogo dos mortos, de Luciano. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. Disponível em www.greciantiga.org/arquivo.asp?num=0602. Consulta: 07/09/2010. |